Indicações
O que é Sertralina
A sertralina é um antidepressivo da classe dos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina), usado no tratamento da depressão e de diversos transtornos de ansiedade. Age sobre a serotonina — substância envolvida na regulação do humor, do sono, do apetite e da resposta ao estresse — aumentando sua disponibilidade no cérebro.
Como funciona Sertralina
A sertralina bloqueia de forma seletiva a recaptação da serotonina nos neurônios, potencializando a ação desse neurotransmissor. Tem efeito muito fraco sobre a recaptação de dopamina e norepinefrina e não possui atividade significativa sobre receptores colinérgicos, serotoninérgicos, dopaminérgicos, adrenérgicos, histaminérgicos, GABA ou benzodiazepínicos. Por essa seletividade, tende a causar menos sedação, boca seca e efeitos cardiovasculares do que antidepressivos mais antigos.
Para que serve Sertralina
Seguem as indicações de Sertralina:
- Depressão (transtorno depressivo maior), incluindo depressão acompanhada por sintomas de ansiedade, com ou sem história de mania
- Prevenção de recaída e recorrência de episódios depressivos após resposta satisfatória
- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em adultos
- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em pacientes pediátricos a partir de 6 anos de idade
- Transtorno do pânico, acompanhado ou não de agorafobia
- Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT)
- Fobia social (transtorno de ansiedade social)
- Sintomas da síndrome da tensão pré-menstrual (STPM) e/ou transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)
Quando começa a fazer efeito
Os primeiros efeitos terapêuticos podem aparecer em cerca de 7 dias, mas a resposta clínica plena geralmente exige algumas semanas de tratamento — especialmente no transtorno obsessivo-compulsivo, em que o tempo até melhora costuma ser maior.
Contraindicações
- Hipersensibilidade conhecida à sertralina ou a outros componentes da fórmula.
- Uso concomitante com inibidores da monoaminoxidase (IMAO), como selegilina, tranilcipromina, isocarboxazida, fenelzina, moclobemida, linezolida e azul de metileno, ou dentro de 14 dias após a descontinuação do tratamento com IMAO. A sertralina deve ser descontinuada pelo menos 7 dias antes do início de um IMAO irreversível.
- Uso concomitante com pimozida.
- Gravidez: medicamento classificado na categoria C de risco. Não deve ser utilizado por gestantes sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.
Antes de usar
Informe seu médico antes de começar
Antes de iniciar, informe ao seu médico:
- Todos os medicamentos que você usa, incluindo fitoterápicos como a erva-de-São-João — o risco de interações é alto.
- Se você já usou antidepressivos da classe IMAO (inibidores da monoaminoxidase) como selegilina, tranilcipromina, isocarboxazida, fenelzina, moclobemida, linezolida ou azul de metileno, ou ainda está dentro do intervalo de 14 dias após a interrupção desses medicamentos.
- Se você tem ou já teve doenças do coração, ritmo cardíaco anormal, síndrome do QT longo ou histórico familiar de morte súbita.
- Se você tem níveis baixos de potássio ou magnésio no sangue.
- Se você tem doença do fígado — a dose pode precisar de ajuste ou o medicamento pode não ser recomendado.
- Se você tem epilepsia, histórico de convulsões, glaucoma ou histórico de glaucoma de ângulo fechado.
- Se você tem diabetes — o controle da glicemia pode se alterar no início do tratamento.
- Se você tem histórico de transtorno bipolar, mania ou hipomania.
- Se você está grávida, planeja engravidar ou está amamentando.
Sinais de alerta: quando parar e procurar ajuda médica
Antidepressivos podem aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças, adolescentes e adultos jovens (até 24 anos), especialmente no início do tratamento ou em mudanças de dose. Pacientes, familiares e cuidadores devem ficar atentos a piora do humor, agitação, irritabilidade incomum, alterações de comportamento e menções a suicídio, e comunicar o médico imediatamente.
O uso da sertralina com outros medicamentos que aumentam a serotonina (IMAO, triptanos, tramadol, fentanila e análogos, dextrometorfano, lítio, erva-de-São-João, anfetaminas, entre outros) pode desencadear a síndrome serotoninérgica — potencialmente fatal. Sintomas incluem agitação, alucinações, confusão, febre alta, rigidez muscular, tremores, taquicardia, pressão instável, náusea, vômito e diarreia. Procure atendimento médico imediato se esses sintomas surgirem.
A sertralina pode prolongar o intervalo QT do eletrocardiograma e aumentar o risco de arritmias graves do tipo Torsade de Pointes, que são potencialmente fatais. O risco é maior em pacientes com doença cardíaca, bradicardia, alterações de potássio ou magnésio, e naqueles que usam outros medicamentos que prolongam o QT (antipsicóticos, alguns antibióticos, antiarrítmicos, metadona, entre outros).
ISRS, incluindo a sertralina, podem causar hiponatremia — em geral por secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH). O risco é maior em idosos, em quem usa diuréticos ou apresenta depleção de volume. Sinais de alerta: dor de cabeça, dificuldade de concentração, confusão, fraqueza, quedas; em casos graves, alucinações, síncope, coma e parada respiratória.
A sertralina pode aumentar o risco de sangramento — desde equimoses e púrpura até hemorragias graves. O risco é maior quando associada a ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios (AINEs), anticoagulantes, heparina, ticlopidina ou em pacientes com distúrbios de coagulação.
A sertralina deve ser evitada em pacientes com epilepsia instável e usada com monitoramento em epilepsia controlada. Descontinue em qualquer paciente que desenvolva convulsões.
A sertralina pode causar dilatação da pupila (midríase) e precipitar glaucoma de ângulo fechado em pessoas predispostas. Sintomas: dor ocular súbita, visão embaçada, halos ao redor de luzes, náusea e vômito. Procure atendimento oftalmológico imediato.
Outras informações importantes
Riscos e monitoramento durante o tratamento
A interrupção abrupta da sertralina pode causar sintomas de abstinência: tontura, sensação de choque elétrico, parestesia (formigamento), insônia, sonhos intensos, agitação, ansiedade, náusea, vômito, tremor e dor de cabeça. A retirada deve ser gradual ao longo de pelo menos uma a duas semanas.
Em uma pequena proporção de pacientes com transtorno afetivo maior, a sertralina pode desencadear episódios de mania ou hipomania. Avalie com cautela em pacientes com histórico de transtorno bipolar.
Pode ocorrer perda do controle glicêmico (hiperglicemia ou hipoglicemia) em pacientes com ou sem diabetes prévio. Pacientes diabéticos devem monitorar a glicemia e podem precisar ajustar insulina ou hipoglicemiante oral.
Estudos epidemiológicos mostram risco aumentado de fraturas ósseas em pacientes em uso de ISRS, incluindo sertralina. O mecanismo ainda não é totalmente conhecido.
Cuidados no dia a dia
Condução de veículos: O medicamento pode causar tontura, sonolência, desmaios ou perda da consciência, expondo o paciente a quedas ou acidentes. Não dirija veículos nem opere máquinas até conhecer sua resposta ao tratamento.
Evite o consumo de álcool durante o tratamento.
Composição e alérgenos
Contém o corante dióxido de titânio.
Posologia
A sertralina é administrada por via oral, em dose única diária pela manhã ou à noite, com ou sem alimentos. A dose máxima recomendada é de 200 mg/dia. Os ajustes de dose devem ser feitos com intervalo mínimo de 1 semana entre as alterações, devido à meia-vida de eliminação de aproximadamente 24 horas. O comprimido de 100 mg não deve ser partido, aberto ou mastigado.
Por indicação
Dose inicial: 50 mg/dia
Dose de manutenção: Menor dose eficaz, ajustada conforme resposta
Dose máxima: 200 mg/dia
Titulação: Aumentos de dose a cada mínimo de 1 semana, conforme resposta clínica
Observações: Após resposta satisfatória, o tratamento é mantido para prevenir recaída e recorrência.
Dose inicial: 50 mg/dia
Dose de manutenção: Menor dose eficaz, ajustada conforme resposta
Dose máxima: 200 mg/dia
Titulação: Aumentos de dose a cada mínimo de 1 semana, conforme resposta clínica
Observações: O tempo até resposta terapêutica pode ser mais longo do que em outras indicações.
Dose inicial: 25 mg/dia
Dose de manutenção: Ajustada conforme resposta; aumentar para 50 mg/dia após uma semana
Dose máxima: 200 mg/dia
Titulação: Incrementos de 50 mg/dia com intervalo mínimo de 1 semana
Observações: Considerar o menor peso corpóreo da criança ao subir doses.
Dose inicial: 50 mg/dia
Dose de manutenção: Ajustada conforme resposta
Dose máxima: 200 mg/dia
Titulação: Incrementos de 50 mg/dia com intervalo mínimo de 1 semana
Dose inicial: 25 mg/dia na primeira semana
Dose de manutenção: 50 mg/dia a partir da segunda semana, ajustada conforme resposta
Dose máxima: 200 mg/dia
Titulação: Aumentos a cada mínimo de 1 semana
Observações: O início com 25 mg/dia reduz a frequência dos efeitos colaterais emergentes característicos do transtorno do pânico.
Dose inicial: 25 mg/dia na primeira semana
Dose de manutenção: 50 mg/dia a partir da segunda semana, ajustada conforme resposta
Dose máxima: 200 mg/dia
Titulação: Aumentos a cada mínimo de 1 semana
Dose inicial: 25 mg/dia na primeira semana
Dose de manutenção: 50 mg/dia a partir da segunda semana, ajustada conforme resposta
Dose máxima: 200 mg/dia
Titulação: Aumentos a cada mínimo de 1 semana
Dose inicial: 50 mg/dia diariamente ao longo do ciclo
Dose de manutenção: 50 a 150 mg/dia, ajustada a cada novo ciclo
Dose máxima: 150 mg/dia
Titulação: Incrementos de 50 mg a cada novo ciclo menstrual
Observações: Pode ser administrado continuamente ao longo do ciclo.
Dose inicial: 50 mg/dia nas últimas 2 semanas do ciclo; descontinuar no início da menstruação
Dose de manutenção: 50 a 100 mg/dia durante a fase lútea
Dose máxima: 100 mg/dia
Titulação: Se a dose for aumentada para 100 mg/dia, iniciar com 50 mg/dia por 3 dias no início da fase lútea antes de aumentar
Observações: Administração apenas na fase lútea do ciclo menstrual.
Como tomar — comprimido
O comprimido de 100 mg não deve ser partido, aberto ou mastigado.
E se eu esquecer uma dose?
Tome assim que lembrar. Se já estiver próximo do horário da próxima dose, pule a dose esquecida e siga o esquema habitual. Não tome dose dobrada para compensar.
Evite interrupção abrupta. A retirada deve ser feita com redução gradual ao longo de pelo menos 1 a 2 semanas, sob orientação médica, para reduzir o risco de sintomas de abstinência (tontura, parestesia, distúrbios do sono, agitação, náusea, tremor, dor de cabeça).
Efeitos adversos
Reações indesejáveis podem ocorrer com o uso de Sertralina. A seguir, os eventos adversos organizados por frequência:
Muito comum (ocorre em mais de 10% dos pacientes)
Comum (ocorre entre 1% e 10% dos pacientes)
Incomum (ocorre entre 0,1% e 1% dos pacientes)
Raro (ocorre entre 0,01% e 0,1% dos pacientes)
A lista inclui reações identificadas na pós-comercialização e frequências estimadas pelo limite superior do intervalo de confiança de 95% (Regra de 3).
Esta lista não é exaustiva. Informe ao seu médico qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento.
Interações medicamentosas
Informe seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.
| Medicamento | Efeito | Conduta | Severidade |
|---|---|---|---|
| Inibidores da monoaminoxidase (IMAO) | Risco de reações graves, algumas fatais, incluindo síndrome serotoninérgica com hipertermia, rigidez, mioclonia, instabilidade autonômica, confusão, delírio e coma. É obrigatório intervalo de pelo menos 14 dias entre os dois medicamentos. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Pimozida | A sertralina aumenta os níveis de pimozida. Devido ao índice terapêutico estreito da pimozida e ao mecanismo de interação ainda não esclarecido, a administração concomitante é contraindicada. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Anfetaminas, triptofano, fenfluramina, fentanila e seus análogos, tramadol, dextrometorfano, tapentadol, petidina, metadona, pentazocina, buprenorfina | Potencialização dos efeitos serotoninérgicos, com risco de síndrome serotoninérgica (agitação, hipertermia, rigidez, hiperreflexia, instabilidade autonômica, alterações do estado mental). | Evitar sempre que possível. Se a combinação for indispensável, monitorar rigorosamente sinais e sintomas de síndrome serotoninérgica. | MAIOR |
| Triptanos (sumatriptana, naratriptana) | Relatos raros de fraqueza, hiperreflexia, incoordenação, confusão, ansiedade e agitação associadas à síndrome serotoninérgica. | Se o uso concomitante for clinicamente justificado, acompanhar o paciente adequadamente. | MAIOR |
| Erva-de-São-João (Hypericum perforatum) | Aumento dos efeitos serotoninérgicos e risco de síndrome serotoninérgica. | Evitar o uso concomitante. | MAIOR |
| Antipsicóticos (ziprasidona, iloperidona, clorpromazina, mesoridazina, droperidol), antiarrítmicos classe IA (quinidina, procainamida) e classe III (amiodarona, sotalol), pentamidina, metadona, halofantrina, mefloquina, dolasetrona, probucol, tacrolimo | Prolongamento aditivo do intervalo QTc com aumento do risco de arritmias ventriculares, incluindo Torsade de Pointes. | Usar com precaução. Avaliar ECG e eletrólitos (potássio e magnésio) antes e durante o uso concomitante. | MAIOR |
| Antibióticos que prolongam QT (eritromicina, gatifloxacino, moxifloxacino, esparfloxacino) | Prolongamento aditivo do intervalo QTc. | Usar com precaução e considerar monitoramento do ECG. | MAIOR |
| Lítio | Aumento de tremor e possível interação farmacodinâmica serotoninérgica. | Monitorar o paciente quanto a sinais serotoninérgicos e efeitos adversos do lítio. | MODERADA |
| Varfarina | Pequeno aumento estatisticamente significante do tempo de protrombina; significância clínica desconhecida, mas com risco teórico de sangramento. | Monitorar cuidadosamente o tempo de protrombina e o INR ao iniciar e ao interromper a sertralina. | MODERADA |
| AINEs, ácido acetilsalicílico, heparina, ticlopidina | Risco aumentado de sangramento. | Avaliar o risco/benefício. Monitorar sinais de sangramento (equimoses, hemorragias gastrintestinais, epistaxe). | MODERADA |
| Fenitoína | A coadministração pode reduzir os níveis plasmáticos de sertralina. A sertralina não apresenta inibição clinicamente importante do metabolismo da fenitoína, mas as concentrações plasmáticas de fenitoína devem ser monitoradas. | Monitorar níveis plasmáticos de fenitoína e ajustar a dose conforme necessário. | MODERADA |
| Dipirona | Indução de enzimas metabolizantes (CYP2B6 e CYP3A4) pela dipirona pode reduzir as concentrações plasmáticas de sertralina e sua eficácia clínica. | Usar com precaução. Monitorar resposta clínica e/ou níveis do medicamento conforme apropriado. | MODERADA |
| Álcool | Embora a sertralina não potencialize os efeitos do álcool em voluntários saudáveis, o uso concomitante não é recomendado. | Evitar álcool durante o tratamento. | MODERADA |
| Antidepressivos tricíclicos e antiarrítmicos classe IC (propafenona, flecainida) | A sertralina causa elevação mínima (23-37%) nos níveis plasmáticos de substratos do CYP2D6. | Monitorar clinicamente, considerar dose inicial reduzida do substrato e ajustar conforme resposta. | MODERADA |
| Cimetidina | Redução do clearance da sertralina com aumento da exposição; significado clínico desconhecido. | Monitorar efeitos adversos da sertralina. | MENOR |
| Carbamazepina, haloperidol, fenitoína (depressores do SNC) | Não houve potencialização das atividades psicomotoras e cognitivas em estudos, mas a combinação requer cautela. | Monitorar clinicamente. | MENOR |
| Diazepam, tolbutamida, alprazolam, glibenclamida, digoxina, atenolol | Alterações farmacocinéticas pequenas e sem significado clínico conhecido. | Sem ajustes específicos recomendados. | MENOR |
Uso em grupos especiais
Gravidez — categoria C
A sertralina é classificada como categoria C de risco na gravidez. Estudos em animais mostraram retardo na ossificação fetal em doses 2,5 a 10 vezes a dose humana máxima e diminuição da sobrevida neonatal em doses cinco vezes maiores. Estudos observacionais sugerem risco aumentado (inferior a 2 vezes) de hemorragia pós-parto após exposição a ISRS, especialmente no último mês de gestação. A exposição a ISRS na gravidez avançada pode aumentar o risco de hipertensão pulmonar persistente no recém-nascido (HPPRN). Relatos descrevem sintomas no neonato compatíveis com reações de abstinência após exposição tardia. Não há estudos adequados e bem controlados em gestantes — o uso só é indicado quando o benefício supera o risco. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.
Lactação
Estudos isolados em um pequeno número de lactantes indicaram níveis de sertralina desprezíveis ou indetectáveis no soro dos recém-nascidos, embora os níveis no leite materno fossem mais concentrados do que no soro materno. O uso em lactantes não é recomendado a menos que, na avaliação médica, os benefícios superem os riscos.
Fertilidade
Não há dados de ensaios clínicos sobre fertilidade em humanos. Em estudos com animais, não foi observado efeito sobre os parâmetros de fertilidade. Mulheres em idade fértil devem empregar métodos adequados de contracepção durante o tratamento.
Uso pediátrico
A sertralina não deve ser usada em crianças e adolescentes menores de 18 anos, EXCETO para tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em pacientes de 6 a 17 anos. Em pediatria, comportamentos relacionados a suicídio e hostilidade (agressão, oposição, raiva) foram observados com maior frequência nos estudos clínicos com antidepressivos em comparação a placebo. Se o tratamento for indicado, o paciente deve ser cuidadosamente acompanhado quanto ao surgimento de sintomas suicidas, principalmente no início. Médicos devem monitorar pacientes pediátricos em tratamento de longo prazo quanto a anormalidades no crescimento e desenvolvimento.
Uso em idosos
Mais de 700 pacientes com mais de 65 anos participaram de estudos clínicos que demonstraram a eficácia da sertralina nessa faixa etária, com perfil de reações adversas semelhante ao de pacientes mais jovens. Idosos podem ter risco maior de hiponatremia durante o tratamento com ISRS — especialmente se usam diuréticos ou apresentam depleção de volume. A posologia inicial é a mesma recomendada para pacientes mais jovens.
Insuficiência hepática
A sertralina é extensamente metabolizada pelo fígado. Em cirrose leve, a meia-vida prolonga-se e Cmáx e AUC são cerca de 3 vezes maiores que em indivíduos saudáveis. Em pacientes com insuficiência hepática leve (Child-Pugh 5-6), a dose recomendada é metade da dose habitual. A sertralina NÃO é recomendada em insuficiência hepática moderada (Child-Pugh 7-9) ou grave (Child-Pugh 10-15), pois os efeitos nessas populações não foram estudados.
Insuficiência renal
A sertralina é extensamente metabolizada e a excreção renal da forma inalterada é uma via pouco significativa (menos de 0,2%). Em pacientes com insuficiência renal leve a grave (clearance de creatinina de 10 a 60 mL/min), os parâmetros farmacocinéticos em doses múltiplas não foram significativamente diferentes dos controles. A dose da sertralina NÃO precisa ser ajustada com base no grau de insuficiência renal.
Perguntas frequentes
Para que serve a sertralina?
A sertralina é um antidepressivo ISRS (inibidor seletivo da recaptação de serotonina) aprovado pela ANVISA para tratar depressão, ansiedade generalizada, TOC, fobia social, TEPT e transtorno disfórico pré-menstrual. Age aumentando a disponibilidade de serotonina no cérebro. A indicação e a dose são sempre definidas pelo médico.
A sertralina engorda ou emagrece?
Varia de pessoa para pessoa. No início do tratamento, é mais comum leve redução do apetite. Com uso prolongado, uma parte dos pacientes nota ganho de peso gradual — possivelmente porque o humor melhora e o apetite volta ao normal. Muitos pacientes não percebem alteração significativa. Se for uma preocupação, mencione ao seu médico.
O padrão mais observado na literatura é: leve redução de apetite nas primeiras semanas (por causa da náusea), seguida de estabilização. Em tratamentos longos, uma parcela dos pacientes percebe ganho de peso gradual — possivelmente porque a melhora do humor normaliza o apetite.
A sertralina dá sono?
Sonolência é possível, especialmente nas primeiras semanas, e tende a diminuir com o tempo. Alguns pacientes têm o efeito oposto — insônia leve no início. Tomar à noite ajuda quem sente muito sono; tomar de manhã ajuda quem tem insônia. O horário ideal é definido conforme seu perfil de efeitos.
Quem toma sertralina pode beber álcool?
Não é recomendado. O álcool potencializa a sedação, piora o humor e interfere diretamente no efeito do medicamento. A bula orienta evitar bebidas alcoólicas durante todo o tratamento.
Sertralina precisa de receita médica?
Sim. A sertralina é medicamento de tarja vermelha e exige receita médica simples de duas vias para ser dispensada. Uma via fica retida pela farmácia; a outra fica com o paciente. A receita tem validade de 30 dias.
Qual o melhor horário para tomar sertralina?
Não há um horário universal. O importante é tomar uma vez ao dia, sempre no mesmo horário, preferencialmente com alimento. Se causar sono, tome à noite; se causar insônia ou agitação, tome de manhã. A regularidade do horário é mais relevante do que qual horário escolher.
Em quanto tempo a sertralina faz efeito?
Os primeiros sinais de melhora — geralmente sono, apetite e energia — aparecem entre 2 e 4 semanas. O efeito completo no humor pode levar de 4 a 8 semanas. A ausência de efeito imediato não significa que o medicamento não está funcionando — interromper cedo é um dos erros mais comuns.
O que acontece se eu parar de tomar sertralina de repente?
Pode causar síndrome de descontinuação: tontura, náusea, irritabilidade, alterações do sono e sensação de choques elétricos leves. Não é perigoso, mas é desconfortável. A retirada deve ser gradual, com redução progressiva da dose orientada pelo médico.
Qual a diferença entre sertralina e fluoxetina?
As duas são ISRSs com mecanismo de ação idêntico. Uma diferença prática pouco mencionada: a fluoxetina, por ter meia-vida muito longa, é mais "tolerante" a esquecimentos — pular um dia tem menos impacto. A sertralina tende a apresentar menos interações medicamentosas, o que a torna uma escolha frequente para pacientes que tomam múltiplos medicamentos. Não existe um "melhor" entre as duas — a escolha depende do quadro clínico individual e deve ser sempre realizada pelo médico.
Qual a dose máxima de sertralina?
200 mg por dia para adultos, conforme aprovação da ANVISA. O tratamento geralmente começa com 25 ou 50 mg, com aumento gradual. Doses acima de 200 mg não aumentam a eficácia e elevam o risco de efeitos adversos graves. Qualquer ajuste de dose é feito exclusivamente pelo médico.
Pode dar sertralina para criança?
A ANVISA aprova o uso em crianças acima de 6 anos apenas para TOC. Para outras indicações em menores de 18 anos, o uso é off-label e exige avaliação criteriosa — há alertas regulatórios sobre risco aumentado de ideação suicida em adolescentes no início do tratamento com antidepressivos. A decisão é sempre individualizada com o responsável legal.
Quem toma sertralina pode tomar triptofano?
Não é recomendado sem orientação médica. A combinação aumenta a serotonina disponível e eleva o risco de síndrome serotoninérgica — agitação, tremores, sudorese e, em casos graves, confusão mental. Informe seu médico sobre qualquer suplemento que esteja usando.
Referências
- Bula do profissional de saúde — Zoloft (cloridrato de sertralina), comprimido revestido 50 mg e 100 mg. Viatris Farmacêutica do Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.8830.0078. Versão ZFTCOR_42, aprovada em 15/12/2025.
- Bula do paciente — Zoloft (cloridrato de sertralina), comprimido revestido 50 mg e 100 mg. Viatris Farmacêutica do Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.8830.0078. Versão ZFTCOR_41.
- Bulário Eletrônico da ANVISA. Disponível em: consultas.anvisa.gov.br
Revisão médica: Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 26 de abril de 2026
Genéricos, similares e referências disponíveis no Brasil
| Nome comercial | Laboratório | Tipo |
|---|---|---|
| Serenata | Torrent do Brasil Ltda. | Similar |
| Cloridrato de Sertralina | Prati Donaduzzi & Cia Ltda. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Geolab Indústria Farmacêutica S.A. | Genérico |
| Tolrest | Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. | Novo |
| Ralzin | Prati Donaduzzi & Cia Ltda. | Similar |
| Tolrest | Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. | Similar |
| Zoloft | Viatris Farmacêutica do Brasil Ltda. | Novo |
| Cloridrato de Sertralina | Germed Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Multilab Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda. | Genérico |
| Assert | Eurofarma Laboratórios S.A. | Similar |
| Cloridrato de Sertralina | Ranbaxy Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Afetus | Eurofarma Laboratórios S.A. | Similar |
| Cloridrato de Sertralina | Eurofarma Laboratórios S.A. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Accord Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Tolrest | Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. | Similar |
| Cloridrato de Sertralina | Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Torrent do Brasil Ltda. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Zydus Nikkho Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | EMS S.A. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Fundação para o Remédio Popular - FURP | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Aurobindo Pharma Indústria Farmacêutica Limitada | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Laboratório Teuto Brasileiro S.A. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Sanofi Medley Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Laboratório Globo Sa | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Cimed Indústria S.A. | Genérico |
| Cloridrato de Sertralina | Legrand Pharma Indústria Farmacêutica Ltda. | Genérico |