Tirzepatida

Princípio ativo: TirzepatidaClasse: Agonista dos receptores GIP e GLP-1 (injetável semanal para diabetes tipo 2, controle do peso e apneia do sono)Outros nomes: Mounjaro · Ver lista completa de genéricos, similares e referências →Apresentações: Solução injetável (caneta aplicadora)Dosagens: 2,5 mg/0,5 mL · 5 mg/0,5 mL · 7,5 mg/0,5 mL · 10 mg/0,5 mL · 12,5 mg/0,5 mL · 15 mg/0,5 mL
Revisado por Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 25 de agosto de 2026
Medicamento sujeito a prescrição médica. As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a orientação de um profissional de saúde. Não se automedique.

Indicações

O que é Tirzepatida

A tirzepatida é um medicamento injetável de aplicação semanal, administrado sob a pele (via subcutânea) com uma caneta aplicadora de uso único. Ela age ao mesmo tempo sobre dois receptores de hormônios do intestino que participam do controle da glicose e do apetite — o GIP e o GLP-1 —, o que a distingue dos medicamentos que agem apenas no GLP-1. É indicada para melhorar o controle da glicemia no diabetes mellitus tipo 2, para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou com sobrepeso acompanhado de outra doença relacionada ao peso, e para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade. Em todas essas indicações, a bula descreve o medicamento como adjuvante — isto é, complemento à dieta e ao aumento da atividade física —, e não como substituto delas.

Como funciona Tirzepatida

A tirzepatida é um agonista de ação prolongada dos receptores de GIP e de GLP-1: uma sequência de aminoácidos com um fragmento de diácido graxo de 20 carbonos que permite a ligação à albumina do sangue e prolonga a permanência do medicamento no organismo. Ela é altamente seletiva para os receptores humanos de GIP e de GLP-1, pelos quais tem alta afinidade; a atividade sobre o receptor de GIP é semelhante à do hormônio GIP natural, enquanto a atividade sobre o receptor de GLP-1 é inferior à do GLP-1 natural. No diabetes tipo 2, a tirzepatida aumenta a sensibilidade das células beta do pâncreas à glicose — o que eleva a liberação de insulina — e reduz os níveis de glucagon (hormônio que aumenta o açúcar no sangue); os dois efeitos são dependentes da glicose, ou seja, ocorrem conforme a glicemia sobe. Também melhora a sensibilidade à insulina, retarda o esvaziamento do estômago (efeito que diminui com o tempo) e reduz a ingestão de alimentos. No controle do peso e na apneia obstrutiva do sono, o mecanismo passa pelo fato de os receptores de GIP e de GLP-1 estarem presentes em áreas do cérebro importantes para a regulação do apetite: a tirzepatida regula o apetite e reduz a ingestão de alimento, o peso e a gordura corporal, além de melhorar a sensibilidade à insulina. Os receptores de GIP também estão presentes nas células de gordura (adipócitos), e estudos em animais indicam que o medicamento modula o uso da gordura por essa via.

Para que serve Tirzepatida

Seguem as indicações de Tirzepatida:

  • Diabetes mellitus tipo 2 em adultos: para melhorar o controle da glicemia, como complemento à dieta e aos exercícios.
  • Diabetes mellitus tipo 2 em pacientes de 10 anos de idade ou mais: para melhorar o controle da glicemia, como tratamento isolado quando a metformina é considerada inapropriada por intolerância ou por contraindicação, ou em combinação quando o controle da glicemia com metformina está inadequado.
  • Controle crônico do peso em adultos — incluindo a perda de peso e a manutenção do peso perdido —, como complemento à dieta de baixa caloria e ao aumento da atividade física, quando o Índice de Massa Corpórea (IMC) é igual ou maior que 30 kg/m² (obesidade), ou igual ou maior que 27 kg/m² (sobrepeso) na presença de pelo menos uma doença relacionada ao peso, como pressão alta (hipertensão), colesterol alto (dislipidemia), apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
  • Apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.

Quando começa a fazer efeito

A tirzepatida atinge a concentração máxima no sangue entre 8 e 72 horas após a aplicação, e a exposição estável no organismo — quando as doses semanais se equilibram — é alcançada depois de 4 semanas de uso uma vez por semana. Sobre o efeito clínico, a bula registra que reduções significativas da glicemia de jejum podem ser observadas a partir de 2 semanas de tratamento. O atraso do esvaziamento do estômago, que responde por parte do efeito sobre a glicemia depois das refeições e também pelos enjoos do início do tratamento, é maior após a primeira dose e diminui com o tempo.

A meia-vida de eliminação da tirzepatida é de aproximadamente 5 dias — é isso que permite a aplicação uma vez por semana. Essa meia-vida longa também explica outras três orientações da bula: uma dose esquecida ainda pode ser aplicada em até 4 dias (96 horas); o dia da aplicação semanal pode ser mudado desde que haja pelo menos 3 dias (72 horas) entre duas doses; e quem deseja engravidar deve interromper o medicamento pelo menos 1 mês antes da gravidez planejada. Em caso de superdose, a bula orienta considerar a mesma meia-vida de cerca de 5 dias ao definir o tempo de observação.

Contraindicações

  • Hipersensibilidade (alergia) grave conhecida à tirzepatida ou a qualquer um dos componentes da fórmula. Reações graves de hipersensibilidade, incluindo anafilaxia e angioedema, já foram relatadas com o medicamento.
  • Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT), um tipo raro de tumor maligno da tireoide.
  • Neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2), síndrome genética caracterizada pela presença de tumores em algumas glândulas endócrinas.

Antes de usar

Informe seu médico antes de começar

Antes de iniciar, informe ao seu médico:

  • Se você tem nódulos na tireoide ou já fez algum exame que mostrou alteração na tireoide.
  • Se você já teve pancreatite (inflamação do pâncreas) — o medicamento não foi estudado nessa situação e deve ser usado com cautela.
  • Se você tem ou já teve doença da vesícula biliar, como pedras na vesícula (colelitíase) ou inflamação da vesícula (colecistite).
  • Se você tem retinopatia diabética (doença dos olhos causada pelo diabetes).
  • Se você tem doença grave do aparelho digestivo, incluindo gastroparesia grave (dificuldade importante de esvaziamento do estômago) — nesse caso o medicamento não é recomendado.
  • Se você tem histórico de tentativa de suicídio, de depressão ou de outras alterações de humor e de comportamento.
  • Se você já teve angioedema (inchaço repentino sob a pele) ou anafilaxia (reação alérgica grave) com outro medicamento para diabetes, em especial com um agonista do receptor de GLP-1.
  • Se você tem insuficiência grave do fígado ou dos rins, incluindo doença renal em estágio terminal — a experiência de uso nessas situações é limitada.
  • Se você está grávida, pretende engravidar ou está amamentando.
  • Se você usa anticoncepcional oral, porque pode ser necessário adotar outro método durante as primeiras semanas de tratamento e após cada aumento de dose.
  • Se você vai passar por uma cirurgia ou por qualquer procedimento com anestesia geral ou sedação profunda — a equipe precisa saber que você usa um agonista do receptor de GLP-1.
  • Todos os medicamentos que você usa, especialmente insulina, sulfonilureias e outros medicamentos que fazem liberar insulina, e medicamentos de uso oral que precisam de uma quantidade mínima no sangue para funcionar ou cuja dose eficaz é próxima da dose tóxica, como varfarina e digoxina.

Sinais de alerta: quando parar e procurar ajuda médica

Risco de tumores de células C da tireoide

Em ratos, a tirzepatida provocou aumento na incidência de tumores de células C da tireoide (adenomas e carcinomas), de forma dependente da dose e do tempo de tratamento, em exposições clinicamente relevantes. Não se sabe se o medicamento causa esses tumores, incluindo o carcinoma medular de tireoide (CMT), em seres humanos. Por isso ele é contraindicado para quem tem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Procure o médico diante de sintomas como caroço no pescoço, dificuldade para engolir (disfagia), falta de ar (dispneia) ou rouquidão persistente. A bula registra que a dosagem de rotina da calcitonina no sangue e a ultrassonografia da tireoide têm valor incerto para detectar o carcinoma medular precocemente em quem usa o medicamento, e podem aumentar o risco de procedimentos desnecessários.

Pancreatite aguda

Casos de pancreatite (inflamação do pâncreas) foram relatados em pacientes tratados com tirzepatida, e o medicamento não foi estudado em quem tem histórico de pancreatite. Se houver suspeita de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido e o médico avisado; confirmado o diagnóstico, o medicamento não deve ser reiniciado. A bula ressalva que, na ausência de outros sinais e sintomas, o aumento isolado das enzimas do pâncreas não é preditivo de pancreatite.

Reações de hipersensibilidade, anafilaxia e angioedema

Foram relatadas reações de hipersensibilidade — por exemplo, urticária (vergões avermelhados na pele) e eczema (inflamação na pele) —, algumas delas graves. Se ocorrer uma reação assim, interrompa o uso, avise o médico e mantenha o acompanhamento até que os sinais e sintomas desapareçam. Anafilaxia (reação alérgica grave generalizada) e angioedema (inchaço repentino sob a pele) foram relatados com agonistas do receptor de GLP-1; não se sabe se quem já teve essas reações com outro medicamento da classe está predisposto a elas com a tirzepatida.

Aspiração pulmonar durante anestesia ou sedação

A tirzepatida retarda o esvaziamento do estômago. Casos de aspiração pulmonar (broncoaspiração, quando conteúdo do estômago vai para os pulmões) foram relatados em pacientes que usam agonistas do receptor de GLP-1 de ação longa e são submetidos a anestesia geral ou sedação profunda. Antes de qualquer procedimento com anestesia ou sedação, informe imediatamente a equipe médica que usa este medicamento.

Comportamento e pensamento suicida

Comportamento e ideação suicida foram relatados com o uso de produtos que induzem perda de peso. Quem usa o medicamento deve ser monitorado quanto ao surgimento ou à piora de depressão, de pensamentos ou comportamentos suicidas e de quaisquer mudanças incomuns de humor ou de comportamento. Fale imediatamente com o médico se isso acontecer; em quem tem histórico de tentativa de suicídio, o médico avalia individualmente o benefício e o risco antes de iniciar ou de continuar o tratamento.

Perda de visão relatada após a comercialização (NAION)

Eventos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION) — uma condição rara que pode reduzir a acuidade visual e, em alguns casos, causar perda permanente da visão — foram relatados em pacientes tratados com medicamentos com atividade agonista do receptor de GLP-1. Procure atendimento diante de qualquer alteração súbita da visão.

Doença grave do aparelho digestivo e gastroparesia

Foram relatados eventos ligados ao atraso do esvaziamento do estômago, incluindo gastroparesia grave. A tirzepatida não foi estudada em pacientes com doença gastrointestinal grave, incluindo gastroparesia grave, e por isso não é recomendada nessas situações. Avise o médico se tiver sintomas de doença grave do aparelho digestivo.

Desnutrição

Foram relatados eventos relacionados a desnutrição, alguns deles graves, em pacientes em tratamento. Os riscos associados incluem deficiência de vitaminas e minerais, deficiência de proteínas e baixo peso corporal. A bula orienta considerar suporte nutricional equilibrado e avaliar a interrupção do tratamento em casos graves ou persistentes. Avise o médico se notar esses sinais.

Outras informações importantes

Riscos e monitoramento durante o tratamento

Efeitos no aparelho digestivo e desidratação

A tirzepatida foi associada a náusea, vômito e diarreia. Esses eventos podem levar à desidratação (perda de líquidos), que por sua vez pode piorar a função dos rins, incluindo casos de insuficiência renal aguda. É importante aumentar a ingestão de líquidos para evitar a desidratação, e a função renal de quem apresenta esses efeitos deve ser monitorada. A incidência de náusea, vômito e diarreia é maior durante o período de aumento da dose e diminui com o tempo.

Hipoglicemia quando associada a insulina ou a sulfonilureias

Quem usa a tirzepatida junto com insulina ou com um medicamento que faz liberar insulina (secretagogo, como as sulfonilureias) pode ter risco aumentado de hipoglicemia — açúcar no sangue mais baixo que o normal. Esse risco pode ser reduzido diminuindo a dose da insulina ou do secretagogo, decisão que cabe ao médico, e a redução da insulina deve ser feita de forma gradual. Nesses casos é necessário medir a glicemia em casa (automonitorização) conforme a orientação médica.

Piora temporária da retinopatia diabética

Uma piora temporária da retinopatia diabética (doença dos olhos causada pelo diabetes) foi relatada com a melhora rápida do controle da glicemia. Quem tem histórico de retinopatia diabética deve ser monitorado quanto à progressão da doença durante o tratamento.

Doença aguda da vesícula biliar

Eventos agudos de doença da vesícula biliar, como colelitíase (pedras na vesícula) ou colecistite (inflamação da vesícula), foram relatados com agonistas do receptor de GLP-1, tanto em estudos quanto após a comercialização. Nos estudos controlados por placebo com tirzepatida, doença aguda da vesícula biliar — colelitíase, cólica biliar e retirada da vesícula — foi relatada por 0,6% dos pacientes tratados com o medicamento e por nenhum dos que receberam placebo. Havendo suspeita de pedras na vesícula, são indicados exames de diagnóstico e acompanhamento clínico.

Cuidados no dia a dia

Condução de veículos: Nenhum estudo foi realizado sobre os efeitos da tirzepatida na capacidade de dirigir veículos e operar máquinas. Quando o medicamento é usado junto com uma sulfonilureia ou com insulina, pode ocorrer hipoglicemia, que reduz a capacidade de concentração: nesses casos, converse com o médico sobre as precauções para evitar a queda do açúcar no sangue e evite dirigir ou operar máquinas diante de qualquer sinal de hipoglicemia.

O tratamento aumenta as enzimas do pâncreas nos exames de sangue. Nos estudos de diabetes tipo 2, o aumento médio foi de 33% a 38% para a amilase pancreática e de 31% a 42% para a lipase pancreática. Nos estudos de controle de peso, de apneia obstrutiva do sono e de insuficiência cardíaca, os aumentos médios de amilase foram de 23%, 25% e 28%, e os de lipase, de 34%, 39% e 32%. A bula registra que, na ausência de outros sinais e sintomas de pancreatite, esse aumento isolado não indica inflamação do pâncreas. Também foi observado aumento da calcitonina no sangue, hormônio produzido pela tireoide.

Composição e alérgenos

Cada 0,5 mL da solução injetável contém, além da tirzepatida, os excipientes cloreto de sódio, fosfato de sódio dibásico heptaidratado, ácido clorídrico, hidróxido de sódio e água para injetáveis. O medicamento não deve ser usado por quem tem alergia à tirzepatida ou a qualquer um desses componentes.

Posologia

A tirzepatida é aplicada uma vez por semana, em qualquer horário do dia e independentemente das refeições. O tratamento sempre começa com 2,5 mg por semana durante 4 semanas — essa é uma dose de início, destinada à adaptação do organismo. Depois desse período, a dose é aumentada para 5 mg por semana e, quando necessário, novos aumentos podem ser feitos em acréscimos de 2,5 mg, respeitando o mínimo de 4 semanas na dose atual. Em adultos, as doses de manutenção recomendadas são 5 mg, 10 mg e 15 mg, e a dose máxima é 15 mg por semana; na apneia obstrutiva do sono, a dose de manutenção recomendada é 10 mg ou 15 mg. Em pacientes de 10 anos ou mais com diabetes tipo 2, as doses de manutenção são 5 mg e 10 mg, e a dose máxima é 10 mg por semana. A escolha da dose de manutenção leva em conta a resposta ao tratamento e a tolerância: se a pessoa não tolerar uma dose de manutenção, o médico pode considerar uma dose menor. Quando o medicamento é acrescentado a um tratamento já em curso com metformina e/ou inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2), as doses desses medicamentos podem ser mantidas; quando é acrescentado a uma sulfonilureia e/ou insulina, o médico pode reduzir a dose desses medicamentos para diminuir o risco de hipoglicemia. Não é necessário ajustar a dose por idade, sexo, raça, etnia, peso corporal ou insuficiência do fígado ou dos rins, incluindo doença renal em estágio terminal — ainda que a experiência de uso nas formas graves dessas insuficiências seja limitada.

Por indicação

Diabetes mellitus tipo 2 — adultos

Dose inicial: 2,5 mg uma vez por semana, durante 4 semanas

Dose de manutenção: 5 mg, 10 mg ou 15 mg uma vez por semana

Dose máxima: 15 mg uma vez por semana

Titulação: Após 4 semanas, aumentar para 5 mg uma vez por semana. Se necessário, novos aumentos de 2,5 mg após o mínimo de 4 semanas na dose atual.

Observações: Considerar a resposta ao tratamento e a tolerância ao escolher a dose de manutenção; se o paciente não tolerar uma dose, considerar uma dose de manutenção menor.

Diabetes mellitus tipo 2 — pacientes de 10 anos ou mais

Dose inicial: 2,5 mg uma vez por semana, durante 4 semanas

Dose de manutenção: 5 mg ou 10 mg uma vez por semana

Dose máxima: 10 mg uma vez por semana

Titulação: Após 4 semanas, aumentar para 5 mg uma vez por semana. Se necessário, novos aumentos de 2,5 mg após o mínimo de 4 semanas na dose atual.

Observações: A segurança e a eficácia não foram estabelecidas em pacientes com menos de 10 anos de idade. Não há dados para crianças e adolescentes com peso corporal abaixo de 50 kg e IMC abaixo do percentil 85 no início do tratamento.

Controle crônico do peso — adultos

Dose inicial: 2,5 mg uma vez por semana, durante 4 semanas

Dose de manutenção: 5 mg, 10 mg ou 15 mg uma vez por semana

Dose máxima: 15 mg uma vez por semana

Titulação: Após 4 semanas, aumentar para 5 mg uma vez por semana. Se necessário, novos aumentos de 2,5 mg após o mínimo de 4 semanas na dose atual.

Duração: Se a pessoa não conseguir perder pelo menos 5% do peso corporal inicial em até 6 meses depois de chegar à dose tolerada mais alta, o médico avalia se o tratamento deve ou não continuar, considerando o risco e o benefício individuais.

Observações: A segurança e a eficácia não foram estabelecidas em pacientes com menos de 18 anos para esta indicação.

Apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade

Dose inicial: 2,5 mg uma vez por semana, durante 4 semanas

Dose de manutenção: 10 mg ou 15 mg uma vez por semana

Dose máxima: 15 mg uma vez por semana

Titulação: Após 4 semanas, aumentar para 5 mg uma vez por semana. Aumentos de 2,5 mg podem ser feitos após o mínimo de 4 semanas na dose atual.

Observações: A segurança e a eficácia não foram estabelecidas em pacientes com menos de 18 anos para esta indicação.

Como administrar — injetável

A aplicação é feita sob a pele (via subcutânea), na barriga (abdome) ou na coxa; a parte posterior do braço só deve ser usada quando outra pessoa aplicar a injeção. O local de aplicação deve ser alternado a cada semana — é possível usar a mesma região do corpo, desde que em um ponto diferente. Antes de aplicar: retire a caneta da geladeira, confira no rótulo o medicamento, a dose e o prazo de validade, verifique se a caneta não está danificada e observe a solução, que deve estar sem congelamento, límpida, incolor a levemente amarelada e sem partículas; depois, lave as mãos. Só então retire a tampa cinza da base, puxando-a em linha reta, sem recolocá-la e sem tocar a agulha — a caneta deve permanecer travada até esse momento. Posicione a base transparente de forma plana contra a pele, destrave girando o anel de travamento e pressione o botão de injeção roxo, mantendo a caneta firme por até 10 segundos: o primeiro clique indica o início e o segundo clique, o fim da injeção. A dose foi aplicada corretamente quando o êmbolo cinza fica visível; algumas pessoas ouvem um clique baixo antes do segundo clique alto, o que é o funcionamento normal da caneta. Bolhas de ar dentro da caneta são normais, assim como uma gota de líquido na ponta da agulha ou uma gota de líquido ou de sangue na pele depois da injeção — nesse caso, pressione algodão ou gaze sobre o local, sem esfregar. Não é necessário aquecer a caneta até a temperatura ambiente. Quando a tirzepatida é usada com insulina, as duas devem ser aplicadas como injeções separadas, nunca misturadas, e em locais de injeção diferentes. Em pacientes pediátricos, um cuidador pode aplicar a injeção após treinamento na técnica, ou o próprio paciente pode se autoaplicar, se o médico considerar apropriado. Quem tem problemas de visão não deve usar a caneta sem a ajuda de uma pessoa treinada.

E se eu esquecer uma dose?

Se uma dose for esquecida, ela deve ser aplicada assim que possível, dentro de 4 dias (96 horas) do horário previsto. Se já tiverem se passado mais de 4 dias, a dose esquecida não deve ser aplicada: a próxima dose é feita no dia habitual do cronograma. Em qualquer um dos casos, o esquema semanal de sempre é retomado em seguida. O dia da aplicação semanal também pode ser alterado, se necessário, desde que o intervalo entre duas doses seja de pelo menos 3 dias (72 horas).

Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do médico. Se você deseja engravidar, o medicamento deve ser descontinuado pelo menos 1 mês antes da gravidez planejada, por causa da meia-vida longa da tirzepatida. No controle do peso, quando não há perda de pelo menos 5% do peso inicial em até 6 meses depois de alcançada a dose tolerada mais alta, cabe ao médico decidir sobre a continuidade do tratamento.

Efeitos adversos

Reações indesejáveis podem ocorrer com o uso de Tirzepatida. A seguir, os eventos adversos organizados por frequência:

Muito comuns

Náusea (enjoo), em todas as indicações estudadas; Diarreia, em todas as indicações estudadas; Vômito, nos estudos de controle crônico do peso, de apneia obstrutiva do sono e de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada; Constipação (prisão de ventre), nos mesmos estudos; Dor abdominal, nos estudos de apneia obstrutiva do sono e de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada; Hipoglicemia (açúcar no sangue mais baixo que o normal) em pessoas com diabetes tipo 2, quando o medicamento foi combinado com insulina basal, com ou sem metformina; Hipoglicemia em pessoas com diabetes tipo 2, quando o medicamento foi combinado com sulfonilureia, com ou sem metformina e/ou inibidor de SGLT2.

Os eventos do aparelho digestivo foram, na maioria, de gravidade leve ou moderada. A incidência de náusea, vômito e diarreia foi maior durante o período de aumento da dose e diminuiu com o tempo.

Comuns

Imunológico/Alérgico: reação de hipersensibilidade; Dermatológico: queda de cabelo; Cardiovascular: aumento da frequência cardíaca, hipotensão (queda da pressão arterial); Gastrointestinal: dispepsia (indigestão), distensão abdominal, eructação (arroto), flatulência (gases), doença do refluxo gastroesofágico (retorno do alimento do estômago para o esôfago), dor abdominal, vômito, constipação, doença aguda da vesícula biliar, colelitíase (pedras dentro da vesícula biliar), colecistite (inflamação da vesícula biliar), aumento das enzimas pancreáticas lipase e amilase; Neurológico: tontura; Metabólico/Endocrinológico: redução do apetite, hipoglicemia quando o medicamento foi combinado com metformina e inibidor de SGLT2, aumento da calcitonina (hormônio produzido pela tireoide) no sangue; Geral/Sistêmico: fadiga, reação no local da injeção.

A bula indica a que indicação cada reação se refere: dor abdominal, vômito, constipação, doença aguda da vesícula biliar, redução do apetite e aumento da frequência cardíaca aparecem como comuns nos estudos de diabetes tipo 2; tontura, queda de cabelo e hipotensão, nos estudos de controle do peso, de apneia obstrutiva do sono e de insuficiência cardíaca; colecistite, no estudo de insuficiência cardíaca. Sobre imunogenicidade, entre 45% e 65% dos pacientes tratados desenvolveram anticorpos contra o medicamento nos estudos de fase 3, sem impacto sobre a eficácia; entre quem desenvolveu esses anticorpos houve mais reações de hipersensibilidade e reações no local da injeção.

Incomuns

Cardiovascular: aumento da frequência cardíaca; Gastrointestinal: pancreatite aguda (inflamação do pâncreas), colelitíase (pedras dentro da vesícula biliar), colecistite (inflamação da vesícula biliar), aumento da enzima pancreática amilase; Neurológico: disgeusia (alteração no paladar); Metabólico/Endocrinológico: redução de peso, hipoglicemia quando o medicamento foi combinado apenas com metformina, aumento da calcitonina no sangue; Geral/Sistêmico: dor no local da injeção.

Relatadas após a comercialização

Incomum (entre 0,1% e 1%): disestesia (enfraquecimento ou alteração da sensibilidade); Rara (entre 0,01% e 0,1%): reação anafilática (reação alérgica grave generalizada) e angioedema (inchaço das camadas mais profundas da pele, geralmente na região dos olhos e da boca); Sem frequência estabelecida: neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION), condição rara que pode causar diminuição da visão e, em alguns casos, perda permanente da visão, relatada em pacientes tratados com medicamentos com atividade agonista do receptor de GLP-1.

Reações identificadas a partir de relatos espontâneos após a comercialização, e não nos estudos clínicos.

Esta lista não é exaustiva. Informe ao seu médico qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento.

O que fazer em caso de superdose

A bula não descreve sinais e sintomas específicos de superdose com a tirzepatida: ela orienta que o tratamento seja conduzido conforme os sinais e sintomas clínicos que o paciente apresentar. Por isso, qualquer sintoma que surja depois do uso de uma quantidade maior que a indicada deve ser relatado à equipe médica, sem esperar por um quadro característico.

Em caso de uso de grande quantidade deste medicamento, procure rapidamente socorro médico e leve a embalagem ou a bula do medicamento, se possível. O tratamento é de suporte, adequado aos sinais e sintomas apresentados. Pode ser necessário um período de observação e de tratamento desses sintomas mais longo do que o habitual, porque a meia-vida da tirzepatida é de aproximadamente 5 dias — ou seja, o medicamento permanece no organismo por vários dias após a aplicação.

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Interações medicamentosas

Informe seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.

MedicamentoEfeitoCondutaSeveridade
Insulina e secretagogos de insulina, como as sulfonilureiasO uso conjunto aumenta o risco de hipoglicemia (queda do açúcar no sangue).Informe ao médico se usa insulina ou sulfonilureia. Ao iniciar a tirzepatida, ele pode considerar a redução da dose desses medicamentos; a redução da insulina deve ser gradual. Nesses casos é necessário medir a glicemia em casa conforme a orientação médica.MODERADA
Medicamentos de uso oral em geralA tirzepatida retarda o esvaziamento do estômago e pode afetar a absorção de medicamentos orais tomados ao mesmo tempo, reduzindo a concentração máxima no sangue e atrasando o tempo até atingi-la. O efeito é mais pronunciado no início do tratamento e após cada aumento de dose.Deve-se ter cautela ao administrar medicamentos orais junto com a tirzepatida. Segundo a bula, não se espera necessidade de ajuste de dose para a maioria deles, mas o risco de efeito retardado deve ser considerado nos medicamentos em que o início rápido de ação é importante.MODERADA
Varfarina e digoxinaSão medicamentos orais que dependem de concentrações mínimas específicas no sangue para funcionar; o atraso do esvaziamento gástrico pode alterar essa absorção.Recomenda-se monitoramento desses pacientes, especialmente no início do tratamento com a tirzepatida e depois de cada aumento de dose.MODERADA
Contraceptivos orais combinadosUma dose única de tirzepatida reduziu a concentração máxima e a exposição total do etinilestradiol e do norgestimato/norelgestromina, com atraso no tempo até a concentração máxima. A bula considera essa redução sem relevância clínica em mulheres com IMC normal, mas registra que as informações são limitadas em mulheres com obesidade ou sobrepeso e que a redução da eficácia do anticoncepcional não pode ser descartada.Não é necessário ajuste de dose de contraceptivos orais em mulheres com IMC normal. Nas demais, recomenda-se trocar por um método contraceptivo não oral ou acrescentar um método de barreira, como o preservativo, ao iniciar o tratamento (por 4 semanas) e após cada aumento de dose (por 4 semanas). Contraceptivos hormonais que não são administrados por via oral não devem ser afetados.MODERADA
ParacetamolApós uma dose única de 5 mg de tirzepatida, a concentração máxima do paracetamol foi reduzida em 50% e o tempo até essa concentração atrasou em 1 hora. Depois de quatro doses semanais consecutivas, nenhum efeito sobre a concentração máxima ou sobre o tempo até atingi-la foi observado, e a exposição total nunca foi influenciada.Não é necessário ajuste de dose do paracetamol quando administrado com a tirzepatida. Vale lembrar, porém, a orientação geral da bula sobre medicamentos orais em que o início rápido de efeito é importante.MENOR
Metformina e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (iSGLT2), como dapagliflozina e empagliflozinaA bula não descreve risco no uso conjunto: quando a tirzepatida é acrescentada a um tratamento já em curso com esses medicamentos, a dose atual deles pode ser mantida.Manter as doses conforme a orientação médica. A combinação com metformina e iSGLT2 aparece entre as situações em que houve hipoglicemia, ainda que sem insulina ou sulfonilureia associadas.INFORMATIVA
Atorvastatina, lisinopril, metoprolol e sitagliptinaA bula do paciente registra que não se espera que o tratamento com tirzepatida tenha impacto significativo sobre esses medicamentos orais.Nenhuma conduta específica é descrita na bula. Mantém-se a orientação geral de cautela com medicamentos orais no início do tratamento e após aumentos de dose.INFORMATIVA

Uso em grupos especiais

Gravidez — categoria C

A bula classifica a tirzepatida na categoria C de risco na gravidez. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista. Não existem estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas. Em estudos de reprodução em animais, o medicamento causou redução do crescimento fetal e anormalidades fetais em exposições inferiores à dose humana máxima recomendada: houve aumento de malformações externas, viscerais e esqueléticas e de variações do desenvolvimento em ratos, e redução do crescimento fetal em ratos e coelhos — todos os efeitos ocorreram com doses tóxicas para a mãe. No diabetes tipo 2, o medicamento só deve ser administrado a gestantes se o benefício potencial justificar o risco potencial para o feto. No controle crônico do peso e na apneia obstrutiva do sono, não deve ser usado para redução de peso durante a gravidez. Se você deseja engravidar, o tratamento deve ser interrompido pelo menos 1 mês antes da gravidez planejada, por causa da meia-vida longa da tirzepatida.

Amamentação

Após uma dose única de 5 mg, a concentração de tirzepatida no leite materno foi considerada indetectável a muito baixa em comparação com as concentrações no sangue. Como a tirzepatida é uma sequência de aminoácidos, espera-se que qualquer quantidade baixa presente no leite seja degradada e, portanto, não seja absorvida pelo bebê como medicamento íntegro. O medicamento só deve ser administrado a mulheres que amamentam se o benefício potencial para a mãe justificar o risco potencial para o lactente. O uso deste medicamento no período da lactação depende da avaliação e do acompanhamento do médico ou do cirurgião-dentista, com uso criterioso no aleitamento ou na doação de leite humano.

Uso em crianças e adolescentes

A segurança e a eficácia da tirzepatida não foram estabelecidas em pacientes com menos de 10 anos de idade para o tratamento do diabetes tipo 2, nem em pacientes com menos de 18 anos para as demais indicações. Não há dados disponíveis para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 com peso corporal abaixo de 50 kg e IMC abaixo do percentil 85 no início do tratamento. Nessa faixa etária, a dose máxima é 10 mg por semana. As reações adversas em pacientes de 10 a menos de 18 anos com diabetes tipo 2 foram semelhantes às dos adultos, com exceção das frequências de vômito (muito comum), dor abdominal (muito comum) e hipoglicemia com metformina isolada (comum). Após treinamento na técnica de injeção subcutânea, um cuidador pode aplicar as injeções, ou o próprio paciente pode se autoaplicar se o médico considerar apropriado.

Uso em idosos

Nos estudos de diabetes tipo 2, 30,1% dos pacientes tratados tinham 65 anos ou mais e 4,1% tinham 75 anos ou mais; não foram detectadas diferenças gerais de segurança ou de eficácia em relação aos pacientes mais jovens, mas uma maior sensibilidade de alguns indivíduos mais velhos não pode ser descartada. Nos estudos de controle do peso, 9,0% tinham 65 anos ou mais e 0,5% tinham 75 anos ou mais, também sem diferenças gerais observadas. Os estudos de apneia obstrutiva do sono não incluíram um número suficiente de pacientes com 65 anos ou mais para determinar se eles respondem de maneira diferente. Os dados disponíveis em pessoas com 85 anos ou mais são muito limitados. A bula chama atenção para um ponto prático: os idosos podem ser mais suscetíveis às complicações da desidratação causada por náusea, vômito e diarreia, incluindo a piora da função dos rins.

Doença dos rins

A insuficiência renal não tem efeito clinicamente relevante sobre a farmacocinética da tirzepatida, e não é necessário ajustar a dose com base na função dos rins, incluindo a doença renal em estágio terminal. Ainda assim, a experiência de uso em pacientes com insuficiência renal grave, incluindo a doença renal em estágio terminal, é limitada — nesses casos o medicamento deve ser utilizado com cuidado.

Doença do fígado

A insuficiência hepática não tem efeito clinicamente relevante sobre a farmacocinética da tirzepatida, e não é necessário ajustar a dose com base na função do fígado. A experiência de uso em pacientes com insuficiência hepática grave é limitada e, nesses casos, o medicamento deve ser utilizado com cuidado.

Fertilidade

Estudos em animais não indicaram efeitos prejudiciais diretos da tirzepatida sobre a fertilidade. Nos estudos de toxicologia reprodutiva, em doses tóxicas para a mãe, o medicamento causou malformações, variações do desenvolvimento e redução do crescimento fetal.

Perguntas frequentes

Para que serve a tirzepatida?

A tirzepatida é indicada, segundo a bula, para três situações: melhorar o controle do açúcar no sangue no diabetes tipo 2, para o controle crônico do peso e para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.

No diabetes tipo 2, o uso é em conjunto com dieta e exercícios, em adultos e em pacientes a partir de 10 anos de idade. No controle do peso, a bula indica o medicamento para adultos com Índice de Massa Corpórea igual ou maior que 30 kg/m² (obesidade), ou igual ou maior que 27 kg/m² (sobrepeso) quando existe pelo menos uma doença relacionada ao peso — como pressão alta, colesterol alto, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou o próprio diabetes tipo 2 —, sempre junto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física.

A tirzepatida é aplicada sob a pele, uma vez por semana.

O que a tirzepatida faz no corpo?

A tirzepatida imita dois hormônios do intestino ao mesmo tempo, o GIP e o GLP-1 — a bula a descreve como um agonista de ação prolongada dos receptores de GIP e GLP-1. Essa ação dupla é o que a distingue dos medicamentos que agem apenas sobre o GLP-1.

No diabetes tipo 2, a bula descreve que ela aumenta a liberação de insulina, melhora a sensibilidade à insulina, reduz o glucagon (hormônio que aumenta o açúcar no sangue) e retarda o esvaziamento do estômago, o que diminui a velocidade de absorção da glicose depois da refeição.

No controle do peso e na apneia do sono, o caminho é outro: os receptores de GIP e GLP-1 estão em áreas do cérebro importantes para a regulação do apetite, e a bula descreve que a tirzepatida regula o apetite e reduz a ingestão de alimentos, o peso e a gordura corporal.

Mounjaro e tirzepatida são a mesma coisa?

Mounjaro é o nome comercial do medicamento cujo princípio ativo é a tirzepatida — são o mesmo medicamento chamado de dois jeitos: "Mounjaro" é a marca registrada da Eli Lilly, "tirzepatida" é a substância que produz o efeito.

A diferença entre os dois nomes tem uma consequência prática no Brasil: como a tirzepatida ainda está protegida por patente, não existe genérico nem similar aprovado, e todo medicamento com tirzepatida vendido legalmente aqui é Mounjaro.

Qual a diferença entre Ozempic e tirzepatida?

Ozempic e tirzepatida são medicamentos diferentes: o princípio ativo do Ozempic é a semaglutida, que age apenas sobre o receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida age sobre dois receptores ao mesmo tempo, o GIP e o GLP-1.

Os dois são aplicados por via subcutânea uma vez por semana e compartilham o mesmo perfil de efeitos gastrointestinais, mas as indicações aprovadas não são idênticas. A tirzepatida é vendida no Brasil apenas como Mounjaro, com indicação em diabetes tipo 2, controle crônico do peso e apneia obstrutiva do sono. A semaglutida tem mais de um produto registrado: Ozempic, aprovado para diabetes tipo 2, e Wegovy, aprovado para o tratamento da obesidade, são os mais conhecidos; há ainda o Rybelsus, que é semaglutida em comprimido, e outros dois injetáveis registrados na ANVISA, Extensior e Poviztra. Todos os cinco são do mesmo laboratório e estão registrados como produtos biológicos — nenhum deles é genérico da semaglutida.

Qual dos dois usar é decisão médica, e leva em conta a indicação, a tolerância aos efeitos e o restante do tratamento.

Qual é mais forte, tirzepatida ou semaglutida?

No estudo em que as duas foram comparadas diretamente, a tirzepatida superou a semaglutida na redução do açúcar no sangue e do peso em pessoas com diabetes tipo 2. É o SURPASS-2, descrito na bula: em 40 semanas, a hemoglobina glicada caiu 2,09, 2,37 e 2,46 pontos com tirzepatida de 5, 10 e 15 mg, contra 1,86 ponto com semaglutida de 1 mg; o peso caiu 7,8, 10,3 e 12,4 kg, contra 6,2 kg.

Duas ressalvas para ler esse resultado. A comparação foi feita com a semaglutida na dose de 1 mg, usada no diabetes, e não na dose de 2,4 mg usada no tratamento da obesidade. E "mais forte" não significa "melhor para você": a escolha do medicamento leva em conta tolerância aos efeitos, outras doenças e resposta individual.

Quem não tem diabetes pode tomar tirzepatida?

Sim, quem não tem diabetes pode usar tirzepatida quando há indicação de controle crônico do peso ou de apneia obstrutiva do sono — as duas indicações da bula que não dependem de diabetes. O critério para o controle do peso é o Índice de Massa Corpórea: 30 kg/m² ou mais, ou 27 kg/m² ou mais com pelo menos uma doença relacionada ao peso.

O próprio SURMOUNT-1, o maior estudo de perda de peso citado na bula, foi feito em adultos com obesidade ou sobrepeso e excluiu pessoas com diabetes tipo 2.

Isso não transforma a tirzepatida em medicamento de uso livre para emagrecer: ela continua sendo de prescrição com retenção de receita, e a bula condiciona a indicação à dieta de baixa caloria e ao aumento da atividade física.

A tirzepatida serve para apneia do sono?

A tirzepatida é indicada na bula para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade — é a mais recente das três indicações aprovadas.

Nos dois estudos citados (SURMOUNT-OSA 1, com pessoas que não usavam aparelho de pressão positiva, e SURMOUNT-OSA 2, com pessoas em uso do aparelho), a tirzepatida reduziu o índice de apneia-hipopneia em 25,3 e 29,3 eventos por hora em 52 semanas, contra 5,3 e 5,5 eventos com placebo. Atingiram remissão ou apneia leve sem sintomas 42,2% e 50,2% das pessoas tratadas, contra 15,9% e 14,3% no placebo.

Para essa indicação, a dose de manutenção recomendada é 10 mg ou 15 mg por semana.

Criança pode usar tirzepatida?

A bula autoriza o uso de tirzepatida a partir dos 10 anos de idade, e apenas para diabetes tipo 2 — para o controle do peso e para a apneia obstrutiva do sono, a segurança e a eficácia não foram estabelecidas abaixo dos 18 anos.

Nessa faixa, as doses de manutenção recomendadas são 5 mg e 10 mg, com máximo de 10 mg por semana. A bula acrescenta que o medicamento só foi estudado em crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 que pesavam 50 kg ou mais e apresentavam sobrepeso ou obesidade no início do tratamento.

As reações adversas nessa faixa foram semelhantes às dos adultos, com exceção de vômito e dor abdominal, que foram mais frequentes. A aplicação pode ser feita por um cuidador ou pelo próprio paciente, depois de treinamento na técnica e se o médico considerar apropriado.

Quantos kg se perde com tirzepatida?

No maior estudo de perda de peso citado na bula, adultos com obesidade ou sobrepeso e sem diabetes perderam em média 16,1 kg com a dose de 5 mg, 22,2 kg com 10 mg e 23,6 kg com 15 mg em 72 semanas, contra 2,4 kg no grupo placebo. Em percentual, isso corresponde a 16,0%, 21,4% e 22,5% do peso inicial — o peso médio no começo do estudo era de 104,8 kg.

Nesse mesmo estudo, de 89% a 96% das pessoas perderam ao menos 5% do peso, conforme a dose, e de 31,6% a 62,9% perderam 20% ou mais.

Em pessoas que também tinham diabetes tipo 2, a perda foi menor: 13,4% do peso com 10 mg e 15,7% com 15 mg, também em 72 semanas.

São médias de estudo, obtidas com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física — o resultado individual varia, e a bula prevê reavaliação médica de quem não perde ao menos 5% do peso em 6 meses.

Em quanto tempo a tirzepatida começa a fazer efeito?

A perda de peso com tirzepatida começa nas primeiras semanas e continua por mais de um ano: nos gráficos da bula, a curva de peso já cai a partir da quarta semana e só se estabiliza perto da semana 72. No diabetes, a bula descreve reduções significativas da glicemia de jejum a partir de 2 semanas de tratamento.

Um detalhe do calendário costuma passar despercebido: o tratamento não começa na dose de manutenção. A dose inicial é 2,5 mg por semana durante 4 semanas, depois 5 mg, e os aumentos seguintes são de 2,5 mg a cada 4 semanas no mínimo. Chegar a 15 mg leva, portanto, ao menos 20 semanas.

A bula também registra que o organismo atinge exposição estável ao medicamento após 4 semanas de aplicação semanal.

É possível perder 10 kg em um mês com tirzepatida?

Perder 10 kg em um mês não é o resultado esperado com tirzepatida, e menos ainda em 10 dias: nos estudos da bula, a perda média de 16 kg a 23 kg levou 72 semanas, com queda gradual ao longo de todo o período. No primeiro mês a dose ainda é de 2,5 mg por semana, o primeiro degrau do escalonamento.

Quedas muito rápidas no número da balança merecem atenção em vez de comemoração. A bula alerta que náusea, vômito e diarreia — as reações mais frequentes do medicamento — podem levar à desidratação e piorar a função dos rins, e registra relatos de desnutrição, alguns graves, com orientação de suporte nutricional ou suspensão do tratamento nos casos persistentes.

Se o ritmo da perda de peso estiver muito acima do descrito na bula, o assunto é de consulta médica, não de ajuste por conta própria da dose.

O Mounjaro causa efeito rebote?

O peso tende a voltar quando a tirzepatida é interrompida, e a bula mostra isso com número: no estudo SURMOUNT-4, quem trocou o medicamento por placebo depois de 36 semanas de tratamento recuperou 14,8% do peso corporal nas 52 semanas seguintes, enquanto quem continuou perdeu mais 6,7%.

Não é bem um "rebote" no sentido de o peso ficar maior do que era no início: o peso médio de quem parou continuou menor na semana 88 do que no começo do estudo. É a recuperação de parte do que foi perdido.

A diferença entre continuar e parar foi grande: 93,4% de quem seguiu no tratamento manteve pelo menos 80% da perda de peso, contra 13,5% de quem passou ao placebo.

Tem que tomar tirzepatida para sempre?

A bula da tirzepatida não fixa um tempo de tratamento, mas trata a continuidade como uma decisão médica reavaliada periodicamente. No controle do peso, ela estabelece um marco: se a pessoa não conseguir perder pelo menos 5% do peso corporal inicial em até 6 meses depois de chegar à maior dose tolerada, o médico avalia se o tratamento deve continuar.

Do outro lado da conta estão os dados do SURMOUNT-4, que mostram recuperação de peso quando o medicamento é suspenso — o que explica por que muitos tratamentos são mantidos por tempo prolongado.

A bula é direta quanto à decisão de parar: "Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do seu médico".

A tirzepatida faz perder músculo?

A perda de peso com tirzepatida atinge mais a gordura do que a massa magra, segundo o subestudo de composição corporal descrito na bula: a avaliação por densitometria (DEXA) no SURMOUNT-1 mostrou redução maior da massa gorda do que da massa corporal magra em 72 semanas, acompanhada de redução da gordura visceral.

Isso não significa que a massa magra fique intacta — significa que a maior parte do peso perdido veio do tecido adiposo.

A bula registra também relatos de desnutrição, incluindo casos graves, com riscos que incluem deficiência de vitaminas, minerais e proteínas. A orientação é informar o médico diante desses sinais; suporte nutricional deve ser considerado, e em casos graves ou persistentes a descontinuação do tratamento.

Qual a dose de tirzepatida?

A dose inicial de tirzepatida é 2,5 mg uma vez por semana e, após 4 semanas, sobe para 5 mg por semana — vale para as três indicações da bula. A partir daí, os aumentos são de 2,5 mg de cada vez, respeitando o mínimo de 4 semanas na dose atual.

As doses de manutenção recomendadas para adultos são 5 mg, 10 mg e 15 mg por semana. Na apneia obstrutiva do sono, a manutenção recomendada é 10 mg ou 15 mg. Em pacientes de 10 anos ou mais com diabetes tipo 2, são 5 mg e 10 mg.

A bula orienta considerar a resposta ao tratamento e a tolerância na escolha da dose de manutenção: quem não tolera uma dose pode ficar numa dose menor. Não é necessário ajuste por idade, sexo, raça, etnia, peso corporal ou insuficiência do fígado ou dos rins.

Qual a dose máxima de tirzepatida por semana?

A dose máxima de tirzepatida é 15 mg uma vez por semana para adultos, nas três indicações da bula — diabetes tipo 2, controle crônico do peso e apneia obstrutiva do sono. Para pacientes de 10 a 17 anos com diabetes tipo 2, o máximo é 10 mg por semana.

A substância existe em seis concentrações (2,5, 5, 7,5, 10, 12,5 e 15 mg em 0,5 mL), e a subida entre elas é de 2,5 mg por vez, com pelo menos 4 semanas em cada dose. Subir mais rápido ou aplicar mais de uma dose na mesma semana não está previsto na bula.

Em caso de aplicação de quantidade maior do que a indicada, a bula orienta procurar socorro médico rapidamente, levando a embalagem ou a bula, e ligar para 0800 722 6001. Não há antídoto: o tratamento é de suporte, com período de observação que leva em conta a meia-vida de cerca de 5 dias.

Onde aplicar a tirzepatida?

A tirzepatida é aplicada sob a pele (via subcutânea) no abdome ou na coxa; a parte de trás do braço só deve ser usada quando outra pessoa aplica a injeção. A bula orienta alternar o local a cada dose — é possível usar a mesma região do corpo, desde que em um ponto diferente dela.

A aplicação pode ser feita em qualquer horário do dia, com ou sem alimentação.

Quando a pessoa também usa insulina, as duas injeções devem ser separadas, nunca misturadas, e aplicadas em locais diferentes. A caneta é de uso único e, depois da aplicação, vai para um recipiente de material perfurocortante — nunca para o lixo comum.

Posso mudar o dia da aplicação da tirzepatida?

O dia da aplicação semanal da tirzepatida pode ser mudado, desde que o intervalo entre as duas doses seja de pelo menos 3 dias (72 horas) — é o que autoriza a bula. O horário dentro do dia é livre e não depende das refeições.

Na prática, isso permite acomodar viagens e compromissos sem interromper o tratamento: basta antecipar ou adiar a dose respeitando esse intervalo mínimo e, depois, seguir no novo dia da semana.

Esqueci de aplicar a tirzepatida, o que faço?

Se você esquecer uma dose de tirzepatida, ela deve ser aplicada assim que possível dentro de 4 dias (96 horas) do esquecimento, segundo a bula. Passados mais de 4 dias, a dose esquecida não deve ser aplicada: pule essa dose e aplique a próxima no dia habitual.

A bula não prevê aplicar duas doses para compensar o esquecimento. Nos dois casos, o cronograma semanal de sempre é retomado em seguida.

Em caso de dúvida, a orientação da bula é procurar o farmacêutico ou o médico.

A tirzepatida precisa ficar na geladeira?

A tirzepatida deve ser guardada na geladeira, entre 2 °C e 8 °C, dentro da embalagem original para proteger da luz, e não pode ser congelada. A bula permite manter o medicamento fora da refrigeração, em temperatura abaixo de 30 °C, por até 21 dias no total — é o que viabiliza viagens.

Se a caneta congelar, ela deve ser descartada e substituída por uma nova. A caneta tem partes de vidro: se cair sobre uma superfície dura, a bula orienta não utilizá-la.

Antes de aplicar, vale conferir o aspecto: a solução é transparente e incolor a levemente amarelada, sem partículas. Não é necessário esperar a caneta chegar à temperatura ambiente.

Quais são os efeitos colaterais da tirzepatida?

Os efeitos colaterais mais frequentes da tirzepatida são gastrointestinais: náusea e diarreia aparecem como reações muito comuns (mais de 10% das pessoas) em todos os estudos da bula, e vômito, constipação e dor abdominal também são muito comuns nos estudos de controle do peso e de apneia do sono.

Entre as reações comuns (1% a 10%) estão indigestão, distensão abdominal, arrotos, gases, refluxo, fadiga, reação no local da injeção, reação de hipersensibilidade e aumento da enzima lipase. Conforme a indicação, aparecem ainda tontura, queda de cabelo, queda da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, doença aguda da vesícula biliar, pedras na vesícula e redução do apetite.

Entre as incomuns (0,1% a 1%) estão a pancreatite aguda e a alteração do paladar. Depois da comercialização foram relatadas disestesia (incomum) e reação anafilática e angioedema (raras).

A bula registra que os eventos gastrointestinais foram na maioria de gravidade leve ou moderada e mais frequentes no período de aumento de dose, diminuindo com o tempo.

A tirzepatida dá muito enjoo?

A náusea é a reação adversa mais comum da tirzepatida e tende a diminuir ao longo do tratamento: a bula registra que a incidência de náusea, vômito e diarreia foi maior durante o período de aumento de dose e caiu com o tempo, com quadros na maioria leves ou moderados.

A orientação da bula diante desses sintomas é aumentar a ingestão de líquidos, porque eles podem levar à desidratação e piorar a função dos rins, e conversar com o médico.

Quando os sintomas não passam, existe uma saída prevista na própria bula: se a pessoa não tolera a dose de manutenção, o médico pode considerar uma dose menor. Reduzir ou interromper por conta própria não é a conduta indicada.

A tirzepatida causa queda de cabelo?

A queda de cabelo consta na bula da tirzepatida como reação comum, ou seja, em 1% a 10% das pessoas, nos estudos de controle crônico do peso, de apneia obstrutiva do sono e de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. Ela não aparece na lista dos estudos de diabetes tipo 2.

A bula não descreve a causa nem prevê conduta específica para esse efeito. Se a queda for importante ou persistente, é assunto de avaliação médica, que pode investigar também deficiências nutricionais — a bula registra relatos de desnutrição associados ao tratamento.

A tirzepatida faz mal ao pâncreas?

A pancreatite aguda aparece na bula da tirzepatida como reação incomum, o que significa entre 0,1% e 1% das pessoas tratadas. O medicamento não foi estudado em quem tem histórico de inflamação no pâncreas e, nesses casos, deve ser usado com cautela.

Em fevereiro de 2026 a ANVISA emitiu um alerta de farmacovigilância sobre esse risco na classe dos agonistas de GLP-1, que inclui a tirzepatida, citando inclusive formas necrotizantes e fatais. Entre 2020 e dezembro de 2025, a agência registrou no Brasil 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito, associadas ao uso indevido desses medicamentos.

O sinal de alerta a conhecer é a dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos — diante dela, a orientação é procurar atendimento médico imediato. A bula acrescenta que, havendo suspeita de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido, e que, confirmado o diagnóstico, a tirzepatida não deve ser reiniciada.

A bula registra ainda que o tratamento eleva as enzimas amilase e lipase e que, na ausência de outros sinais e sintomas, essa elevação isolada não é preditiva de pancreatite aguda.

A tirzepatida causa câncer de tireoide?

Não se sabe se a tirzepatida causa tumores de células C da tireoide em seres humanos — é exatamente assim que a bula coloca a questão. O que se sabe vem dos estudos com animais: em ratos machos e fêmeas, um estudo de 2 anos mostrou aumento de tumores de células C da tireoide (adenomas e carcinomas) dependente da dose e da duração do tratamento. Em camundongos transgênicos, um estudo de 6 meses não mostrou esse aumento.

Por causa disso, a tirzepatida é contraindicada para quem tem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2). A bula orienta informar o médico se você tem nódulos na tireoide e conhecer os sinais de alerta: caroço no pescoço, dificuldade para engolir, falta de ar e rouquidão persistente.

Dosar calcitonina no sangue ou fazer ultrassom de tireoide de rotina tem valor incerto para detecção precoce, segundo a bula, e pode levar a procedimentos desnecessários.

A tirzepatida causa pedra na vesícula?

Pedras na vesícula (colelitíase) e inflamação da vesícula (colecistite) foram relatadas nos estudos com tirzepatida e constam na bula, com frequência que varia de comum a incomum conforme a indicação. Nos estudos controlados por placebo, a doença aguda da vesícula biliar foi relatada por 0,6% das pessoas tratadas com tirzepatida e por nenhuma das tratadas com placebo.

A bula orienta informar o médico se você tem alguma doença da vesícula biliar. Havendo suspeita de colelitíase, são indicados exames de diagnóstico da vesícula e acompanhamento clínico adequado.

A bula registra que esses eventos foram relatados também com outros medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, em estudos e após a comercialização.

A tirzepatida pode baixar demais o açúcar no sangue?

A hipoglicemia com tirzepatida é um risco ligado principalmente à combinação com outros medicamentos, e não ao uso isolado: a bula descreve risco aumentado em quem usa o medicamento junto com insulina ou com um secretagogo, como as sulfonilureias (glibenclamida, glimepirida). Nessas combinações, a hipoglicemia aparece como reação muito comum.

A conduta prevista na bula é ajustar a dose desses outros medicamentos — o médico pode reduzir a sulfonilureia ou a insulina, com redução gradual no caso da insulina — e fazer automonitorização da glicemia.

É por causa desse risco que a bula orienta evitar dirigir ou operar máquinas diante de qualquer sinal de hipoglicemia.

A tirzepatida pode causar depressão ou pensamentos suicidas?

A bula da tirzepatida traz um alerta específico sobre ideação suicida: comportamento e pensamento suicida foram relatados com o uso de produtos que induzem perda de peso.

A orientação é falar imediatamente com o médico em três situações — se você tem histórico de tentativa de suicídio, se surgir ou piorar um quadro de depressão, ou diante de pensamentos e comportamentos suicidas e de mudanças incomuns de humor ou de comportamento. Cabe ao médico avaliar se o tratamento pode ser iniciado ou continuado.

Se você está em sofrimento agora, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188, gratuitamente.

A tirzepatida pode afetar a visão?

A bula da tirzepatida registra dois pontos sobre os olhos. O primeiro, nos dados pós-comercialização: casos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION), uma condição rara que pode causar diminuição da visão e, em alguns casos, perda permanente, foram relatados em pacientes tratados com medicamentos com atividade agonista do receptor de GLP-1.

O segundo diz respeito a quem tem diabetes: a melhora rápida do controle do açúcar no sangue pode estar associada a uma piora temporária da retinopatia diabética. A bula orienta informar o médico se você tem retinopatia diabética, para que a condição ocular seja acompanhada durante o tratamento.

Qualquer alteração de visão durante o tratamento deve ser comunicada ao médico.

Quem não pode tomar tirzepatida?

A tirzepatida é contraindicada em duas situações, segundo a bula: alergia grave conhecida à tirzepatida ou a qualquer componente da fórmula, e histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2).

Além das contraindicações formais, a bula lista situações que exigem cautela ou em que o medicamento não é recomendado: doença gastrointestinal grave, incluindo gastroparesia grave (não recomendado), histórico de pancreatite (cautela), insuficiência hepática ou renal grave (experiência limitada), retinopatia diabética, doença da vesícula biliar, histórico de angioedema ou anafilaxia com outro agonista de GLP-1 e histórico de tentativa de suicídio ou depressão.

Na gravidez, o medicamento não deve ser usado para redução de peso nem para apneia do sono, e no diabetes tipo 2 só se o benefício para a mãe justificar o risco para o bebê.

Grávida pode tomar tirzepatida?

A tirzepatida é classificada como categoria C de risco na gravidez e não deve ser utilizada por mulheres grávidas sem orientação médica, segundo a bula. Para o controle crônico do peso e para a apneia obstrutiva do sono, a orientação é direta: o medicamento não deve ser usado para redução de peso durante a gravidez. No diabetes tipo 2, só deve ser administrado a gestantes se o benefício potencial para a mãe justificar o risco para o bebê.

Quem planeja engravidar deve interromper a tirzepatida pelo menos 1 mês antes da gravidez planejada, por causa da meia-vida longa da substância.

Em estudos de reprodução com animais, a tirzepatida causou redução do crescimento fetal e anormalidades fetais, todas em doses tóxicas para a mãe. Não existem estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas.

Quem está amamentando pode usar tirzepatida?

A tirzepatida só deve ser usada por quem amamenta se o benefício potencial para a mãe justificar o risco potencial para o bebê — é a formulação da bula, que classifica o uso na lactação como criterioso e dependente de avaliação e acompanhamento médico.

O que os dados mostram: depois de uma dose única de 5 mg, a concentração de tirzepatida no leite materno foi considerada indetectável a muito baixa em comparação com o sangue. Como a substância é uma sequência de aminoácidos, espera-se que qualquer quantidade presente no leite seja degradada e não absorvida pelo bebê.

A bula acrescenta a orientação de uso criterioso também na doação de leite humano.

A tirzepatida corta o efeito do anticoncepcional?

A tirzepatida pode reduzir a eficácia do anticoncepcional oral em mulheres com obesidade ou sobrepeso, e a bula recomenda proteção adicional nesses casos: trocar por um método não oral ou acrescentar um método de barreira, como o preservativo, durante as 4 primeiras semanas de tratamento e por 4 semanas após cada aumento de dose.

Em mulheres com Índice de Massa Corpórea normal, a bula diz que não é necessário ajuste do anticoncepcional. Os estudos mostraram queda de 59% na concentração máxima do etinilestradiol e de 20% na exposição total após uma dose única de tirzepatida, redução que a bula não considera clinicamente relevante nesse grupo.

Anticoncepcionais hormonais que não são tomados pela boca — injetável, implante, adesivo ou DIU hormonal — não devem ser afetados.

Pode dirigir tomando tirzepatida?

A bula da tirzepatida não proíbe dirigir, mas faz uma ressalva importante: quem usa o medicamento junto com uma sulfonilureia ou com insulina pode ter hipoglicemia, o que reduz a capacidade de concentração. Nessa situação, a orientação é conversar com o médico sobre precauções e evitar dirigir ou operar máquinas diante de qualquer sinal de hipoglicemia.

Nenhum estudo específico sobre a capacidade de dirigir e operar máquinas foi realizado com a tirzepatida, segundo a bula.

Vale considerar ainda que tontura aparece como reação comum nos estudos de controle do peso, de apneia do sono e de insuficiência cardíaca, e que a queda da pressão arterial também é listada como reação comum nesses grupos.

Idoso pode tomar tirzepatida?

Idosos podem usar tirzepatida e não precisam de ajuste de dose por causa da idade, segundo a bula, que traz números de participação nos estudos: no conjunto de sete estudos de diabetes tipo 2, 30,1% das pessoas tratadas tinham 65 anos ou mais e 4,1% tinham 75 anos ou mais, sem diferenças gerais de segurança ou eficácia em relação aos mais jovens.

Duas ressalvas ficam registradas na bula. A primeira é que uma maior sensibilidade de alguns indivíduos mais velhos não pode ser descartada. A segunda é prática: idosos podem ser mais suscetíveis às complicações da desidratação causada por náusea, vômito e diarreia, e a bula orienta monitorar a função dos rins de quem relata essas reações.

Os dados disponíveis em pessoas com 85 anos ou mais são muito limitados.

Pode beber álcool tomando tirzepatida?

A bula da tirzepatida não menciona bebida alcoólica — não há proibição nem liberação expressa no texto aprovado pela ANVISA.

A ausência de menção não significa que a combinação seja indiferente. As reações mais frequentes do medicamento são náusea, vômito e diarreia, e a bula alerta que esses eventos podem levar à desidratação e piorar a função dos rins. Quem também usa insulina ou sulfonilureia já tem risco aumentado de hipoglicemia.

Como a bula não responde, a pergunta é para o médico que acompanha o seu caso e conhece o restante do seu tratamento.

Preciso avisar que uso tirzepatida antes de uma cirurgia?

Avise o médico sobre o uso de tirzepatida antes de qualquer procedimento com anestesia geral ou sedação profunda — a bula traz esse alerta de forma explícita e pede que a informação seja dada imediatamente.

O motivo é que a tirzepatida retarda o esvaziamento do estômago, e foi relatada aspiração pulmonar (broncoaspiração) em pacientes que usavam medicamentos dessa classe e foram submetidos a esses procedimentos. Isso vale para cirurgias e também para exames feitos sob sedação profunda.

O mesmo cuidado se aplica ao dentista: a bula orienta informar ao médico ou cirurgião-dentista o uso de qualquer medicamento.

Quem tem problema nos rins ou no fígado pode usar tirzepatida?

Não é necessário ajustar a dose de tirzepatida por causa de insuficiência renal ou hepática, segundo a bula — inclusive em doença renal em estágio terminal. A ressalva é que a experiência de uso em insuficiência hepática grave ou renal grave é limitada e, nesses casos, o medicamento deve ser utilizado com cuidado.

Existe um risco indireto que merece atenção: náusea, vômito e diarreia podem levar à desidratação e causar deterioração da função renal, incluindo insuficiência renal aguda. A bula orienta monitorar a função dos rins de quem relata essas reações, com atenção especial aos idosos.

A tirzepatida é eliminada por metabolização, com excreção dos metabólitos pela urina e pelas fezes.

Pode tomar tirzepatida junto com metformina ou insulina?

A tirzepatida pode ser usada junto com metformina, com inibidores de SGLT2 (como dapagliflozina e empagliflozina), com sulfonilureias e com insulina — a bula descreve todas essas combinações, que foram estudadas nos ensaios clínicos.

Com metformina e com inibidores de SGLT2, a dose atual desses medicamentos pode ser mantida. Com sulfonilureia ou insulina, o médico pode considerar reduzir a dose para diminuir o risco de hipoglicemia, com redução gradual no caso da insulina e automonitorização da glicemia.

Quando a insulina também é usada, a bula é específica quanto à aplicação: as injeções devem ser separadas, nunca misturadas, e feitas em locais diferentes.

A tirzepatida atrapalha a absorção de outros remédios?

A tirzepatida retarda o esvaziamento do estômago e, por isso, pode afetar a absorção de medicamentos tomados pela boca, segundo a bula — efeito mais pronunciado no início do tratamento e depois de cada aumento de dose.

Na maior parte dos casos não é preciso ajustar dose. A bula recomenda monitoramento para medicamentos que dependem de uma quantidade mínima no sangue para funcionar ou que têm margem estreita entre a dose eficaz e a tóxica, citando a varfarina e a digoxina como exemplos. Também deve ser considerado o atraso do efeito de medicamentos orais cuja ação rápida importa.

A bula registra que não se espera impacto significativo sobre atorvastatina, digoxina, etinilestradiol, lisinopril, metformina, metoprolol, norelgestromina, paracetamol, sitagliptina e varfarina, e que com o paracetamol não é necessário ajuste de dose.

Quanto tempo a tirzepatida fica no organismo?

A tirzepatida tem meia-vida de eliminação de aproximadamente 5 dias, segundo a bula — é o que permite a aplicação uma vez por semana. Como referência prática de quanto tempo a substância ainda circula depois da última dose, a própria bula orienta interromper o medicamento pelo menos 1 mês antes de uma gravidez planejada, justamente por causa dessa meia-vida longa.

A bula acrescenta que a concentração máxima é alcançada entre 8 e 72 horas após a aplicação e que a exposição estável no organismo é atingida após 4 semanas de uso semanal.

A eliminação acontece por metabolização, e as vias de excreção dos metabólitos são a urina e as fezes. A tirzepatida intacta não é encontrada em nenhuma das duas.

A tirzepatida vicia?

A tirzepatida não causa dependência: a bula não descreve dependência, tolerância nem síndrome de abstinência em nenhuma de suas advertências ou reações adversas.

A exigência de reter a receita na farmácia costuma ser confundida com isso. No caso dos análogos de GLP-1, a retenção vem da Instrução Normativa 360/2025 da ANVISA, que aplica a esses medicamentos o mesmo modelo usado para os antimicrobianos: receita comum em duas vias, com uma delas retida na dispensação. É controle de venda, não classificação de substância que cause dependência — as substâncias que causam dependência exigem notificação de receita, um documento diferente.

O que costuma acontecer ao interromper o tratamento é outra coisa: o retorno do apetite e a recuperação de parte do peso perdido, como mostra o estudo SURMOUNT-4 descrito na bula.

Posso comprar tirzepatida sem receita médica?

Não é possível comprar tirzepatida sem receita médica: a bula traz nos dizeres legais a expressão "VENDA SOB PRESCRIÇÃO - COM RETENÇÃO DA RECEITA", o que significa que a farmácia fica com uma via do documento no momento da venda.

A regra vem da Instrução Normativa 360/2025 da ANVISA, em vigor desde 24 de junho de 2025, que passou a exigir receita em duas vias e retenção de uma delas para os análogos de GLP-1 — semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida, isoladas ou em combinação. A receita vale por 90 dias contados da data de emissão.

É o mesmo modelo de controle já aplicado aos antibióticos.

Qual médico pode dar receita de tirzepatida?

Qualquer médico com registro ativo no conselho pode prescrever tirzepatida — a norma da ANVISA que exige a retenção da receita não restringe a especialidade de quem prescreve. Na prática, a prescrição costuma partir de endocrinologistas, nutrólogos, clínicos gerais e médicos de família, conforme o motivo do tratamento.

O que a norma define é o formato: receita em duas vias, uma delas retida pela farmácia, com validade de 90 dias a partir da emissão.

A avaliação médica anterior à receita não é formalidade: a bula condiciona o uso a critérios de indicação, exclui pessoas com determinadas condições de tireoide e exige revisão das doses de insulina e de sulfonilureia quando elas já fazem parte do tratamento.

A tirzepatida tem genérico?

A tirzepatida não tem genérico nem similar no Brasil: existe um único registro ativo na ANVISA com essa substância, o do Mounjaro (registro 1.1260.0202, da Eli Lilly), e é dele que saem todas as apresentações listadas na tabela da CMED.

Por isso, "tirzepatida" oferecida fora de farmácias, por redes sociais ou aplicativos de mensagem, e versões trazidas por conta própria de outros países não são versões mais baratas do mesmo medicamento: são produtos sem registro, sem bula aprovada em português e sem rastreabilidade.

O risco não é teórico. Em março de 2026 a ANVISA determinou a apreensão de tirzepatida manipulada por uma empresa que não tinha autorização de funcionamento, com falhas de esterilidade e prevenção de contaminação cruzada no processo de fabricação, e proibiu a comercialização, a distribuição, a importação, a manipulação e a propaganda do produto.

Qual é o preço da tirzepatida?

O preço da tirzepatida varia conforme a dose e a farmácia, e o BulaCerta não publica valores — não vendemos nem intermediamos a venda de medicamentos.

O que dá para explicar é o que forma a conta: a apresentação descrita na bula traz 4 canetas, o equivalente a um mês de tratamento, e a substância existe em seis concentrações (2,5, 5, 7,5, 10, 12,5 e 15 mg em 0,5 mL), com preços diferentes entre si — quem está numa dose maior gasta mais por mês.

O valor máximo que pode ser cobrado do consumidor é definido pela CMED, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, e publicado pela ANVISA. Farmácias podem vender abaixo desse teto, e é isso que faz o preço variar de um estabelecimento para outro.

A tirzepatida não é fornecida pelo SUS, e não existe genérico que a torne mais barata.

O SUS fornece tirzepatida de graça?

A tirzepatida não é fornecida pelo SUS, nem para diabetes tipo 2, nem para obesidade ou apneia do sono. Nenhum medicamento para tratamento da obesidade foi incorporado ao SUS até agora: a liraglutida teve a não incorporação decidida pelo Ministério da Saúde em setembro de 2025, e a semaglutida também não foi recomendada pela Conitec, a comissão que avalia a entrada de tecnologias no sistema público.

O relatório da Conitec é explícito ao registrar que, para obesidade ou sobrepeso, não há alternativas farmacológicas no SUS. O que o sistema público oferece nesses casos é acompanhamento na atenção primária e, nos quadros graves e dentro de critérios definidos, a cirurgia bariátrica.

No diabetes tipo 2 a situação é outra: o programa Farmácia Popular oferece gratuitamente metformina, glibenclamida, dapagliflozina e as insulinas humana regular e NPH.

O que é o "Ozempic de pobre"?

"Ozempic de pobre" não é um medicamento: é um rótulo de marketing que circula na internet para vender produtos variados — de suplementos e fibras a fórmulas manipuladas — como se substituíssem um análogo de GLP-1.

Nenhum deles substitui. A tirzepatida e a semaglutida têm registro na ANVISA, bula aprovada e estudos clínicos que mediram perda de peso, controle glicêmico e efeitos adversos em milhares de pessoas; produtos vendidos sob esse apelido não têm nada disso.

A parte mais perigosa do fenômeno são as versões manipuladas e importadas irregularmente, vendidas mais barato. A ANVISA vem agindo contra elas: só em 2026 foram publicadas medidas de proibição envolvendo produtos irregulares com agonistas de GLP-1, incluindo a apreensão de tirzepatida manipulada por empresa sem autorização de funcionamento e com falhas de esterilidade.

A agência também alertou, em 2026, para o risco de pancreatite aguda associada ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas em bula.

Existe tirzepatida em comprimido?

A tirzepatida não existe em comprimido: a única forma de uso é a injeção subcutânea semanal.

Em comprimido, o que existe é a semaglutida oral, registrada na ANVISA e vendida como Rybelsus, com apresentações de 3, 7 e 14 mg na tabela da CMED. A indicação aprovada é a melhora do controle glicêmico no diabetes tipo 2, junto com dieta e exercício — não a perda de peso, para a qual o uso ficaria fora da bula.

Comprimido e injeção não são intercambiáveis: são substâncias diferentes, em doses e indicações aprovadas diferentes. Trocar um medicamento por outro é decisão do médico, não uma equivalência que se possa presumir.

Referências

  1. Bula do profissional — Mounjaro (tirzepatida), solução injetável em caneta aplicadora 2,5 mg/0,5 mL, 5 mg/0,5 mL, 7,5 mg/0,5 mL, 10 mg/0,5 mL, 12,5 mg/0,5 mL e 15 mg/0,5 mL. Eli Lilly do Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.1260.0202. Versão VV-REG-385616 v8.0 (VPS, CDS12FEV26); última alteração de texto aprovada em 22/04/2026 e notificada no Bulário em 13/05/2026 (expediente 0464695/26-1).
  2. Bula do paciente — Mounjaro (tirzepatida), solução injetável em caneta aplicadora 2,5 mg/0,5 mL, 5 mg/0,5 mL, 7,5 mg/0,5 mL, 10 mg/0,5 mL, 12,5 mg/0,5 mL e 15 mg/0,5 mL. Eli Lilly do Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.1260.0202. Versão VV-REG-385617 v8.0 (VP, CDS12FEV26); última alteração de texto aprovada em 22/04/2026 e notificada no Bulário em 13/05/2026 (expediente 0464695/26-1).
  3. Instruções de Uso — Mounjaro (tirzepatida), caneta aplicadora de uso único. Eli Lilly do Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.1260.0202. Versão CDL28JUN23, anexa às bulas VV-REG-385616 v8.0 e VV-REG-385617 v8.0.
  4. Anvisa/CMED — Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos: listas de preços de medicamentos.
  5. Instrução Normativa Anvisa nº 360, de 23 de abril de 2025 — retenção de receita para medicamentos análogos de GLP-1; em vigor desde 23/06/2025.
  6. Anvisa. Perguntas e respostas sobre a dispensação de medicamentos análogos de GLP-1. Publicação técnica, junho de 2025.
  7. Anvisa. Alerta 02/2026 de Farmacovigilância — pancreatite aguda associada ao uso de agonistas de GLP-1, 09/02/2026.
  8. Anvisa. Resolução-RE nº 939, de 13 de março de 2026 — apreensão de tirzepatida produzida irregularmente.
  9. Anvisa. Nota técnica sobre as regras para manipulação de canetas de análogos de GLP-1, 2025.
  10. Ministério da Saúde. Portaria SECTICS/MS nº 67, de 15 de setembro de 2025.
  11. Conitec. Relatório para a Sociedade nº 553 — semaglutida para o tratamento da obesidade, 2025.
  12. Ministério da Saúde — Diabetes: tratamento (página institucional do portal gov.br).
  13. Ministério da Saúde — Programa Farmácia Popular: gratuidade dos medicamentos, 2025.
  14. U.S. Food and Drug Administration. Prescribing information — Ozempic e Wegovy (semaglutide); Clinical Review NDA 215256/S-005 (Wegovy).
  15. Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al.; STEP 1 Study Group. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. N Engl J Med. 2021;384(11):989-1002. PMID 33567185.
  16. U.S. Food and Drug Administration. Rybelsus (semaglutide) tablets — prescribing information, 2024.

Revisão médica: Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 25 de agosto de 2026

Genéricos, similares e referências disponíveis no Brasil

Nome comercialLaboratórioTipo
MounjaroEli Lilly do Brasil Ltda.Novo