Prednisona

Princípio ativo: PrednisonaClasse: Corticosteroide (anti-inflamatório e imunossupressor)Outros nomes: Meticorten · Ciclorten · Corticorten · Crispred · Flamape · Predinis · Ver lista completa de genéricos, similares e referências →Apresentações: ComprimidoDosagens: 5 mg · 20 mg
Revisado por Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 23 de agosto de 2026
Medicamento sujeito a prescrição médica. As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a orientação de um profissional de saúde. Não se automedique.

Indicações

O que é Prednisona

A prednisona é um corticosteroide sintético de uso oral, com ação anti-inflamatória, antirreumática e antialérgica potente. É usada em uma ampla gama de doenças que respondem ao tratamento com corticosteroides — desde doenças das glândulas, dos ossos e músculos, da pele e do sangue até doenças alérgicas, respiratórias, oftálmicas e alguns tumores. A bula descreve o tratamento com corticosteroide como complementar à terapia convencional da doença de base, e não como substituto dela.

Como funciona Prednisona

A prednisona é um esteroide adrenocortical sintético com propriedades predominantemente glicocorticoides — ou seja, imita a ação dos hormônios produzidos naturalmente pela glândula suprarrenal. Os glicocorticoides produzem efeitos metabólicos intensos e variados e modificam a resposta do sistema de defesa do organismo (resposta imunológica) a diferentes estímulos; em doses farmacológicas, são usados principalmente pelos seus efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores. A própria bula registra que os mecanismos de ação exatos permanecem incertos, embora os efeitos clínicos sejam bem conhecidos. A prednisona tomada por via oral é rapidamente convertida no fígado em prednisolona, que é a forma biologicamente ativa. Sua atividade mineralocorticoide (a que regula sal e água) é descrita como leve e sem significado clínico relevante — por isso a prednisona é inadequada como medicamento isolado no tratamento de condições em que possa haver insuficiência da glândula suprarrenal.

Para que serve Prednisona

Seguem as indicações de Prednisona:

  • Doenças das glândulas (endócrinas): insuficiência da glândula suprarrenal primária ou secundária (em conjunto com mineralocorticoides, quando necessário), hiperplasia adrenal congênita, tireoidite não supurativa (inflamação da tireoide sem pus) e hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue) associada a câncer.
  • Doenças dos ossos e músculos: como tratamento complementar por curto período na artrite reumatoide (para ajudar em episódio agudo ou piora), osteoartrite pós-traumática ou com sinovite (inflamação da membrana que reveste a articulação), artrite psoriática, espondilite anquilosante, crise aguda de gota, bursite aguda e subaguda, fibrosite, epicondilite, tenossinovite e miosite.
  • Doenças do colágeno (doenças autoimunes que afetam vários órgãos): durante piora ou como tratamento de manutenção em casos selecionados de lúpus eritematoso sistêmico, cardite reumática aguda (inflamação do coração), polimiosite e dermatomiosite.
  • Doenças da pele: pênfigo, dermatite bolhosa herpetiforme, eritema multiforme grave (síndrome de Stevens-Johnson), dermatite esfoliativa, micose fungoide, psoríase grave e dermatite seborreica grave.
  • Doenças alérgicas graves ou incapacitantes que não respondem ao tratamento convencional: rinite alérgica sazonal ou perene, pólipo nasal, asma brônquica (incluindo a crise grave conhecida como estado de mal asmático), dermatite de contato, dermatite atópica (neurodermatite) e reações a medicamentos ou a soro.
  • Doenças dos olhos: processos inflamatórios e alérgicos, agudos e crônicos, dos olhos e estruturas vizinhas — conjuntivite alérgica, ceratite, úlcera alérgica na borda da córnea, herpes-zóster oftálmico, irite e iridociclite, coriorretinite, inflamação do segmento anterior, uveíte posterior difusa e coroidite, neurite óptica e oftalmia simpática.
  • Doenças respiratórias: sarcoidose com sintomas, síndrome de Loeffler sem resposta aos tratamentos convencionais, beriliose e tuberculose pulmonar disseminada ou fulminante — nesta última, sempre acompanhada do tratamento antituberculose apropriado.
  • Doenças do sangue: trombocitopenia (redução das plaquetas) idiopática e secundária em adultos, anemia hemolítica adquirida (autoimune), eritroblastopenia e anemia hipoplástica congênita.
  • Tumores: como medicação paliativa no tratamento de leucemias e linfomas em adultos e de leucemia aguda em crianças.
  • Estados de inchaço (edema): para provocar aumento da urina (diurese) ou remissão da perda de proteína pela urina (proteinúria) na síndrome nefrótica sem uremia, de causa idiopática ou devida a lúpus eritematoso.
  • Outras condições: meningite tuberculosa com bloqueio ou risco de bloqueio do espaço subaracnoide, sempre acompanhada do tratamento antituberculose apropriado.

Quando começa a fazer efeito

A prednisona começa a ser convertida em prednisolona logo após a ingestão: os níveis de prednisolona já são mensuráveis meia hora depois da tomada por via oral. A bula não estabelece relação direta entre a quantidade de corticosteroide no sangue e o efeito terapêutico — os efeitos dos corticosteroides costumam persistir bem além do período em que o medicamento ainda é detectável no sangue.

Segundo a bula, a meia-vida biológica da prednisona é de 12 a 36 horas — bem mais longa que a meia-vida no sangue, de cerca de 3 horas —, e os efeitos de uma dose tomada pela manhã deixam de ser evidentes após cerca de 36 horas. É por isso que o medicamento pode ser prescrito em dose única matinal e, em quem precisa de tratamento prolongado, também em dias alternados — esquema que o médico decide caso a caso.

Contraindicações

  • Infecções sistêmicas por fungos (infecções por fungos espalhadas pelo corpo).
  • Alergia (hipersensibilidade) à prednisona, a outros corticosteroides ou a qualquer componente da fórmula do produto, incluindo reação incomum anterior a esses medicamentos.

Antes de usar

Informe seu médico antes de começar

Antes de iniciar, informe ao seu médico:

  • Se você tem qualquer infecção, ativa ou recente — o medicamento pode mascarar sinais de infecção e reduzir a resistência do organismo.
  • Se você tem ou já teve tuberculose, ou se o seu teste de tuberculina (PPD) foi positivo.
  • Se você tem infecção nos olhos causada pelo vírus herpes simples, pelo risco de perfuração da córnea.
  • Se você tem colite ulcerativa inespecífica (inflamação do intestino com ulceração), diverticulite (inflamação de pequenas bolsas que se formam no intestino) ou fez cirurgia intestinal recente.
  • Se você tem ou já teve úlcera no estômago ou no duodeno.
  • Se você tem insuficiência renal, pressão alta (hipertensão), osteoporose (diminuição de cálcio nos ossos) ou miastenia gravis (doença autoimune que causa fraqueza muscular).
  • Se você tem diabetes, glaucoma ou úlcera péptica ativa — nessas condições, os efeitos de uma dose excessiva podem ser mais sérios.
  • Se você tem hipotireoidismo ou cirrose (doença avançada do fígado), porque o efeito do corticosteroide é mais intenso nessas situações.
  • Se você tem suspeita ou diagnóstico de feocromocitoma (tumor da glândula suprarrenal).
  • Se você tem instabilidade emocional ou histórico de tendências psicóticas.
  • Se você tem síndrome de má-absorção de glicose-galactose — os comprimidos contêm lactose.
  • Se você está grávida, pretende engravidar, está amamentando ou é doadora de leite humano.
  • Se você precisa tomar alguma vacina ou realizar qualquer processo de imunização durante o tratamento.
  • Todos os medicamentos que você usa ou pretende usar, incluindo anti-inflamatórios, anticoagulantes, diuréticos, antidiabéticos, insulina, medicamentos para o coração, antifúngicos e antibióticos.

Sinais de alerta: quando parar e procurar ajuda médica

Crise de feocromocitoma

Crise de feocromocitoma, que pode ser fatal, foi relatada após a administração de corticosteroides pelo corpo todo (sistêmicos). Corticosteroides só devem ser administrados a pacientes com suspeita ou diagnóstico de feocromocitoma depois de uma avaliação apropriada de risco e benefício.

Infecções podem ser mascaradas ou surgir durante o tratamento

A prednisona pode mascarar alguns sinais de infecção, e novas infecções podem surgir durante o uso, por causa da diminuição da resistência do organismo. Durante o tratamento, pode haver queda da resistência ou dificuldade em localizar o foco da infecção. Procure o médico diante de febre, mal-estar ou qualquer sinal de infecção, ainda que discreto.

Contato com catapora (varicela) ou sarampo em quem usa doses elevadas

Quem está usando doses elevadas de prednisona deve evitar o contato com pessoas com varicela (catapora) ou sarampo. Se o contato acontecer, procure atendimento médico — a orientação vale especialmente para crianças.

Retirada rápida pode causar insuficiência da glândula suprarrenal

A interrupção rápida do tratamento pode provocar insuficiência suprarrenal secundária, ou seja, a glândula suprarrenal deixa de produzir corticosteroide em quantidade suficiente. Esse quadro pode ser evitado com a redução gradual da dose, e pode persistir por meses depois do fim do tratamento. Se, nesse período, ocorrer uma situação de sobrecarga de estresse (infecção grave, cirurgia, trauma), o médico deverá restabelecer ou aumentar o corticosteroide. Não interrompa o tratamento por conta própria.

Transtornos psíquicos

O uso de prednisona pode causar transtornos psíquicos e agravar condições pré-existentes de instabilidade emocional ou tendências psicóticas. Alterações do humor, irritabilidade acentuada, insônia, euforia e depressão grave com manifestações psicóticas estão entre as reações relatadas. Procure o médico se surgirem mudanças importantes de comportamento ou humor durante o tratamento.

Outras informações importantes

Riscos e monitoramento durante o tratamento

Efeitos nos olhos com o uso prolongado

O uso prolongado pode causar catarata subcapsular posterior (especialmente em crianças), glaucoma com risco de lesão do nervo óptico e aumento do risco de infecções secundárias nos olhos por fungos ou vírus. Entre em contato com o médico caso desenvolva visão turva ou outros distúrbios visuais: pode ser necessária avaliação por oftalmologista para investigar catarata, glaucoma ou condições raras como a corioretinopatia central serosa, já relatada com corticosteroides.

Pressão alta, retenção de sal e água e perda de potássio

A prednisona pode causar aumento da pressão arterial, retenção de sal e água e aumento da perda de potássio — efeitos que podem ocorrer tanto com doses altas quanto com doses habituais, embora a bula ressalve que são menos prováveis com os corticosteroides sintéticos, exceto em doses altas. Por isso, o médico poderá recomendar dieta com pouco sal e suplementação de potássio durante o tratamento. Todos os corticosteroides também aumentam a perda de cálcio pelo organismo.

Vacinas e imunizações durante o tratamento

Quem está em tratamento com prednisona não deve ser vacinado contra varíola nem receber outras formas de imunização, principalmente em uso de doses altas, pelos possíveis riscos de complicações neurológicas e pela ausência de resposta de anticorpos. A exceção é o uso do corticosteroide como terapia substitutiva — por exemplo, na doença de Addison —, situação em que os processos de imunização podem ser realizados normalmente.

Tuberculose ativa ou latente

O tratamento com prednisona na tuberculose ativa deve ficar restrito aos casos de tuberculose fulminante ou disseminada, sempre em associação com os medicamentos para tuberculose. Em pessoas com tuberculose latente ou com teste de tuberculina positivo, é necessária avaliação contínua, porque a doença pode ser reativada; nos tratamentos prolongados, esses pacientes devem receber tratamento preventivo contra a tuberculose. Se a rifampicina for usada nesse esquema preventivo, pode ser necessário ajustar a dose do corticosteroide.

Cuidados no dia a dia

O efeito do álcool somado ao dos corticosteroides pode aumentar a frequência ou a gravidade de úlceras no estômago e no duodeno.

O medicamento pode alterar o teste de nitroblue tetrazolium, usado para investigar infecções bacterianas, e produzir resultados falso-negativos. Informe que está em uso de prednisona antes de realizar exames laboratoriais.

Doping: Este medicamento pode causar doping.

Composição e alérgenos

Os comprimidos contêm lactose (um tipo de açúcar), em quantidade abaixo de 0,25 g por comprimido. O medicamento não deve ser usado por pessoas com síndrome de má-absorção de glicose-galactose.

Posologia

A dose é sempre individualizada pelo médico, de acordo com a doença específica, sua gravidade e a resposta de cada pessoa ao tratamento — não existe dose padrão da prednisona. Em adultos, a dose inicial pode variar de 5 mg a 60 mg por dia, dependendo da doença tratada: em situações de menor gravidade, doses mais baixas costumam ser suficientes; alguns pacientes precisam de doses iniciais mais altas. Em crianças, a dose inicial pode variar de 0,14 mg a 2 mg por quilo de peso por dia, ou de 4 mg a 60 mg por metro quadrado de superfície corporal por dia; as doses para bebês e crianças devem seguir as mesmas considerações usadas para adultos, em vez de obedecer rigidamente a índices de idade ou peso. A dose inicial deve ser mantida ou ajustada até que apareça uma resposta clínica favorável. Obtida essa resposta, o médico reduz a dose aos poucos, em pequenos decréscimos e em intervalos apropriados, até chegar à dose de manutenção — a menor dose que mantém a resposta clínica adequada. Em pacientes que precisam de tratamento prolongado, o médico pode indicar o uso em dias alternados. Se a doença não melhorar após um período razoável de tratamento, procure o médico: pode ser necessário descontinuar o medicamento e instituir outro tratamento. Situações de estresse não relacionadas à doença em tratamento podem exigir aumento temporário da dose. Caso ocorra um período de remissão espontânea em uma doença crônica, ou se o médico indicar a interrupção após uso prolongado, a retirada deve ser gradual, nunca abrupta.

Por peso corporal

Crianças — dose inicial

Dose por peso (mg/kg): 0.14–2 mg/kg

Frequência: Por dia, dependendo da doença em tratamento. Como alternativa, a bula prevê 4 mg a 60 mg por metro quadrado de superfície corporal por dia.

Como tomar — comprimido

Se o comprimido pode ser partido varia conforme a apresentação e o fabricante: confira na bula do medicamento em uso. As bulas variam — algumas descrevem o comprimido como sulcado e partível ao meio; outras determinam que ele seja engolido inteiro, sem partir, abrir nem mastigar. O sulco sozinho não autoriza a divisão: há comprimidos sulcados cuja bula orienta não parti-los, porque partir pode alterar a forma como o medicamento é liberado no organismo.

E se eu esquecer uma dose?

Se você esquecer de tomar o comprimido, tome-o assim que lembrar e então acerte o horário. Não tome dose dobrada para compensar a dose esquecida. Em caso de dúvidas, procure orientação do farmacêutico, do médico ou do cirurgião-dentista.

Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do médico. A retirada muito rápida pode provocar insuficiência da glândula suprarrenal. Quando o médico indicar a interrupção após uso prolongado, a dose será reduzida aos poucos.

Efeitos adversos

Reações indesejáveis podem ocorrer com o uso de Prednisona. A seguir, os eventos adversos organizados por frequência:

Possíveis

Imunológico/Alérgico: reações de hipersensibilidade ou anafilactoides e reações do tipo choque ou de pressão baixa (hipotensão); Dermatológico: retardo na cicatrização, atrofia da pele, pele fina e frágil, petéquias e equimoses (manchas vermelhas e/ou arroxeadas na pele), vermelhidão facial, transpiração excessiva, ausência de resposta em testes de pele, dermatite alérgica, urticária, edema angioneurótico (inchaço no rosto de origem alérgica); Cardiovascular: insuficiência cardíaca congestiva em pacientes suscetíveis, aumento da pressão arterial (hipertensão); Gastrointestinal: úlcera péptica com possível perfuração e hemorragia, pancreatite (inflamação do pâncreas), distensão abdominal, esofagite ulcerativa (inflamação com feridas no esôfago); Neurológico: convulsões, aumento da pressão dentro do crânio com papiledema (pseudotumor cerebral), geralmente após o tratamento, vertigem (tontura), cefaleia (dor de cabeça); Psiquiátrico: euforia, alterações do humor, depressão grave com manifestações psicóticas, alterações da personalidade, hiperirritabilidade, insônia; Metabólico/Endocrinológico: retenção de sódio, perda de potássio, alcalose hipocalêmica (aumento do pH do sangue com níveis baixos de potássio), retenção de fluidos, irregularidades menstruais, estado cushingoide (quadro decorrente do excesso de corticosteroide no organismo), supressão do crescimento do feto ou da criança, insuficiência suprarrenal ou hipofisária secundária, principalmente em casos de estresse (cirurgias, trauma ou doença), redução da tolerância aos carboidratos, manifestação de diabetes mellitus que estava latente, aumento da necessidade de insulina ou de antidiabéticos orais em pacientes diabéticos, balanço nitrogenado negativo por perda de proteína; Musculoesquelético: fraqueza muscular, miopatia corticosteroide (doença muscular causada pelo corticoide), perda de massa muscular, agravamento dos sintomas de miastenia gravis, osteoporose (diminuição do conteúdo de cálcio nos ossos), fraturas por compressão vertebral, necrose asséptica da cabeça do fêmur e do úmero, fratura patológica de ossos longos, ruptura de tendão; Oftálmico: catarata subcapsular posterior, aumento da pressão dentro dos olhos, glaucoma, exoftalmia (olhos saltados), visão turva.

A bula lista as reações relatadas — as mesmas descritas para outros corticosteroides — sem classificá-las pelas categorias formais de frequência (CIOMS) e sem percentuais. Segundo a bula, essas reações são relativas tanto à dose quanto à duração do tratamento e habitualmente podem ser revertidas ou minimizadas pela redução da dose, procedimento preferível à interrupção do medicamento. Informe ao médico, cirurgião-dentista ou farmacêutico o aparecimento de qualquer reação indesejável.

Esta lista não é exaustiva. Informe ao seu médico qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento.

O que fazer em caso de superdose

A bula descreve que uma superdose aguda de glicocorticoides, incluindo a prednisona, não deve levar a situações de risco de morte: exceto em doses extremas, é improvável que poucos dias de dose excessiva produzam resultados nocivos. O risco é maior em quem tem contraindicações específicas — diabetes mellitus, glaucoma ou úlcera péptica ativa — e em quem usa medicamentos como digitálicos (medicamentos para o coração), anticoagulantes cumarínicos ou diuréticos que aumentam a perda de potássio. Nessas situações, podem ocorrer retenção de fluidos, aumento da pressão arterial, tontura, dor de cabeça, aumento da glicose no sangue, aumento da necessidade de insulina ou de antidiabéticos orais em pacientes diabéticos e aumento da pressão dentro dos olhos, entre outros.

Em caso de uso de grande quantidade deste medicamento, procure rapidamente socorro médico e leve a embalagem ou a bula do medicamento, se possível. O médico poderá considerar a possibilidade de lavagem gástrica. O tratamento inclui manter o consumo adequado de líquidos e monitorar os eletrólitos no sangue e na urina, com atenção especial ao equilíbrio de sódio e potássio, corrigindo o desequilíbrio quando necessário. Complicações decorrentes dos efeitos metabólicos do corticosteroide, da própria doença de base ou de interações entre medicamentos devem ser conduzidas de forma apropriada.

0800 722 6001Disque-Intoxicação da Anvisa

Interações medicamentosas

Informe seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.

MedicamentoEfeitoCondutaSeveridade
Glicosídeos cardíacos (digitálicos)O uso com corticosteroides pode aumentar a possibilidade de arritmias (batimentos cardíacos irregulares) ou de intoxicação digitálica associada à queda do potássio no sangue.Avise o médico. É necessário acompanhamento com exames laboratoriais, principalmente a dosagem de potássio.MAIOR
Anti-inflamatórios não esteroides, incluindo o ácido acetilsalicílicoOs efeitos dos anti-inflamatórios não esteroides somados aos do corticosteroide podem resultar em aumento da frequência ou da gravidade de úlceras no estômago e no intestino.Evite associar por conta própria. Informe ao médico todos os anti-inflamatórios que você usa, inclusive os de venda livre.MAIOR
Fenobarbital, fenitoína, rifampicina e efedrinaEsses medicamentos podem aumentar o metabolismo dos corticosteroides, reduzindo o efeito terapêutico da prednisona. Quando a rifampicina é usada em um programa de prevenção da tuberculose, o efeito dela sobre o metabolismo do corticosteroide no fígado precisa ser considerado.Avise o médico se estiver usando algum desses medicamentos. Pode ser necessário ajustar a dose do corticosteroide.MODERADA
Cetoconazol, itraconazol, claritromicina, ritonavir e cobicistatePodem aumentar a concentração do corticosteroide no sangue e, com isso, o risco de efeitos colaterais pelo corpo todo (sistêmicos).O médico deve pesar o benefício do uso conjunto contra esse risco. Quando o uso conjunto for necessário, o paciente deve ser monitorado quanto aos efeitos colaterais sistêmicos dos corticosteroides.MODERADA
EstrogêniosPode haver exacerbação dos efeitos do corticosteroide.Pacientes em tratamento com corticosteroide e estrogênios devem ser observados quanto ao aumento dos efeitos do corticosteroide.MODERADA
Diuréticos depletores de potássioO uso conjunto pode intensificar a hipopotassemia (queda do potássio no sangue).Todos os pacientes em uso dessa associação devem ser acompanhados com exames laboratoriais, principalmente a dosagem de potássio.MODERADA
Anfotericina BOs corticosteroides podem potencializar a perda de potássio causada pela anfotericina B.Acompanhar com exames laboratoriais, com atenção à dosagem de potássio.MODERADA
Anticoagulantes cumarínicosO uso com corticosteroides pode aumentar ou diminuir o efeito anticoagulante.Pode haver necessidade de reajustar a dose do anticoagulante. Avise o médico e não altere doses por conta própria.MODERADA
Salicilatos e ácido acetilsalicílicoOs corticosteroides podem reduzir as concentrações de salicilato no sangue. Nas hipoprotrombinemias (redução de um fator de coagulação), o ácido acetilsalicílico deve ser usado com precaução quando associado a corticosteroides.Avise o médico se usa salicilatos. Pode ser necessário ajuste de dose e cautela adicional em distúrbios de coagulação.MODERADA
Insulina e antidiabéticos oraisO corticosteroide reduz a tolerância aos carboidratos e pode aumentar a necessidade de insulina ou de antidiabéticos orais em pessoas com diabetes.Quando os corticosteroides forem indicados para diabéticos, poderão ser necessários reajustes nas doses dos hipoglicemiantes. Monitore a glicemia conforme orientação médica.MODERADA
Somatotropina (hormônio do crescimento)O tratamento com glicocorticoides pode inibir a resposta à somatotropina.Avise o médico se estiver em uso de hormônio do crescimento.MODERADA

Uso em grupos especiais

Gravidez — categoria B

A bula classifica a prednisona na categoria B de risco na gravidez. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista. Como não existem estudos adequados sobre reprodução humana e corticosteroides, o uso em gestantes, em mulheres que amamentam ou em idade fértil exige que os possíveis benefícios sejam avaliados em relação aos riscos potenciais para a mãe e para o feto ou o lactente. Os corticosteroides atravessam a barreira da placenta. Foram relatados efeitos teratogênicos (malformações) em ratos com a prednisona, e a prednisolona mostrou-se teratogênica em camundongos, coelhos e hamsters — a malformação relatada predominantemente nesses estudos foi a fenda palatina. Recém-nascidos de mães que receberam doses substanciais de corticosteroides durante a gravidez devem ser observados quanto a sinais de hipoadrenalismo (produção insuficiente de hormônios pela suprarrenal), e os filhos de quem usou corticosteroides na gestação devem ser examinados com cuidado pela possibilidade rara de catarata congênita. As mulheres que utilizaram corticosteroides durante a gestação também devem ser observadas quanto à possibilidade de insuficiência adrenal pelo estresse do parto.

Amamentação

A prednisona pode passar para o leite materno. O uso deste medicamento no período da lactação ou na doação de leite humano depende da avaliação e do acompanhamento do médico ou do cirurgião-dentista — é o que a bula chama de uso criterioso. Informe ao médico se estiver amamentando.

Uso em crianças

A prednisona pode prejudicar o crescimento e inibir a produção natural de corticosteroide em lactentes e crianças. Por isso, o crescimento e o desenvolvimento dessas crianças devem ser acompanhados cuidadosamente durante tratamentos prolongados. A catarata subcapsular posterior associada ao uso prolongado também é descrita como especialmente relevante em crianças, e a orientação de evitar contato com varicela e sarampo em doses elevadas vale sobretudo para elas.

Doenças do fígado

A prednisona é convertida em prednisolona principalmente no fígado. Em pacientes com doença hepática aguda ou crônica, os níveis de prednisolona no sangue após a tomada por via oral foram significativamente menores do que em pessoas sem a doença. Por outro lado, a bula registra que o efeito dos corticosteroides ocorre de forma mais intensa em pacientes com cirrose (doença avançada do fígado) e também naqueles com hipotireoidismo. Avise o médico se tiver qualquer uma dessas condições.

Fertilidade

O tratamento com corticosteroides pode alterar a motilidade e o número de espermatozoides em alguns pacientes. A bula não relata estudos de reprodução e fertilidade com a prednisona; um estudo de um ano em cães mostrou que doses orais elevadas de prednisolona impedem o estro cíclico.

Perguntas frequentes

Para que serve a prednisona?

A prednisona é um corticosteroide usado no tratamento de doenças inflamatórias, alérgicas e autoimunes que respondem a corticoides. A bula lista indicações em doenças das glândulas (como a insuficiência da suprarrenal), dos ossos e músculos (artrite reumatoide, crise de gota, bursite), do colágeno (lúpus eritematoso sistêmico), da pele (pênfigo, psoríase grave), em alergias graves (asma brônquica, rinite alérgica, dermatite de contato), em doenças dos olhos, respiratórias (sarcoidose), do sangue (anemias autoimunes, queda de plaquetas) e, como medicação paliativa, em leucemias e linfomas.

A própria bula descreve o tratamento com corticosteroide como complementar à terapia convencional da doença de base, e não como substituto dela.

A prednisona é um anti-inflamatório?

Sim, a prednisona é um anti-inflamatório do tipo esteroide — um corticoide —, diferente dos anti-inflamatórios não esteroides como ibuprofeno, cetoprofeno e diclofenaco. A bula descreve que ela proporciona potente efeito anti-inflamatório, antirreumático e antialérgico.

A diferença importa na prática: o corticoide age sobre a resposta do sistema de defesa do organismo e, por isso, também reduz a imunidade, o que os anti-inflamatórios não esteroides não fazem. Um grupo não substitui o outro sem avaliação médica.

A prednisona é um antialérgico?

A prednisona tem efeito antialérgico potente, segundo a bula, mas não é um antialérgico do tipo anti-histamínico, como a loratadina ou a cetirizina. Ela é indicada no controle de condições alérgicas graves ou incapacitantes que não respondem ao tratamento convencional: rinite alérgica sazonal ou perene, pólipo nasal, asma brônquica (incluindo a crise grave conhecida como estado de mal asmático), dermatite de contato, dermatite atópica e reações a medicamentos ou a soro.

Ou seja, é reservada a quadros alérgicos mais sérios e sempre com prescrição — não é medicamento para uma alergia leve do dia a dia.

O que acontece com o corpo quando tomamos prednisona?

Quando você toma prednisona, o organismo passa a receber uma substância semelhante ao hormônio que a glândula suprarrenal produz naturalmente, o que reduz a inflamação e freia a resposta do sistema de defesa. A bula descreve que os glicocorticoides produzem efeitos metabólicos intensos e variados e modificam a resposta imunológica do organismo a diferentes estímulos.

Esses mesmos mecanismos explicam os efeitos indesejados descritos na bula: retenção de sal e água, perda de potássio, aumento da pressão arterial e do açúcar no sangue, queda da resistência a infecções e, no uso prolongado, perda de cálcio dos ossos e redução da produção natural de corticosteroide pela suprarrenal.

Prednisona e prednisolona são a mesma coisa?

Prednisona e prednisolona não são a mesma substância, mas estão diretamente ligadas: a prednisona tomada por via oral é rapidamente convertida no fígado em prednisolona, que é a forma biologicamente ativa. É o que descreve a bula.

As duas têm potência equivalente miligrama a miligrama: a prednisona é praticamente toda convertida, e a quantidade de prednisolona que chega ao organismo é semelhante tomando uma ou outra. Quando há doença do fígado, a bula registra que os níveis de prednisolona no sangue depois de tomar prednisona foram significativamente menores do que em pessoas sem a doença. Qual das duas usar, e em que dose, é decisão do médico.

Meticorten e prednisona são a mesma coisa?

Meticorten é o nome comercial de um medicamento cujo princípio ativo é a prednisona — é a marca de referência no Brasil, em comprimidos de 5 mg e 20 mg. A mesma substância é vendida como genérico, com o nome "prednisona" na caixa, e sob outras marcas registradas na ANVISA, como Ciclorten, Corticorten, Crispred, Flamape e Predinis.

Todas contêm a mesma substância ativa; o que muda é o fabricante, o preço e as apresentações disponíveis.

A prednisona é boa?

A prednisona é um corticosteroide de uso consagrado e com índices de eficácia elevados nas doenças em que é indicada — é assim que a bula resume a literatura disponível sobre o medicamento. O contrapeso é que os efeitos indesejados são frequentes e proporcionais à dose e ao tempo de uso, razão pela qual se trata de um medicamento de prescrição, e não de uso por conta própria.

É por isso também que a bula orienta usar a menor dose capaz de controlar a doença e reduzir essa dose gradualmente sempre que possível.

Qual a dose de prednisona?

A dose inicial de prednisona para adultos vai de 5 mg a 60 mg por dia, segundo a bula, e é sempre individualizada pelo médico conforme a doença, a gravidade e a resposta de cada pessoa — não existe dose padrão. Em situações de menor gravidade, doses mais baixas costumam bastar; alguns quadros exigem doses iniciais mais altas.

Depois que a resposta clínica aparece, a dose é reduzida em pequenos decréscimos até a chamada dose de manutenção, que é a menor dose capaz de manter o controle da doença. Em crianças, a dose inicial vai de 0,14 mg a 2 mg por quilo de peso por dia, ou de 4 mg a 60 mg por metro quadrado de superfície corporal por dia.

Quantos comprimidos de prednisona de 20 mg posso tomar por dia?

O número de comprimidos de prednisona 20 mg por dia é definido na prescrição: a faixa da bula para adultos, de 5 mg a 60 mg diários, comporta de um a três comprimidos de 20 mg, dependendo da doença tratada. Não existe um número que valha para todo mundo — 60 mg é o teto da dose inicial descrita na bula, não uma dose habitual.

Para doses que não são múltiplas de 20 mg, a prescrição costuma recorrer ao comprimido de 5 mg: partir o comprimido só é possível quando a bula do medicamento em uso permite. Não aumente nem reduza o número de comprimidos por conta própria.

Pode tomar 2 comprimidos de prednisona de 20 mg?

Tomar 2 comprimidos de prednisona de 20 mg equivale a 40 mg por dia, dose que cabe dentro da faixa da bula para adultos (5 mg a 60 mg diários) — mas só deve ser tomada se for exatamente o que o médico prescreveu. Como a bula orienta a tomada em dose única pela manhã, os dois comprimidos de um mesmo dia costumam ser tomados juntos, e não espalhados ao longo do dia; confirme na receita.

Dobrar por conta própria a dose prescrita não acelera a melhora e aumenta o risco de efeitos indesejados.

O que acontece se tomar prednisona de 12 em 12 horas?

A prednisona é indicada em dose única pela manhã, e não de 12 em 12 horas: a bula explica que evitar a fase noturna, em que o organismo é mais sensível, ajuda a reduzir a supressão da produção natural de corticosteroide pela glândula suprarrenal. Uma dose tomada à noite também tende a atrapalhar o sono, já que a insônia está entre as reações descritas.

Se a sua receita divide a dose ao longo do dia, siga a receita — há situações em que o médico opta por isso —, mas não mude o esquema por conta própria.

Qual o melhor horário para tomar prednisona?

O melhor horário para tomar prednisona é pela manhã, com um pouco de líquido — é o que a bula determina. A razão está na própria bula: a dose única matinal, evitando a fase noturna em que o organismo é mais sensível, ajuda a preservar a produção natural de corticosteroide pela suprarrenal.

Tomar de manhã reduz ainda a chance de insônia, uma das reações descritas para o medicamento.

Prednisona tem que tomar em jejum ou depois de comer?

A bula da prednisona não exige jejum nem refeição: a única instrução é tomar o comprimido com um pouco de líquido, pela manhã. Na prática, isso permite tomar junto com o café da manhã.

Como o corticoide aumenta o risco de úlcera no estômago e no duodeno, quem sente desconforto gástrico pode conversar com o médico ou o farmacêutico sobre tomar o comprimido após alguma refeição.

Pode partir o comprimido de prednisona?

Se o comprimido de prednisona pode ser partido depende da apresentação e do fabricante: confira na bula do medicamento em uso. A bula do medicamento de referência determina que o comprimido seja engolido inteiro, sem partir, abrir nem mastigar.

Um sulco no comprimido, sozinho, não autoriza a divisão — quem diz se aquele produto pode ou não ser partido é a bula dele, porque partir pode alterar a forma como o medicamento é liberado no organismo. Se a dose prescrita não corresponde a comprimidos inteiros, converse com o médico ou o farmacêutico: a prednisona também é fabricada em comprimidos de 5 mg.

Posso tomar prednisona 20 mg por 5 dias?

Tomar prednisona 20 mg por 5 dias é um ciclo curto que só deve ser feito com prescrição: a dose está dentro da faixa da bula para adultos (5 mg a 60 mg por dia), e a duração é definida pelo médico conforme a doença, já que a bula não fixa número de dias.

Em tratamentos curtos, de até cerca de duas semanas, costuma não ser necessário reduzir a dose aos poucos para encerrar, porque a supressão da glândula suprarrenal é improvável nesse intervalo. Ainda assim, quem decide se e como interromper é quem prescreveu.

Quantos dias devo tomar prednisona?

A duração do tratamento com prednisona é definida pelo médico — a bula não estabelece número de dias, porque ele depende da doença tratada e da resposta de cada pessoa. Há usos de poucos dias, como em crises alérgicas e asmáticas, e usos prolongados, de meses, em doenças crônicas.

A bula orienta que, se não houver resposta clínica satisfatória após um período razoável de tratamento, o medicamento seja descontinuado e outro tratamento instituído. E que, depois de uso prolongado, a retirada seja sempre gradual.

Esqueci de tomar a prednisona, o que devo fazer?

Se você esquecer de tomar a prednisona, tome o comprimido assim que lembrar e depois acerte o horário — e nunca tome dose dobrada para compensar a dose esquecida. É a orientação da bula.

Se o esquecimento for frequente e você estiver em tratamento prolongado, avise o médico: em corticoterapia contínua, falhas repetidas podem comprometer o controle da doença.

Posso parar de tomar prednisona de uma vez?

Parar a prednisona de uma vez após um tratamento prolongado pode provocar insuficiência da glândula suprarrenal, que deixa de produzir corticosteroide em quantidade suficiente — a bula descreve esse risco e orienta que a retirada seja feita com redução gradual da dose. Essa insuficiência pode persistir por meses depois do fim do tratamento e, se nesse período houver uma sobrecarga como infecção grave, cirurgia ou trauma, o médico precisa restabelecer ou aumentar o corticoide.

Em ciclos curtos, de poucos dias, interromper sem redução gradual costuma ser possível, mas a decisão é do médico. Não interrompa o tratamento por conta própria.

A prednisona vicia?

A prednisona não causa vício: ela não é uma substância sujeita a controle especial, não consta das listas da Portaria 344/1998 e é vendida com receita simples, sem retenção do receituário.

O que existe é uma dependência fisiológica do corticoide vindo de fora: no uso prolongado, a glândula suprarrenal reduz a própria produção de corticosteroide, e por isso a retirada precisa ser gradual, como a bula determina. É um fenômeno previsto e manejável, diferente de dependência química.

Quais são os efeitos colaterais da prednisona?

Os efeitos colaterais da prednisona descritos na bula incluem retenção de sódio e de líquidos, perda de potássio, aumento da pressão arterial, redução da tolerância ao açúcar, alterações do humor, irritabilidade e insônia, fraqueza muscular, pele fina e que demora a cicatrizar, manchas vermelhas ou arroxeadas na pele, dor de cabeça, tontura e maior facilidade para infecções. No uso prolongado somam-se osteoporose e fraturas, catarata, glaucoma, estado cushingoide (o quadro decorrente do excesso de corticosteroide no organismo), irregularidades menstruais e supressão do crescimento em crianças.

A bula acrescenta duas informações importantes: essas reações dependem tanto da dose quanto da duração do tratamento, e habitualmente podem ser revertidas ou minimizadas pela redução da dose — conduta preferível à interrupção do medicamento e que cabe ao médico definir.

A prednisona engorda?

A prednisona pode levar a ganho de peso, principalmente por retenção de líquidos e, no uso prolongado, pela redistribuição de gordura característica do estado cushingoide — as duas coisas constam da bula, entre as reações adversas. O aumento do apetite, que esta bula não menciona, é efeito bem documentado dos corticoides orais e contribui para o ganho de peso mesmo em ciclos curtos.

O efeito depende da dose e do tempo de uso, e boa parte da retenção de líquidos regride depois do fim do tratamento. A dieta com pouco sal que o médico pode recomendar durante o tratamento ajuda a conter a retenção.

A prednisona incha o rosto?

O inchaço do rosto associado à prednisona aparece sobretudo no uso prolongado e faz parte do estado cushingoide, o quadro decorrente do excesso de corticosteroide no organismo, descrito na bula entre as reações adversas. A retenção de sal e de água, também descrita, contribui para o inchaço, e a bula registra ainda vermelhidão facial entre as reações da pele.

É um efeito relacionado à dose e ao tempo de uso, e tende a regredir com a redução da dose — o que não deve ser feito por conta própria.

A prednisona baixa a imunidade?

Sim, a prednisona baixa a imunidade: a bula descreve que o medicamento diminui a resistência do organismo, pode mascarar sinais de infecção e permitir que novas infecções surjam durante o uso, além de dificultar a localização do foco de uma infecção já existente.

Por isso a bula orienta que quem usa doses elevadas evite contato com pessoas com catapora (varicela) ou sarampo e procure atendimento médico caso o contato aconteça — recomendação que vale especialmente para crianças. Febre, mal-estar ou qualquer sinal de infecção durante o tratamento merecem avaliação médica, ainda que discretos.

A prednisona dá insônia?

A insônia está entre as reações psiquiátricas descritas na bula da prednisona, ao lado de euforia, alterações do humor, irritabilidade acentuada, alterações da personalidade e, em casos graves, depressão com manifestações psicóticas. Tomar o comprimido pela manhã, como a bula orienta, ajuda a reduzir o efeito sobre o sono.

Se o sono ficar muito prejudicado ou surgirem mudanças importantes de comportamento e humor, procure o médico: a bula alerta que o corticoide pode agravar quadros pré-existentes de instabilidade emocional ou tendências psicóticas.

A prednisona aumenta a pressão?

A prednisona pode aumentar a pressão arterial, junto com retenção de sal e água e aumento da perda de potássio — efeitos que, segundo a bula, podem ocorrer tanto com doses altas quanto com doses habituais, ainda que sejam menos prováveis com corticoides sintéticos fora das doses altas. Por isso o médico pode recomendar dieta com pouco sal e suplementação de potássio durante o tratamento.

Quem já tem hipertensão está entre as pessoas que a bula manda tratar com precaução: avise o médico antes de começar e mantenha a pressão monitorada durante o uso.

Quem tem diabetes pode tomar prednisona?

Quem tem diabetes pode usar prednisona com acompanhamento médico, mas o corticoide reduz a tolerância aos carboidratos e pode aumentar a necessidade de insulina ou de antidiabéticos orais — a bula prevê que sejam necessários reajustes nas doses desses medicamentos. Ela descreve ainda que o corticoide pode revelar um diabetes que estava latente, ou seja, que ainda não havia se manifestado.

O diabetes é também uma das condições em que a bula considera mais sérias as consequências de uma dose excessiva. Monitorar a glicemia com mais atenção durante o tratamento faz parte do cuidado.

Quanto tempo a prednisona demora para fazer efeito?

A prednisona começa a ser convertida em prednisolona logo depois de engolida: a bula registra que os níveis de prednisolona já são mensuráveis meia hora após a tomada, com pico entre 1 e 3 horas. Isso não significa alívio dos sintomas nesse intervalo — a bula é explícita ao dizer que não há relação demonstrada entre a quantidade de corticoide no sangue e o efeito terapêutico, e que os efeitos persistem bem além do período em que o medicamento ainda é detectável.

O tempo até a melhora depende da doença tratada, e é o médico quem avalia se a resposta foi satisfatória depois de um período razoável de tratamento.

Quanto tempo a prednisona fica no organismo?

A prednisona tem meia-vida no sangue de cerca de 3 horas, mas meia-vida biológica de 12 a 36 horas, segundo a bula — ou seja, o efeito dura bem mais do que a permanência do medicamento na circulação. A bula acrescenta que os efeitos de uma dose tomada pela manhã deixam de ser evidentes após cerca de 36 horas.

É justamente essa diferença que permite tomar o medicamento em dose única diária e, em tratamentos prolongados, em dias alternados, quando o médico assim indicar.

Pode dirigir tomando prednisona?

A bula da prednisona não traz restrição para dirigir, e o medicamento não provoca sonolência como os sedativos. Ainda assim, tontura, dor de cabeça e visão turva estão entre as reações descritas, e convém não dirigir enquanto algum desses sintomas estiver presente.

Diante de visão turva ou de outro distúrbio visual, a orientação da bula é procurar o médico: pode ser necessária avaliação com oftalmologista, já que o uso prolongado se associa a catarata e glaucoma.

Quando não devo tomar prednisona?

A prednisona é contraindicada para quem tem infecções sistêmicas por fungos (infecções por fungos espalhadas pelo corpo) e para quem já teve alergia ou reação incomum à prednisona, a outros corticosteroides ou a qualquer componente da fórmula. São as duas contraindicações absolutas da bula.

Há ainda situações que exigem avaliação antes de começar: infecção ativa ou recente, tuberculose ou teste de tuberculina positivo, herpes nos olhos, úlcera no estômago ou no duodeno, colite ulcerativa, diverticulite, cirurgia intestinal recente, insuficiência renal, pressão alta, osteoporose, miastenia gravis, diabetes, glaucoma, hipotireoidismo, cirrose, suspeita de feocromocitoma e histórico de instabilidade emocional ou tendências psicóticas.

Os comprimidos contêm lactose e não devem ser usados por quem tem síndrome de má-absorção de glicose-galactose.

Grávida pode tomar prednisona?

Grávidas não devem usar prednisona sem orientação médica ou do cirurgião-dentista: a bula classifica o medicamento na categoria B de risco na gravidez e determina que os possíveis benefícios sejam avaliados diante dos riscos potenciais para a mãe e para o feto. Não existem estudos adequados sobre reprodução humana com corticosteroides, e essas substâncias atravessam a barreira da placenta.

Em animais foram relatados efeitos teratogênicos — a malformação mais descrita nos estudos com prednisona e prednisolona foi a fenda palatina. Recém-nascidos de mães que receberam doses substanciais durante a gravidez devem ser observados quanto a sinais de produção insuficiente de hormônios pela suprarrenal, e as mães, quanto à insuficiência adrenal pelo estresse do parto.

Quem está amamentando pode tomar prednisona?

A prednisona pode passar para o leite materno, e a bula classifica o uso durante a amamentação como criterioso: depende da avaliação e do acompanhamento do médico ou do cirurgião-dentista. A mesma regra vale para doadoras de leite humano.

Informe que está amamentando antes de iniciar o tratamento — a decisão pesa o benefício para a mãe contra os riscos potenciais para o bebê.

Criança pode tomar prednisona?

Crianças podem tomar prednisona: a bula prevê uso pediátrico, com dose inicial de 0,14 mg a 2 mg por quilo de peso por dia, ou de 4 mg a 60 mg por metro quadrado de superfície corporal por dia, sempre definida pelo médico. A orientação da bula é que as doses para bebês e crianças sigam as mesmas considerações usadas para adultos, em vez de obedecer rigidamente a índices de idade ou de peso.

Em tratamentos prolongados, o crescimento e o desenvolvimento precisam ser acompanhados de perto, porque o corticoide pode prejudicar o crescimento e inibir a produção natural de corticosteroide. A catarata associada ao uso prolongado é descrita como especialmente relevante em crianças, e a orientação de evitar contato com catapora e sarampo em doses elevadas vale sobretudo para elas.

Idoso pode tomar prednisona?

Idosos podem tomar prednisona, e a bula não traz ajuste de dose nem seção específica para essa faixa etária. O que ela lista são precauções que se concentram justamente em condições frequentes depois dos 60 anos: pressão alta, diabetes, osteoporose, glaucoma, catarata e úlcera no estômago ou no duodeno — todas passíveis de agravamento pelo corticoide.

A saúde dos ossos merece atenção especial: o risco de fratura associado ao corticoide aumenta já nos primeiros meses de uso e acompanha a dose, o que costuma motivar avaliação óssea e suplementação de cálcio e vitamina D em quem vai usar por tempo prolongado — conduta que o médico define caso a caso.

O que não se pode tomar junto com prednisona?

A bula da prednisona pede atenção especial a fenobarbital, fenitoína, rifampicina e efedrina (que aceleram a eliminação do corticoide e reduzem seu efeito); a cetoconazol, itraconazol, claritromicina, ritonavir e cobicistate (que aumentam a concentração do corticoide no sangue e o risco de efeitos indesejados); a diuréticos que fazem perder potássio; a medicamentos do coração do grupo dos digitálicos; à anfotericina B; aos anticoagulantes cumarínicos; aos salicilatos e ao ácido acetilsalicílico; à insulina e aos antidiabéticos orais; aos estrogênios; e ao hormônio do crescimento.

Anti-inflamatórios não esteroides e álcool merecem menção à parte: somados ao corticoide, aumentam a frequência e a gravidade de úlceras no estômago e no duodeno.

Informe ao médico todos os medicamentos que você usa ou pretende usar, inclusive os de venda livre.

Pode tomar prednisona com dipirona?

A dipirona não está entre as interações listadas na bula da prednisona. Ela também não é um anti-inflamatório não esteroide, e o risco de sangramento no estômago associado a ela é bem menor que o desses medicamentos — embora não seja nulo: um estudo com mais de mil pessoas internadas por sangramento digestivo encontrou um aumento pequeno do risco com a dipirona, contra riscos muito maiores com anti-inflamatórios como o piroxicam.

Isso não dispensa a orientação médica: informe ao médico ou ao farmacêutico tudo o que estiver tomando, sobretudo se você tem histórico de úlcera.

Pode tomar prednisona com anti-inflamatório?

Associar prednisona a anti-inflamatórios não esteroides — como ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco, nimesulida e o ácido acetilsalicílico — aumenta a frequência e a gravidade de úlceras no estômago e no intestino, segundo a bula. Por isso a associação não deve ser feita por conta própria.

A bula acrescenta que o corticoide pode reduzir a concentração de salicilato no sangue e que o ácido acetilsalicílico exige precaução adicional em quem tem redução de fatores de coagulação. Quando o médico entende que a associação é necessária, ela é feita sob acompanhamento.

Pode beber álcool tomando prednisona?

Beber álcool durante o tratamento com prednisona aumenta a frequência e a gravidade de úlceras no estômago e no duodeno — o efeito do álcool se soma ao do corticoide, como registra a bula. Não há descrição de que o álcool anule o efeito do medicamento: o risco descrito é o gástrico.

O cuidado é maior para quem já teve úlcera, usa anti-inflamatórios ou está em tratamento prolongado.

A prednisona corta o efeito do anticoncepcional?

A prednisona não corta o efeito do anticoncepcional — não há na bula qualquer descrição de perda da eficácia contraceptiva, e a interação documentada corre no sentido inverso: os estrogênios podem exacerbar os efeitos do corticoide no organismo, motivo pelo qual a bula orienta que quem usa os dois seja observado.

Na prática, isso significa que a pílula pode intensificar os efeitos da prednisona, e não que ela deixe de proteger contra a gravidez. Avise ao médico que usa anticoncepcional.

Quem toma prednisona pode tomar vacina?

Quem está em tratamento com prednisona não deve ser vacinado contra varíola, e outras imunizações também devem ser evitadas, principalmente em doses altas — a bula cita o risco de complicações neurológicas e a ausência de resposta de anticorpos. A exceção descrita é o uso do corticoide como terapia substitutiva, por exemplo na doença de Addison, situação em que a imunização pode ser feita normalmente.

Na prática brasileira, considera-se imunossupressora a dose de 20 mg ou mais de prednisona por dia em adultos (ou 2 mg por quilo por dia em crianças) mantida por mais de duas semanas: nesse caso, as vacinas de vírus ou bactérias vivos — febre amarela, tríplice viral, varicela, BCG e pólio oral, entre outras — ficam contraindicadas até cerca de um mês depois do fim do tratamento. Doses menores, ciclos curtos e corticoides inalatórios ou tópicos não contraindicam a vacinação.

Leve a receita à sala de vacinação e confirme com o médico antes de vacinar.

Pode usar prednisona para gripe?

A prednisona não é indicada para gripe nem para resfriado: infecções virais das vias aéreas superiores não estão entre as indicações da bula, e o corticoide não age contra o vírus. Uma revisão sistemática Cochrane sobre corticoide no resfriado comum não encontrou nenhum ensaio clínico que tivesse testado o corticoide por via oral, e os ensaios com corticoide aplicado no nariz não mostraram benefício. Como o medicamento reduz a resistência do organismo e pode mascarar sinais de infecção, usá-lo por conta própria num quadro respiratório pode atrapalhar mais do que ajudar.

O que a bula prevê em doenças respiratórias são situações específicas: asma brônquica, incluindo a crise grave; sarcoidose com sintomas; síndrome de Loeffler sem resposta a outros tratamentos; e tuberculose pulmonar disseminada ou fulminante, sempre acompanhada do tratamento antituberculose. Quem avalia se o seu caso é um desses é o médico.

Quem tem sinusite pode tomar prednisona?

A sinusite não está entre as indicações da bula da prednisona. O corticoide oral chega a ser usado por alguns médicos como tratamento adjuvante em casos selecionados de sinusite aguda, por poucos dias e sempre associado ao antibiótico: uma revisão sistemática Cochrane encontrou benefício modesto e de curto prazo nessa combinação, com a ressalva de que a evidência é limitada. Usado sozinho, sem antibiótico, o corticoide oral não se mostrou eficaz na sinusite aguda.

A bula lista, entre as indicações alérgicas, a rinite alérgica sazonal ou perene e o pólipo nasal — quadros que podem ser confundidos com sinusite e que exigem diagnóstico médico.

A prednisona solta catarro?

A prednisona não é expectorante e não solta catarro: o que ela faz é reduzir a inflamação das vias aéreas, o que pode diminuir o inchaço e facilitar a respiração em quadros como a asma brônquica, indicação prevista na bula. A sensação de que a secreção "soltou" costuma vir dessa redução da obstrução, e não de uma ação sobre o catarro em si.

Se o catarro é o sintoma que mais incomoda, o tratamento adequado depende da causa e precisa ser avaliado pelo médico.

Referências

  1. Bula do profissional — Meticorten (prednisona), comprimidos 5 mg e 20 mg. Organon Farmacêutica Ltda. Registro ANVISA nº 1.0029.0189. Versão METICORTEN_BU18_032022_VPS; a data de aprovação não é informada na linha mais recente do histórico de alteração da bula (Anexo B) — a notificação datada mais recente é de 19/09/2023.
  2. Bula do paciente — Meticorten (prednisona), comprimidos 5 mg e 20 mg. Organon Farmacêutica Ltda. Registro ANVISA nº 1.0029.0189. Versão METICORTEN_BU18_032022_VP; a data de aprovação não é informada na linha mais recente do histórico de alteração da bula (Anexo B) — a notificação datada mais recente é de 19/09/2023.
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  8. Tavares LCP, Caetano LVN, Ianhez M. Efeitos adversos da corticoterapia sistêmica crônica: o que o dermatologista deve saber. An Bras Dermatol. 2024;99(2):259-68. doi:10.1016/j.abdp.2023.11.012
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Revisão médica: Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 23 de agosto de 2026

Genéricos, similares e referências disponíveis no Brasil

Nome comercialLaboratórioTipo
MeticortenOrganon Farmacêutica Ltda.Referência
PrednisonaInstituto Biochimico Indústria Farmacêutica Ltda.Genérico
PrednisonaGermed Farmacêutica Ltda.Genérico
CiclortenEMS S.A.Similar
PrednisonaEMS S.A.Genérico
CrispredCristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda.Similar
PrednisonaVitamedic Indústria Farmacêutica Ltda.Genérico
PrednisonaPrati Donaduzzi & Cia Ltda.Genérico
PrednisonaAché Laboratórios Farmacêuticos S.A.Genérico
PrednisonaMultilab Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda.Genérico
PrednisonaUnião Química Farmacêutica Nacional S.A.Genérico
PrednisonaLaboratório Globo SaGenérico
PrednisonaHipolabor Farmacêutica Ltda.Genérico
FlamapeLaboratório Globo SaSimilar
CorticortenBrainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.Similar
PredinisLegrand Pharma Indústria Farmacêutica Ltda.Similar
PrednisonaSanofi Medley Farmacêutica Ltda.Genérico
PrednisonaBrainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.Genérico
PrednisonaLegrand Pharma Indústria Farmacêutica Ltda.Genérico