Sertralina

Princípio ativo: Cloridrato de SertralinaClasse: Antidepressivo (ISRS)Outros nomes: Afetus · Assert · Cloridrato de Sertralina · Ralzin · Serenata · Tolrest · Zoloft · Ver lista completa de genéricos, similares e referências →Apresentações: Comprimido revestidoDosagens: 50 mg · 100 mg
Revisado por Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 26 de abril de 2026
Medicamento sujeito a prescrição médica. As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a orientação de um profissional de saúde. Não se automedique.
Atenção: Antidepressivos aumentam o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças, adolescentes e adultos jovens (até 24 anos). Monitorar de perto, especialmente no início do tratamento ou após ajustes de dose.

Indicações

O que é Sertralina

A sertralina é um antidepressivo da classe dos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina), usado no tratamento da depressão e de diversos transtornos de ansiedade. Age sobre a serotonina — substância envolvida na regulação do humor, do sono, do apetite e da resposta ao estresse — aumentando sua disponibilidade no cérebro.

Como funciona Sertralina

A sertralina bloqueia de forma seletiva a recaptação da serotonina nos neurônios, potencializando a ação desse neurotransmissor. Tem efeito muito fraco sobre a recaptação de dopamina e norepinefrina e não possui atividade significativa sobre receptores colinérgicos, serotoninérgicos, dopaminérgicos, adrenérgicos, histaminérgicos, GABA ou benzodiazepínicos. Por essa seletividade, tende a causar menos sedação, boca seca e efeitos cardiovasculares do que antidepressivos mais antigos.

Para que serve Sertralina

Seguem as indicações de Sertralina:

  • Depressão (transtorno depressivo maior), incluindo depressão acompanhada por sintomas de ansiedade, com ou sem história de mania
  • Prevenção de recaída e recorrência de episódios depressivos após resposta satisfatória
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em adultos
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em pacientes pediátricos a partir de 6 anos de idade
  • Transtorno do pânico, acompanhado ou não de agorafobia
  • Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT)
  • Fobia social (transtorno de ansiedade social)
  • Sintomas da síndrome da tensão pré-menstrual (STPM) e/ou transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)

Quando começa a fazer efeito

Os primeiros efeitos terapêuticos podem aparecer em cerca de 7 dias, mas a resposta clínica plena geralmente exige algumas semanas de tratamento — especialmente no transtorno obsessivo-compulsivo, em que o tempo até melhora costuma ser maior.

Contraindicações

  • Hipersensibilidade conhecida à sertralina ou a outros componentes da fórmula.
  • Uso concomitante com inibidores da monoaminoxidase (IMAO), como selegilina, tranilcipromina, isocarboxazida, fenelzina, moclobemida, linezolida e azul de metileno, ou dentro de 14 dias após a descontinuação do tratamento com IMAO. A sertralina deve ser descontinuada pelo menos 7 dias antes do início de um IMAO irreversível.
  • Uso concomitante com pimozida.
  • Gravidez: medicamento classificado na categoria C de risco. Não deve ser utilizado por gestantes sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.

Antes de usar

Informe seu médico antes de começar

Antes de iniciar, informe ao seu médico:

  • Todos os medicamentos que você usa, incluindo fitoterápicos como a erva-de-São-João — o risco de interações é alto.
  • Se você já usou antidepressivos da classe IMAO (inibidores da monoaminoxidase) como selegilina, tranilcipromina, isocarboxazida, fenelzina, moclobemida, linezolida ou azul de metileno, ou ainda está dentro do intervalo de 14 dias após a interrupção desses medicamentos.
  • Se você tem ou já teve doenças do coração, ritmo cardíaco anormal, síndrome do QT longo ou histórico familiar de morte súbita.
  • Se você tem níveis baixos de potássio ou magnésio no sangue.
  • Se você tem doença do fígado — a dose pode precisar de ajuste ou o medicamento pode não ser recomendado.
  • Se você tem epilepsia, histórico de convulsões, glaucoma ou histórico de glaucoma de ângulo fechado.
  • Se você tem diabetes — o controle da glicemia pode se alterar no início do tratamento.
  • Se você tem histórico de transtorno bipolar, mania ou hipomania.
  • Se você está grávida, planeja engravidar ou está amamentando.

Sinais de alerta: quando parar e procurar ajuda médica

Risco de suicídio em crianças, adolescentes e adultos jovens

Antidepressivos podem aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças, adolescentes e adultos jovens (até 24 anos), especialmente no início do tratamento ou em mudanças de dose. Pacientes, familiares e cuidadores devem ficar atentos a piora do humor, agitação, irritabilidade incomum, alterações de comportamento e menções a suicídio, e comunicar o médico imediatamente.

Síndrome serotoninérgica

O uso da sertralina com outros medicamentos que aumentam a serotonina (IMAO, triptanos, tramadol, fentanila e análogos, dextrometorfano, lítio, erva-de-São-João, anfetaminas, entre outros) pode desencadear a síndrome serotoninérgica — potencialmente fatal. Sintomas incluem agitação, alucinações, confusão, febre alta, rigidez muscular, tremores, taquicardia, pressão instável, náusea, vômito e diarreia. Procure atendimento médico imediato se esses sintomas surgirem.

Prolongamento do intervalo QT e Torsade de Pointes

A sertralina pode prolongar o intervalo QT do eletrocardiograma e aumentar o risco de arritmias graves do tipo Torsade de Pointes, que são potencialmente fatais. O risco é maior em pacientes com doença cardíaca, bradicardia, alterações de potássio ou magnésio, e naqueles que usam outros medicamentos que prolongam o QT (antipsicóticos, alguns antibióticos, antiarrítmicos, metadona, entre outros).

Hiponatremia (queda do sódio no sangue)

ISRS, incluindo a sertralina, podem causar hiponatremia — em geral por secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH). O risco é maior em idosos, em quem usa diuréticos ou apresenta depleção de volume. Sinais de alerta: dor de cabeça, dificuldade de concentração, confusão, fraqueza, quedas; em casos graves, alucinações, síncope, coma e parada respiratória.

Risco aumentado de sangramento

A sertralina pode aumentar o risco de sangramento — desde equimoses e púrpura até hemorragias graves. O risco é maior quando associada a ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios (AINEs), anticoagulantes, heparina, ticlopidina ou em pacientes com distúrbios de coagulação.

Convulsões

A sertralina deve ser evitada em pacientes com epilepsia instável e usada com monitoramento em epilepsia controlada. Descontinue em qualquer paciente que desenvolva convulsões.

Glaucoma de ângulo fechado

A sertralina pode causar dilatação da pupila (midríase) e precipitar glaucoma de ângulo fechado em pessoas predispostas. Sintomas: dor ocular súbita, visão embaçada, halos ao redor de luzes, náusea e vômito. Procure atendimento oftalmológico imediato.

Outras informações importantes

Riscos e monitoramento durante o tratamento

Sintomas de abstinência na descontinuação

A interrupção abrupta da sertralina pode causar sintomas de abstinência: tontura, sensação de choque elétrico, parestesia (formigamento), insônia, sonhos intensos, agitação, ansiedade, náusea, vômito, tremor e dor de cabeça. A retirada deve ser gradual ao longo de pelo menos uma a duas semanas.

Ativação de mania/hipomania

Em uma pequena proporção de pacientes com transtorno afetivo maior, a sertralina pode desencadear episódios de mania ou hipomania. Avalie com cautela em pacientes com histórico de transtorno bipolar.

Diabetes e controle da glicemia

Pode ocorrer perda do controle glicêmico (hiperglicemia ou hipoglicemia) em pacientes com ou sem diabetes prévio. Pacientes diabéticos devem monitorar a glicemia e podem precisar ajustar insulina ou hipoglicemiante oral.

Fraturas ósseas

Estudos epidemiológicos mostram risco aumentado de fraturas ósseas em pacientes em uso de ISRS, incluindo sertralina. O mecanismo ainda não é totalmente conhecido.

Cuidados no dia a dia

Condução de veículos: O medicamento pode causar tontura, sonolência, desmaios ou perda da consciência, expondo o paciente a quedas ou acidentes. Não dirija veículos nem opere máquinas até conhecer sua resposta ao tratamento.

Evite o consumo de álcool durante o tratamento.

Composição e alérgenos

Contém o corante dióxido de titânio.

Posologia

A sertralina é administrada por via oral, em dose única diária pela manhã ou à noite, com ou sem alimentos. A dose máxima recomendada é de 200 mg/dia. Os ajustes de dose devem ser feitos com intervalo mínimo de 1 semana entre as alterações, devido à meia-vida de eliminação de aproximadamente 24 horas. O comprimido de 100 mg não deve ser partido, aberto ou mastigado.

Por indicação

Depressão (transtorno depressivo maior)

Dose inicial: 50 mg/dia

Dose de manutenção: Menor dose eficaz, ajustada conforme resposta

Dose máxima: 200 mg/dia

Titulação: Aumentos de dose a cada mínimo de 1 semana, conforme resposta clínica

Observações: Após resposta satisfatória, o tratamento é mantido para prevenir recaída e recorrência.

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) — adultos

Dose inicial: 50 mg/dia

Dose de manutenção: Menor dose eficaz, ajustada conforme resposta

Dose máxima: 200 mg/dia

Titulação: Aumentos de dose a cada mínimo de 1 semana, conforme resposta clínica

Observações: O tempo até resposta terapêutica pode ser mais longo do que em outras indicações.

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) — crianças de 6 a 12 anos

Dose inicial: 25 mg/dia

Dose de manutenção: Ajustada conforme resposta; aumentar para 50 mg/dia após uma semana

Dose máxima: 200 mg/dia

Titulação: Incrementos de 50 mg/dia com intervalo mínimo de 1 semana

Observações: Considerar o menor peso corpóreo da criança ao subir doses.

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) — adolescentes de 13 a 17 anos

Dose inicial: 50 mg/dia

Dose de manutenção: Ajustada conforme resposta

Dose máxima: 200 mg/dia

Titulação: Incrementos de 50 mg/dia com intervalo mínimo de 1 semana

Transtorno do pânico (com ou sem agorafobia)

Dose inicial: 25 mg/dia na primeira semana

Dose de manutenção: 50 mg/dia a partir da segunda semana, ajustada conforme resposta

Dose máxima: 200 mg/dia

Titulação: Aumentos a cada mínimo de 1 semana

Observações: O início com 25 mg/dia reduz a frequência dos efeitos colaterais emergentes característicos do transtorno do pânico.

Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT)

Dose inicial: 25 mg/dia na primeira semana

Dose de manutenção: 50 mg/dia a partir da segunda semana, ajustada conforme resposta

Dose máxima: 200 mg/dia

Titulação: Aumentos a cada mínimo de 1 semana

Fobia social (transtorno de ansiedade social)

Dose inicial: 25 mg/dia na primeira semana

Dose de manutenção: 50 mg/dia a partir da segunda semana, ajustada conforme resposta

Dose máxima: 200 mg/dia

Titulação: Aumentos a cada mínimo de 1 semana

Síndrome da tensão pré-menstrual (STPM) e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) — esquema contínuo

Dose inicial: 50 mg/dia diariamente ao longo do ciclo

Dose de manutenção: 50 a 150 mg/dia, ajustada a cada novo ciclo

Dose máxima: 150 mg/dia

Titulação: Incrementos de 50 mg a cada novo ciclo menstrual

Observações: Pode ser administrado continuamente ao longo do ciclo.

Síndrome da tensão pré-menstrual (STPM) e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) — esquema fase lútea

Dose inicial: 50 mg/dia nas últimas 2 semanas do ciclo; descontinuar no início da menstruação

Dose de manutenção: 50 a 100 mg/dia durante a fase lútea

Dose máxima: 100 mg/dia

Titulação: Se a dose for aumentada para 100 mg/dia, iniciar com 50 mg/dia por 3 dias no início da fase lútea antes de aumentar

Observações: Administração apenas na fase lútea do ciclo menstrual.

Como tomar — comprimido

O comprimido de 100 mg não deve ser partido, aberto ou mastigado.

E se eu esquecer uma dose?

Tome assim que lembrar. Se já estiver próximo do horário da próxima dose, pule a dose esquecida e siga o esquema habitual. Não tome dose dobrada para compensar.

Evite interrupção abrupta. A retirada deve ser feita com redução gradual ao longo de pelo menos 1 a 2 semanas, sob orientação médica, para reduzir o risco de sintomas de abstinência (tontura, parestesia, distúrbios do sono, agitação, náusea, tremor, dor de cabeça).

Efeitos adversos

Reações indesejáveis podem ocorrer com o uso de Sertralina. A seguir, os eventos adversos organizados por frequência:

Muito comum (ocorre em mais de 10% dos pacientes)

Insônia; Tontura; Dor de cabeça; Diarreia; Náusea.

Comum (ocorre entre 1% e 10% dos pacientes)

Dermatológico: Rash (erupção cutânea), Hiperidrose (suor excessivo); Cardiovascular: Palpitações, Rubor; Respiratório: Bocejo; Gastrointestinal: Vômito, Constipação, Dor abdominal, Boca seca, Dispepsia (má digestão), Flatulência; Neurológico: Hipertonia (aumento do tônus muscular), Tremor, Sonolência, Parestesia (formigamento ou dormência), Distúrbio de atenção; Psiquiátrico: Sintomas de depressão, Ansiedade, Agitação, Bruxismo (ranger os dentes), Pesadelos, Diminuição da libido, Despersonalização; Metabólico/Endocrinológico: Diminuição ou aumento do apetite, Aumento do peso corporal; Musculoesquelético: Artralgia (dor nas articulações), Mialgia (dor muscular); Urogenital/Sexual: Distúrbios da ejaculação, Disfunção sexual, Menstruação irregular; Oftálmico: Deficiência visual; Auditivo: Zumbido; Geral/Sistêmico: Dor no peito, Mal-estar, Pirexia (febre), Astenia (fraqueza), Fadiga.

Incomum (ocorre entre 0,1% e 1% dos pacientes)

Hematológico: Hemorragia; Imunológico/Alérgico: Hipersensibilidade; Dermatológico: Urticária, Púrpura, Prurido (coceira), Alopecia (queda de cabelo), Pele seca, Dermatite; Cardiovascular: Taquicardia, Hipertensão; Respiratório: Broncospasmo, Epistaxe (sangramento nasal), Dispneia (falta de ar); Gastrointestinal: Hemorragia gastrintestinal, Disfagia (dificuldade para engolir), Hemorroida, Eructação (arroto), Melena (fezes escuras com sangue), Hipersecreção salivar, Distúrbio da língua, Glossite (inflamação da língua), Esofagite; Hepático: Aumento da alanina aminotransferase (ALT), Aumento da aspartato aminotransferase (AST); Renal: Retenção urinária, Hematúria (sangue na urina), Incontinência urinária; Neurológico: Síncope (desmaio), Distúrbios extrapiramidais, Contrações musculares involuntárias, Hipoestesia (diminuição da sensibilidade), Hipercinesia (atividade muscular excessiva), Enxaqueca, Amnésia, Distúrbio da fala, Distúrbios da marcha; Psiquiátrico: Alucinação, Agressão, Estado confusional, Humor eufórico; Metabólico/Endocrinológico: Sede, Diminuição do peso; Musculoesquelético: Espasmos musculares, Fraqueza muscular, Cãibras musculares; Urogenital/Sexual: Hemorragia vaginal, Menorragia; Oftálmico: Midríase (dilatação da pupila), Edema periorbital; Geral/Sistêmico: Edema periférico.

Raro (ocorre entre 0,01% e 0,1% dos pacientes)

Hematológico: Trombocitopenia (diminuição das plaquetas), Leucopenia (redução dos glóbulos brancos), Teste de função plaquetária anormal; Imunológico/Alérgico: Reação anafilactoide, Angioedema; Dermatológico: Necrólise epidérmica tóxica, Síndrome de Stevens-Johnson, Rash esfoliativo, Reação de fotossensibilidade na pele, Dermatite bulhosa, Erupção cutânea folicular, Textura capilar anormal, Odor da pele anormal, Edema facial; Cardiovascular: Torsade de Pointes, Prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma, Bradicardia, Vasoconstrição cerebral (incluindo síndrome da vasoconstrição cerebral reversível e síndrome de Call-Fleming), Isquemia periférica; Respiratório: Pneumonia eosinofílica, Laringoespasmo, Hipoventilação, Estridor, Disfonia, Soluço, Hiperventilação; Gastrointestinal: Pancreatite, Hematoquezia, Ulceração da língua, Ulceração bucal; Hepático: Lesão hepática; Renal: Enurese; Neurológico: Síndrome serotoninérgica, Coma, Convulsão, Distonia, Acatisia; Psiquiátrico: Distúrbio psicótico, Paroniria (pesadelos intensos), Sonambulismo; Metabólico/Endocrinológico: Secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH), Hiperprolactinemia, Hipotireoidismo, Diabetes mellitus, Hiponatremia, Hipoglicemia, Hiperglicemia, Aumento do colesterol no sangue; Musculoesquelético: Rabdomiólise, Trismo, Fratura; Urogenital/Sexual: Priapismo, Galactorreia, Ginecomastia; Oftálmico: Glaucoma, Hifema, Fotofobia, Diplopia (visão dupla), Distúrbio lacrimal; Geral/Sistêmico: Síndrome de abstinência medicamentosa, Teste laboratorial anormal.

A lista inclui reações identificadas na pós-comercialização e frequências estimadas pelo limite superior do intervalo de confiança de 95% (Regra de 3).

Esta lista não é exaustiva. Informe ao seu médico qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento.

Interações medicamentosas

Informe seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.

MedicamentoEfeitoCondutaSeveridade
Inibidores da monoaminoxidase (IMAO)Risco de reações graves, algumas fatais, incluindo síndrome serotoninérgica com hipertermia, rigidez, mioclonia, instabilidade autonômica, confusão, delírio e coma. É obrigatório intervalo de pelo menos 14 dias entre os dois medicamentos.Associação não recomendadaCONTRAINDICADA
PimozidaA sertralina aumenta os níveis de pimozida. Devido ao índice terapêutico estreito da pimozida e ao mecanismo de interação ainda não esclarecido, a administração concomitante é contraindicada.Associação não recomendadaCONTRAINDICADA
Anfetaminas, triptofano, fenfluramina, fentanila e seus análogos, tramadol, dextrometorfano, tapentadol, petidina, metadona, pentazocina, buprenorfinaPotencialização dos efeitos serotoninérgicos, com risco de síndrome serotoninérgica (agitação, hipertermia, rigidez, hiperreflexia, instabilidade autonômica, alterações do estado mental).Evitar sempre que possível. Se a combinação for indispensável, monitorar rigorosamente sinais e sintomas de síndrome serotoninérgica.MAIOR
Triptanos (sumatriptana, naratriptana)Relatos raros de fraqueza, hiperreflexia, incoordenação, confusão, ansiedade e agitação associadas à síndrome serotoninérgica.Se o uso concomitante for clinicamente justificado, acompanhar o paciente adequadamente.MAIOR
Erva-de-São-João (Hypericum perforatum)Aumento dos efeitos serotoninérgicos e risco de síndrome serotoninérgica.Evitar o uso concomitante.MAIOR
Antipsicóticos (ziprasidona, iloperidona, clorpromazina, mesoridazina, droperidol), antiarrítmicos classe IA (quinidina, procainamida) e classe III (amiodarona, sotalol), pentamidina, metadona, halofantrina, mefloquina, dolasetrona, probucol, tacrolimoProlongamento aditivo do intervalo QTc com aumento do risco de arritmias ventriculares, incluindo Torsade de Pointes.Usar com precaução. Avaliar ECG e eletrólitos (potássio e magnésio) antes e durante o uso concomitante.MAIOR
Antibióticos que prolongam QT (eritromicina, gatifloxacino, moxifloxacino, esparfloxacino)Prolongamento aditivo do intervalo QTc.Usar com precaução e considerar monitoramento do ECG.MAIOR
LítioAumento de tremor e possível interação farmacodinâmica serotoninérgica.Monitorar o paciente quanto a sinais serotoninérgicos e efeitos adversos do lítio.MODERADA
VarfarinaPequeno aumento estatisticamente significante do tempo de protrombina; significância clínica desconhecida, mas com risco teórico de sangramento.Monitorar cuidadosamente o tempo de protrombina e o INR ao iniciar e ao interromper a sertralina.MODERADA
AINEs, ácido acetilsalicílico, heparina, ticlopidinaRisco aumentado de sangramento.Avaliar o risco/benefício. Monitorar sinais de sangramento (equimoses, hemorragias gastrintestinais, epistaxe).MODERADA
FenitoínaA coadministração pode reduzir os níveis plasmáticos de sertralina. A sertralina não apresenta inibição clinicamente importante do metabolismo da fenitoína, mas as concentrações plasmáticas de fenitoína devem ser monitoradas.Monitorar níveis plasmáticos de fenitoína e ajustar a dose conforme necessário.MODERADA
DipironaIndução de enzimas metabolizantes (CYP2B6 e CYP3A4) pela dipirona pode reduzir as concentrações plasmáticas de sertralina e sua eficácia clínica.Usar com precaução. Monitorar resposta clínica e/ou níveis do medicamento conforme apropriado.MODERADA
ÁlcoolEmbora a sertralina não potencialize os efeitos do álcool em voluntários saudáveis, o uso concomitante não é recomendado.Evitar álcool durante o tratamento.MODERADA
Antidepressivos tricíclicos e antiarrítmicos classe IC (propafenona, flecainida)A sertralina causa elevação mínima (23-37%) nos níveis plasmáticos de substratos do CYP2D6.Monitorar clinicamente, considerar dose inicial reduzida do substrato e ajustar conforme resposta.MODERADA
CimetidinaRedução do clearance da sertralina com aumento da exposição; significado clínico desconhecido.Monitorar efeitos adversos da sertralina.MENOR
Carbamazepina, haloperidol, fenitoína (depressores do SNC)Não houve potencialização das atividades psicomotoras e cognitivas em estudos, mas a combinação requer cautela.Monitorar clinicamente.MENOR
Diazepam, tolbutamida, alprazolam, glibenclamida, digoxina, atenololAlterações farmacocinéticas pequenas e sem significado clínico conhecido.Sem ajustes específicos recomendados.MENOR

Uso em grupos especiais

Gravidez — categoria C

A sertralina é classificada como categoria C de risco na gravidez. Estudos em animais mostraram retardo na ossificação fetal em doses 2,5 a 10 vezes a dose humana máxima e diminuição da sobrevida neonatal em doses cinco vezes maiores. Estudos observacionais sugerem risco aumentado (inferior a 2 vezes) de hemorragia pós-parto após exposição a ISRS, especialmente no último mês de gestação. A exposição a ISRS na gravidez avançada pode aumentar o risco de hipertensão pulmonar persistente no recém-nascido (HPPRN). Relatos descrevem sintomas no neonato compatíveis com reações de abstinência após exposição tardia. Não há estudos adequados e bem controlados em gestantes — o uso só é indicado quando o benefício supera o risco. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.

Lactação

Estudos isolados em um pequeno número de lactantes indicaram níveis de sertralina desprezíveis ou indetectáveis no soro dos recém-nascidos, embora os níveis no leite materno fossem mais concentrados do que no soro materno. O uso em lactantes não é recomendado a menos que, na avaliação médica, os benefícios superem os riscos.

Fertilidade

Não há dados de ensaios clínicos sobre fertilidade em humanos. Em estudos com animais, não foi observado efeito sobre os parâmetros de fertilidade. Mulheres em idade fértil devem empregar métodos adequados de contracepção durante o tratamento.

Uso pediátrico

A sertralina não deve ser usada em crianças e adolescentes menores de 18 anos, EXCETO para tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em pacientes de 6 a 17 anos. Em pediatria, comportamentos relacionados a suicídio e hostilidade (agressão, oposição, raiva) foram observados com maior frequência nos estudos clínicos com antidepressivos em comparação a placebo. Se o tratamento for indicado, o paciente deve ser cuidadosamente acompanhado quanto ao surgimento de sintomas suicidas, principalmente no início. Médicos devem monitorar pacientes pediátricos em tratamento de longo prazo quanto a anormalidades no crescimento e desenvolvimento.

Uso em idosos

Mais de 700 pacientes com mais de 65 anos participaram de estudos clínicos que demonstraram a eficácia da sertralina nessa faixa etária, com perfil de reações adversas semelhante ao de pacientes mais jovens. Idosos podem ter risco maior de hiponatremia durante o tratamento com ISRS — especialmente se usam diuréticos ou apresentam depleção de volume. A posologia inicial é a mesma recomendada para pacientes mais jovens.

Insuficiência hepática

A sertralina é extensamente metabolizada pelo fígado. Em cirrose leve, a meia-vida prolonga-se e Cmáx e AUC são cerca de 3 vezes maiores que em indivíduos saudáveis. Em pacientes com insuficiência hepática leve (Child-Pugh 5-6), a dose recomendada é metade da dose habitual. A sertralina NÃO é recomendada em insuficiência hepática moderada (Child-Pugh 7-9) ou grave (Child-Pugh 10-15), pois os efeitos nessas populações não foram estudados.

Insuficiência renal

A sertralina é extensamente metabolizada e a excreção renal da forma inalterada é uma via pouco significativa (menos de 0,2%). Em pacientes com insuficiência renal leve a grave (clearance de creatinina de 10 a 60 mL/min), os parâmetros farmacocinéticos em doses múltiplas não foram significativamente diferentes dos controles. A dose da sertralina NÃO precisa ser ajustada com base no grau de insuficiência renal.

Perguntas frequentes

Para que serve a sertralina?

A sertralina é um antidepressivo ISRS (inibidor seletivo da recaptação de serotonina) aprovado pela ANVISA para tratar depressão, ansiedade generalizada, TOC, fobia social, TEPT e transtorno disfórico pré-menstrual. Age aumentando a disponibilidade de serotonina no cérebro. A indicação e a dose são sempre definidas pelo médico.

A sertralina engorda ou emagrece?

Varia de pessoa para pessoa. No início do tratamento, é mais comum leve redução do apetite. Com uso prolongado, uma parte dos pacientes nota ganho de peso gradual — possivelmente porque o humor melhora e o apetite volta ao normal. Muitos pacientes não percebem alteração significativa. Se for uma preocupação, mencione ao seu médico.

O padrão mais observado na literatura é: leve redução de apetite nas primeiras semanas (por causa da náusea), seguida de estabilização. Em tratamentos longos, uma parcela dos pacientes percebe ganho de peso gradual — possivelmente porque a melhora do humor normaliza o apetite.

A sertralina dá sono?

Sonolência é possível, especialmente nas primeiras semanas, e tende a diminuir com o tempo. Alguns pacientes têm o efeito oposto — insônia leve no início. Tomar à noite ajuda quem sente muito sono; tomar de manhã ajuda quem tem insônia. O horário ideal é definido conforme seu perfil de efeitos.

Quem toma sertralina pode beber álcool?

Não é recomendado. O álcool potencializa a sedação, piora o humor e interfere diretamente no efeito do medicamento. A bula orienta evitar bebidas alcoólicas durante todo o tratamento.

Sertralina precisa de receita médica?

Sim. A sertralina é medicamento de tarja vermelha e exige receita médica simples de duas vias para ser dispensada. Uma via fica retida pela farmácia; a outra fica com o paciente. A receita tem validade de 30 dias.

Qual o melhor horário para tomar sertralina?

Não há um horário universal. O importante é tomar uma vez ao dia, sempre no mesmo horário, preferencialmente com alimento. Se causar sono, tome à noite; se causar insônia ou agitação, tome de manhã. A regularidade do horário é mais relevante do que qual horário escolher.

Em quanto tempo a sertralina faz efeito?

Os primeiros sinais de melhora — geralmente sono, apetite e energia — aparecem entre 2 e 4 semanas. O efeito completo no humor pode levar de 4 a 8 semanas. A ausência de efeito imediato não significa que o medicamento não está funcionando — interromper cedo é um dos erros mais comuns.

O que acontece se eu parar de tomar sertralina de repente?

Pode causar síndrome de descontinuação: tontura, náusea, irritabilidade, alterações do sono e sensação de choques elétricos leves. Não é perigoso, mas é desconfortável. A retirada deve ser gradual, com redução progressiva da dose orientada pelo médico.

Qual a diferença entre sertralina e fluoxetina?

As duas são ISRSs com mecanismo de ação idêntico. Uma diferença prática pouco mencionada: a fluoxetina, por ter meia-vida muito longa, é mais "tolerante" a esquecimentos — pular um dia tem menos impacto. A sertralina tende a apresentar menos interações medicamentosas, o que a torna uma escolha frequente para pacientes que tomam múltiplos medicamentos. Não existe um "melhor" entre as duas — a escolha depende do quadro clínico individual e deve ser sempre realizada pelo médico.

Qual a dose máxima de sertralina?

200 mg por dia para adultos, conforme aprovação da ANVISA. O tratamento geralmente começa com 25 ou 50 mg, com aumento gradual. Doses acima de 200 mg não aumentam a eficácia e elevam o risco de efeitos adversos graves. Qualquer ajuste de dose é feito exclusivamente pelo médico.

Pode dar sertralina para criança?

A ANVISA aprova o uso em crianças acima de 6 anos apenas para TOC. Para outras indicações em menores de 18 anos, o uso é off-label e exige avaliação criteriosa — há alertas regulatórios sobre risco aumentado de ideação suicida em adolescentes no início do tratamento com antidepressivos. A decisão é sempre individualizada com o responsável legal.

Quem toma sertralina pode tomar triptofano?

Não é recomendado sem orientação médica. A combinação aumenta a serotonina disponível e eleva o risco de síndrome serotoninérgica — agitação, tremores, sudorese e, em casos graves, confusão mental. Informe seu médico sobre qualquer suplemento que esteja usando.

Referências

  1. Bula do profissional de saúde — Zoloft (cloridrato de sertralina), comprimido revestido 50 mg e 100 mg. Viatris Farmacêutica do Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.8830.0078. Versão ZFTCOR_42, aprovada em 15/12/2025.
  2. Bula do paciente — Zoloft (cloridrato de sertralina), comprimido revestido 50 mg e 100 mg. Viatris Farmacêutica do Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.8830.0078. Versão ZFTCOR_41.
  3. Bulário Eletrônico da ANVISA. Disponível em: consultas.anvisa.gov.br

Revisão médica: Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 26 de abril de 2026

Genéricos, similares e referências disponíveis no Brasil

Nome comercialLaboratórioTipo
SerenataTorrent do Brasil Ltda.Similar
Cloridrato de SertralinaPrati Donaduzzi & Cia Ltda.Genérico
Cloridrato de SertralinaAché Laboratórios Farmacêuticos S.A.Genérico
Cloridrato de SertralinaGeolab Indústria Farmacêutica S.A.Genérico
TolrestAché Laboratórios Farmacêuticos S.A.Novo
RalzinPrati Donaduzzi & Cia Ltda.Similar
TolrestAché Laboratórios Farmacêuticos S.A.Similar
ZoloftViatris Farmacêutica do Brasil Ltda.Novo
Cloridrato de SertralinaGermed Farmacêutica Ltda.Genérico
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