Indicações
O que é Fluconazol
O fluconazol é um medicamento antifúngico de uso oral, da classe dos azólicos (triazóis), usado para tratar e prevenir infecções por fungos — desde micoses superficiais (pele, unha, vagina) até infecções fúngicas graves e sistêmicas (candidíase invasiva, criptococose, meningite criptocócica), em pacientes com e sem imunossupressão.
Como funciona Fluconazol
O fluconazol bloqueia a produção do ergosterol, um esteroide essencial da membrana das células fúngicas. Ele inibe seletivamente uma enzima do fungo (lanosterol 14-alfa-desmetilase, dependente do citocromo P-450 fúngico), o que provoca acúmulo de precursores tóxicos e perda de ergosterol — a célula fúngica deixa de crescer e morre. Por essa enzima ser muito mais específica nos fungos do que em humanos, o efeito sobre as células do paciente é pequeno em doses terapêuticas.
Para que serve Fluconazol
Seguem as indicações de Fluconazol:
- Candidíase vaginal aguda e recorrente, e balanite (infecção fúngica da glande peniana) por Candida — em dose única oral.
- Profilaxia da candidíase vaginal recorrente (três ou mais episódios por ano), em dose mensal.
- Dermatomicoses (micoses na pele e anexos): Tinea pedis (pé de atleta), Tinea corporis, Tinea cruris (micose virilha) e infecções cutâneas por Candida.
- Onicomicose (Tinea unguium) — micose das unhas.
- Candidíase orofaríngea e esofágica, incluindo profilaxia da recidiva em pessoas vivendo com HIV.
- Candidíase oral atrófica crônica associada ao uso de próteses dentárias, quando a higiene oral e o tratamento tópico não forem suficientes.
- Candidíase sistêmica e invasiva (candidemia, candidíase disseminada, infecções de peritônio, endocárdio, olhos, trato urinário e pulmonar) — em pacientes com câncer, em UTI, em uso de quimioterapia ou imunossupressores.
- Criptococose, incluindo meningite criptocócica e infecções pulmonares e cutâneas, com ou sem imunossupressão; e tratamento de manutenção para prevenir recidiva em pessoas vivendo com HIV.
- Profilaxia de infecções fúngicas em pacientes imunocomprometidos (pessoas vivendo com HIV, pacientes em quimioterapia ou radioterapia para doenças malignas).
Quando começa a fazer efeito
O fluconazol atinge a concentração máxima no sangue entre 0,5 e 1,5 hora após a tomada oral. A melhora dos sintomas geralmente começa cerca de 24 horas após a primeira dose, mas o desaparecimento completo pode levar alguns dias.
Meia-vida plasmática longa, em torno de 30 horas (faixa 20–50 horas). Essa permanência é o que permite esquemas em dose única (candidíase vaginal, balanite) e dose semanal (dermatomicoses, onicomicose).
Contraindicações
- Alergia conhecida ao fluconazol, a outros antifúngicos da mesma classe química (azólicos — como cetoconazol, miconazol, itraconazol, voriconazol, entre outros) ou a qualquer componente da fórmula.
- Aleitamento materno e doação de leite humano — o fluconazol é excretado em altas concentrações no leite (cerca de 98% da concentração plasmática) e pode causar reações no bebê.
- Uso simultâneo com cisaprida, astemizol, pimozida, quinidina ou eritromicina — combinações que prolongam o intervalo QT e podem desencadear arritmias graves.
- Uso simultâneo com terfenadina em doses de fluconazol iguais ou superiores a 400 mg por dia — pelo mesmo mecanismo de prolongamento do QT.
Antes de usar
Informe seu médico antes de começar
Antes de iniciar, informe ao seu médico:
- Se você já teve reação alérgica ao fluconazol ou a outros antifúngicos azólicos (cetoconazol, itraconazol, voriconazol, miconazol).
- Se você tem doença do coração — especialmente arritmia, insuficiência cardíaca, frequência cardíaca baixa (bradicardia) ou síndrome do QT longo congênito (alteração no eletrocardiograma que pode levar a arritmia grave).
- Se você sabe que tem nível baixo de potássio ou de magnésio no sangue, pois aumenta o risco de arritmia grave.
- Se você tem doença do fígado ou do rim, mesmo leve — o fluconazol é eliminado principalmente pelos rins e metabolizado pelo fígado.
- Se você está grávida, suspeita estar grávida ou planeja engravidar. Mulheres em idade fértil devem usar contracepção eficaz durante o tratamento e por cerca de uma semana após a última dose.
- Se você está amamentando ou pretende doar leite humano — o uso é contraindicado.
- Se você vive com HIV, fez ou fará transplante de órgãos, ou está em quimioterapia — pessoas imunocomprometidas têm mais chance de desenvolver reações graves de pele.
- Todos os medicamentos que você usa, incluindo anticoagulantes (varfarina), medicamentos para o coração (amiodarona, quinidina), antialérgicos (terfenadina, astemizol), antibióticos (eritromicina, rifampicina, rifabutina), estatinas (sinvastatina, atorvastatina), imunossupressores (ciclosporina, tacrolimo, sirolimo), anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina), antidepressivos tricíclicos (amitriptilina), benzodiazepínicos, antidiabéticos orais (sulfonilureias), tolvaptano, ibrutinibe, lurasidona, e medicamentos para HIV (zidovudina, saquinavir).
Sinais de alerta: quando parar e procurar ajuda médica
O fluconazol pode prolongar o intervalo QT no eletrocardiograma e, em casos raros, desencadear Torsade de Pointes — uma arritmia ventricular grave que pode levar a morte súbita. O risco é maior em pessoas com doença estrutural do coração, insuficiência cardíaca avançada, frequência cardíaca baixa, alterações de potássio ou magnésio, ou em uso de medicamentos que também prolongam o QT, como amiodarona, eritromicina, quinidina, cisaprida, astemizol, pimozida ou terfenadina. Se você usa algum destes, avise seu médico antes de começar o tratamento — alguns não podem ser combinados, outros exigem ajuste.
Em caso de palpitações, tontura intensa, desmaio ou dor no peito durante o tratamento, procure avaliação médica — especialmente se você se enquadra em alguma das condições acima.
O fluconazol pode causar reações cutâneas graves e potencialmente fatais: síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica (NET) e reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS). Pessoas vivendo com HIV têm risco aumentado. Suspenda o medicamento e procure atendimento de urgência ao primeiro sinal de: erupção cutânea com bolhas, descamação ou feridas, lesões dolorosas em boca, olhos ou genitais, febre acompanhada de erupção, descamação extensa da pele ou inchaço facial.
Reações alérgicas graves (anafilaxia, angioedema) já foram relatadas com fluconazol, embora sejam raras. Manifestações iniciais incluem urticária generalizada, falta de ar, chiado no peito, inchaço de lábios, língua ou garganta e queda de pressão. É uma emergência: procure atendimento imediatamente.
O fluconazol é metabolizado pelo fígado e há relatos raros de toxicidade hepática grave, incluindo hepatite, necrose das células do fígado, insuficiência hepática e óbito. Não há relação clara com dose, duração, sexo ou idade — o quadro pode ocorrer em qualquer ponto do tratamento e geralmente é reversível com a suspensão. Procure o médico imediatamente diante de náuseas e vômitos persistentes, perda de apetite, urina escura, fezes claras, coloração amarelada da pele ou do branco dos olhos (icterícia), coceira generalizada ou dor na parte superior direita do abdome.
Outras informações importantes
Riscos e monitoramento durante o tratamento
Casos reversíveis de insuficiência da glândula adrenal foram relatados com o fluconazol e com outros azólicos (como o cetoconazol). É um efeito raro, e os sintomas — quando aparecem — costumam ser inespecíficos. Em uso prolongado, mal-estar persistente ou inexplicado merece avaliação médica. Atenção especial em pacientes que usam corticoides (como prednisona) há muito tempo: ao suspender o fluconazol após uso prolongado em conjunto, pode ocorrer crise adrenal aguda, pois o fluconazol estava reduzindo a metabolização do corticoide. A suspensão deve ser sempre acompanhada pelo médico nesses casos.
Algumas espécies de Candida apresentam resistência ao fluconazol — Candida krusei e a emergente Candida auris são intrinsecamente resistentes; Candida glabrata tem suscetibilidade reduzida. Na candidíase vaginal e na balanite tratadas com dose única, os sintomas geralmente começam a melhorar em 24 horas. Se a infecção não tiver melhorado em até uma semana, ou se piorar a qualquer momento, procure o médico — pode ser necessário trocar para outro antifúngico.
Cuidados no dia a dia
Condução de veículos: **Cápsula de 100 mg:** durante o tratamento podem ocorrer tonturas e, em casos incomuns, convulsões. Prefira não dirigir veículos nem operar máquinas até saber como o medicamento afeta você. **Cápsula de 150 mg:** segundo a bula, a cápsula de 150 mg não compromete a capacidade de dirigir ou operar máquinas. Ainda assim, tonturas e, em casos incomuns, convulsões estão listadas como possíveis reações adversas — se ocorrerem, evite dirigir até se sentir bem.
Composição e alérgenos
A cápsula contém lactose (em quantidade abaixo de 0,25 g por cápsula). Não deve ser usada por pessoas com a rara síndrome de má-absorção de glicose-galactose, intolerância hereditária à galactose ou deficiência de lactase de Lapp.
A cápsula de 100 mg contém os corantes azul brilhante, vermelho allura AC (INS 129), dióxido de titânio e óxido de ferro preto. A cápsula de 150 mg contém os mesmos corantes, exceto o vermelho allura AC. Pessoas com alergia confirmada a algum desses corantes devem evitar o medicamento ou conversar com o médico antes de usar.
Posologia
A dose, a frequência e a duração do tratamento dependem da indicação, da gravidade da infecção, da idade e da função dos rins. Em adultos, esquemas comuns vão desde dose oral única (150 mg para candidíase vaginal ou balanite) até 400 mg/dia em infecções graves. Em micoses de pele e unhas, usa-se dose semanal (150 mg). Em crianças, a dose é calculada por peso (3 a 12 mg/kg/dia) e a dose diária máxima de adultos não deve ser ultrapassada. Pacientes com insuficiência renal precisam de ajuste de dose conforme o clearance de creatinina. Em pacientes imunocomprometidos, esquemas de profilaxia variam de 50 a 400 mg/dia, conforme o risco de infecção. Veja os esquemas detalhados por indicação abaixo.
Por indicação
Dose inicial: 150 mg em dose única oral
Dose máxima: 150 mg em dose única
Duração: Dose única
Observações: Resposta clínica esperada em poucos dias; manter higiene íntima usual. Procurar reavaliação se os sintomas não melhorarem.
Dose inicial: 150 mg em dose única oral, 1 vez por mês
Dose máxima: 150 mg por dose
Duração: De 4 a 12 meses, conforme avaliação médica
Observações: Algumas pacientes podem precisar de regime mais frequente, definido pelo médico.
Dose inicial: 150 mg por via oral, 1 vez por semana
Dose máxima: 150 mg por dose
Duração: De 2 a 4 semanas (Tinea pedis pode requerer até 6 semanas)
Observações: Tomar sempre no mesmo dia da semana. Não interromper antes do prazo, mesmo com melhora dos sintomas.
Dose inicial: 150 mg por via oral, 1 vez por semana
Dose máxima: 150 mg por dose
Duração: Manter até a substituição completa da unha infectada — 3 a 6 meses para unhas das mãos e 6 a 12 meses para unhas dos pés
Observações: A velocidade de crescimento da unha varia; mesmo com sucesso, a unha pode permanecer com algum grau de deformidade.
Dose inicial: 50 a 100 mg por via oral, 1 vez ao dia
Dose máxima: 100 mg/dia (em imunocomprometidos pode-se estender a duração do tratamento, não a dose)
Duração: 7 a 14 dias, podendo ser estendido em pacientes com imunossupressão
Observações: Para candidíase oral atrófica associada a próteses dentárias: 50 mg/dia por 14 dias, com medidas locais de antissepsia da prótese.
Dose inicial: 50 a 100 mg por via oral, 1 vez ao dia
Dose máxima: 100 mg/dia
Duração: 14 a 30 dias
Observações: Em pessoas vivendo com HIV, após a terapia primária, pode-se manter 150 mg em dose única semanal para prevenir recidiva.
Dose inicial: 400 mg no primeiro dia (dose de ataque)
Dose de manutenção: 200 a 400 mg/dia
Duração: Conforme resposta clínica e parâmetros laboratoriais
Observações: A dose inicial após o ataque costuma ser 200 mg/dia. O aumento para 400 mg/dia depende da resposta clínica avaliada pelo médico. Em casos graves, a via inicial costuma ser intravenosa em ambiente hospitalar (apresentação fora do escopo desta página).
Dose inicial: 400 mg no primeiro dia
Dose de manutenção: 200 a 400 mg/dia
Dose máxima: 400 mg/dia
Duração: No mínimo 6 a 8 semanas para meningite, conforme resposta clínica e micológica
Observações: Em pessoas vivendo com HIV, manutenção crônica com 200 mg/dia para prevenir recidiva, por tempo indeterminado.
Dose inicial: 50 a 400 mg/dia, conforme o risco
Dose máxima: 400 mg/dia (pacientes com neutropenia profunda ou prolongada)
Duração: Iniciar alguns dias antes do início estimado da neutropenia e manter por 7 dias após a contagem de neutrófilos ultrapassar 1.000 células/mm³
Dose inicial: Dose de ataque opcional de 6 mg/kg no primeiro dia
Dose de manutenção: 3 mg/kg, 1 vez ao dia
Dose máxima: Não exceder a dose diária máxima de adultos
Duração: Conforme resposta clínica e micológica
Dose inicial: 6 a 12 mg/kg, 1 vez ao dia, conforme gravidade
Dose de manutenção: 6 a 12 mg/kg, 1 vez ao dia
Dose máxima: Não exceder a dose diária máxima de adultos
Duração: Conforme resposta clínica
Observações: Para profilaxia em imunocomprometidos pediátricos: 3 a 12 mg/kg/dia, conforme extensão e duração da neutropenia.
Dose inicial: Mesma dose por kg usada em crianças maiores
Dose de manutenção: Nas duas primeiras semanas: a cada 72 horas. Na 3ª e 4ª semana: a cada 48 horas
Dose máxima: Não exceder a dose diária máxima de adultos
Duração: Conforme resposta clínica
Observações: A excreção do fluconazol é mais lenta no recém-nascido — daí o intervalo maior entre doses. Esta posologia aplica-se a recém-nascidos a termo. Bebês prematuros podem apresentar meia-vida ainda mais prolongada e seguem esquema diferenciado em ambiente hospitalar — não abordado nesta página.
Como tomar — comprimido
A cápsula não deve ser partida, aberta ou mastigada — engolir inteira.
E se eu esquecer uma dose?
Se esquecer uma dose, tome assim que lembrar. Se já estiver próximo do horário da próxima dose, pule a dose esquecida e mantenha o esquema normal — nunca duplique a dose para compensar. Em esquemas semanais ou mensais, retomar no próximo intervalo programado. O esquecimento da dose pode comprometer a eficácia do tratamento.
Não interromper o tratamento por conta própria, mesmo com melhora dos sintomas. Suspender antes do prazo pode permitir a volta da infecção e favorecer resistência fúngica. Em esquemas longos (onicomicose, profilaxia, manutenção em pessoas vivendo com HIV), seguir rigorosamente a duração indicada pelo médico.
Efeitos adversos
Reações indesejáveis podem ocorrer com o uso de Fluconazol. A seguir, os eventos adversos organizados por frequência:
Reações comuns (entre 1% e 10% dos pacientes)
Reações incomuns (entre 0,1% e 1% dos pacientes)
Reações raras (entre 0,01% e 0,1% dos pacientes)
Frequência não conhecida (não estimável pelos dados disponíveis)
Esta lista não é exaustiva. Informe ao seu médico qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento.
Interações medicamentosas
Informe seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.
| Medicamento | Efeito | Conduta | Severidade |
|---|---|---|---|
| Cisaprida | Aumenta o risco de prolongamento do intervalo QT e Torsade de Pointes. A combinação está formalmente contraindicada na bula. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Astemizol | O fluconazol pode reduzir o clearance do astemizol, elevando suas concentrações plasmáticas e o risco de prolongamento do QT e Torsade de Pointes. A combinação é contraindicada. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Pimozida | O fluconazol pode inibir o metabolismo da pimozida, aumentando suas concentrações e o risco de prolongamento do QT e Torsade de Pointes. A combinação é contraindicada. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Quinidina | O fluconazol pode inibir o metabolismo da quinidina, com risco de prolongamento do QT e Torsade de Pointes. A combinação é contraindicada. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Eritromicina | A combinação aumenta o risco de cardiotoxicidade (prolongamento do QT, Torsade de Pointes) e morte súbita cardíaca. A combinação é contraindicada. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Terfenadina (em doses de fluconazol ≥ 400 mg/dia) | Fluconazol em doses de 400 mg/dia ou mais aumenta significativamente os níveis plasmáticos da terfenadina, com risco de arritmias graves. A combinação é contraindicada nessas doses; em doses menores, exige monitoramento cuidadoso. | Associação não recomendada | CONTRAINDICADA |
| Amiodarona | Pode aumentar o prolongamento do intervalo QT, sobretudo com doses altas de fluconazol (800 mg). | Evitar a combinação. Se imprescindível, monitorar eletrocardiograma e usar a menor dose efetiva de fluconazol. | MAIOR |
| Lemborexante | O fluconazol aumenta as concentrações de lemborexante em cerca de 4 vezes, ampliando o risco de sonolência excessiva. | Evitar o uso concomitante. | MAIOR |
| Anticoagulantes orais (varfarina) | O fluconazol aumenta o tempo de protrombina/INR e o risco de sangramento (hematomas, epistaxe, sangramento gastrointestinal, hematúria, melena). | Monitorar INR de perto durante o tratamento concomitante e ajustar a dose do anticoagulante conforme orientação. | MAIOR |
| Ciclosporina | Aumento significativo das concentrações sanguíneas e da AUC da ciclosporina, com risco de toxicidade. | Monitorar níveis séricos de ciclosporina e ajustar a dose conforme necessário. | MAIOR |
| Tacrolimo | O fluconazol pode aumentar em até 5 vezes as concentrações séricas de tacrolimo (uso oral), com risco de nefrotoxicidade. Pouco efeito na via intravenosa. | Monitorar níveis séricos de tacrolimo e função renal; reduzir a dose do tacrolimo conforme orientação. | MAIOR |
| Estatinas (sinvastatina, atorvastatina, fluvastatina) | Aumento dose-dependente do risco de miopatia e rabdomiólise (lesão muscular grave com elevação da creatinoquinase). | Monitorar sinais de dor muscular e creatinoquinase; reduzir a dose da estatina ou suspender se houver suspeita de miopatia. | MAIOR |
| Ibrutinibe | Aumento das concentrações sanguíneas de ibrutinibe e risco de toxicidade. | Evitar a combinação. Se imprescindível, reduzir a dose de ibrutinibe conforme bula e acompanhar de perto. | MAIOR |
| Olaparibe | Aumento das concentrações plasmáticas de olaparibe. | O uso concomitante não é recomendado. Se inevitável, limitar a dose de olaparibe a 200 mg duas vezes ao dia. | MAIOR |
| Tolvaptano | Aumento de 200% na AUC e 80% na Cmáx do tolvaptano, com risco aumentado de eventos renais (alteração da diurese, desidratação, insuficiência renal aguda). | Reduzir a dose de tolvaptano e tratar com cautela. Monitorar função renal e diurese. | MAIOR |
| Voriconazol | Aumento da Cmáx (57%) e da AUC (79%) do voriconazol; o efeito persiste mesmo com redução de dose. | Não é recomendada a coadministração de fluconazol com voriconazol em qualquer dose. | MAIOR |
| Fentanila | O fluconazol reduz o clearance da fentanila e prolonga sua meia-vida, podendo elevar suas concentrações plasmáticas. Há relato de caso fatal por intoxicação em uso concomitante. Concentrações elevadas podem causar depressão respiratória. | Evitar a combinação quando possível. Se necessária, reduzir a dose da fentanila e monitorar de perto sinais de depressão respiratória. | MAIOR |
| Halofantrina | Aumento da concentração plasmática, com risco de prolongamento do QT. | Evitar a combinação. | MAIOR |
| Benzodiazepínicos (midazolam, triazolam) | Aumento das concentrações sanguíneas e dos efeitos psicomotores (sedação, prejuízo da coordenação e do nível de consciência). O efeito é mais pronunciado com midazolam oral. | Considerar redução da dose do benzodiazepínico e monitorar sedação. | MODERADA |
| Celecoxibe | Aumento da Cmáx (68%) e da AUC (134%) do celecoxibe. | Considerar reduzir a dose de celecoxibe à metade durante o uso concomitante. | MODERADA |
| Ivacaftor | Aumento de cerca de 3 vezes na exposição ao ivacaftor. | Reduzir a dose de ivacaftor conforme orientação da bula do ivacaftor. | MODERADA |
| Lurasidona | Aumento das concentrações plasmáticas de lurasidona. | Se imprescindível, reduzir a dose conforme bula da lurasidona. | MODERADA |
| Fenitoína | O fluconazol inibe o metabolismo hepático da fenitoína, com risco de toxicidade. | Monitorar níveis séricos de fenitoína e sinais clínicos de toxicidade. | MODERADA |
| Carbamazepina | Aumento de cerca de 30% nos níveis séricos da carbamazepina, com risco de toxicidade. | Ajustar a dose da carbamazepina conforme níveis séricos e resposta clínica. | MODERADA |
| Amitriptilina, nortriptilina | O fluconazol aumenta o efeito da amitriptilina e da nortriptilina. | Monitorar níveis quando aplicável e ajustar dose. Atenção a sintomas anticolinérgicos e sedação. | MODERADA |
| Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs — ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, meloxicam, lornoxicam, flurbiprofeno) | Aumento da exposição sistêmica dos AINEs metabolizados pela CYP2C9 (Cmáx e AUC do flurbiprofeno aumentados em 23% e 81%; ibuprofeno, 15% e 82%). | Monitorar eventos adversos relacionados aos AINEs (gastrointestinais, renais, cardiovasculares); pode ser necessário ajuste de dose. | MODERADA |
| Bloqueadores do canal de cálcio (nifedipino, anlodipino, isradipino, verapamil, felodipino) | Aumento da exposição sistêmica e potencial intensificação do efeito hipotensor. | Monitorar pressão arterial e ajustar dose se necessário. | MODERADA |
| Losartana | O fluconazol inibe a conversão de losartana em seu metabólito ativo (E-3174), podendo reduzir o efeito anti-hipertensivo. | Monitorar pressão arterial. | MODERADA |
| Sulfonilureias (clorpropamida, glibenclamida, glipizida, tolbutamida) | Prolongamento da meia-vida sérica das sulfonilureias e aumento do risco de hipoglicemia. | Monitorar a glicemia e considerar redução da dose da sulfonilureia. | MODERADA |
| Rifampicina | Reduz em cerca de 25% a AUC do fluconazol e diminui sua meia-vida em 20%, com risco de subdose. | Considerar aumento da dose de fluconazol durante o uso concomitante. | MODERADA |
| Rifabutina | Aumento dos níveis séricos de rifabutina em até 80%, com relatos de uveíte. | Monitorar sintomas oculares (dor, vermelhidão, visão turva) e ajustar conduta. | MODERADA |
| Teofilina | Redução de 18% no clearance da teofilina, com risco de toxicidade em pacientes com altas doses. | Monitorar sinais de toxicidade por teofilina (taquicardia, agitação, convulsões) e ajustar dose se necessário. | MODERADA |
| Zidovudina | Aumento da Cmáx (84%) e da AUC (74%) da zidovudina, com prolongamento da meia-vida em ~128%. | Monitorar reações adversas relacionadas à zidovudina (anemia, mielossupressão); considerar redução de dose. | MODERADA |
| Saquinavir | Aumento da AUC (~50%) e da Cmáx (~55%) do saquinavir. | Pode ser necessário ajuste de dose de saquinavir. | MODERADA |
| Abrocitinibe, tofacitinibe | O fluconazol aumenta a exposição do abrocitinibe em 155% e também aumenta a exposição do tofacitinibe (sem valor numérico documentado na bula). | Ajustar a dose do JAKi conforme bula do medicamento. | MODERADA |
| Sirolimo | Aumento das concentrações plasmáticas. | Monitorar níveis séricos e ajustar dose conforme efeito. | MODERADA |
| Alfentanila | O fluconazol reduz o clearance e o volume de distribuição da alfentanila, prolongando sua meia-vida — provavelmente por inibição da CYP3A4. | Pode ser necessário ajuste da dose da alfentanila. Monitorar resposta clínica. | MODERADA |
| Metadona | O fluconazol pode aumentar a concentração sérica da metadona. | Pode ser necessário ajuste da dose da metadona. Monitorar resposta clínica e sinais de depressão respiratória. | MODERADA |
| Ciclofosfamida | Aumento de bilirrubina sérica e creatinina sérica. | Monitorar função hepática e renal. | MODERADA |
| Alcaloides da vinca (vincristina, vimblastina) | Possível aumento dos níveis plasmáticos e neurotoxicidade. | Monitorar sinais de neurotoxicidade. | MODERADA |
| Ácido retinoico todo-trans (tretinoína) | Há relato de caso de pseudotumor cerebral (hipertensão intracraniana sem lesão estrutural) em paciente em uso de tretinoína junto com fluconazol — quadro reversível com a suspensão do fluconazol. | Atenção a sintomas como cefaleia persistente, visão borrada, náuseas; suspender ambos se ocorrer. | MODERADA |
| Prednisona | O fluconazol aumenta o metabolismo da prednisona durante o uso concomitante; sua suspensão pode desencadear insuficiência adrenocortical aguda em pacientes em uso prolongado. | Em uso prolongado da combinação, monitorar função adrenocortical ao retirar o fluconazol. | MODERADA |
| Hidroclorotiazida | Aumento de cerca de 40% nas concentrações plasmáticas de fluconazol. | Geralmente não requer ajuste de dose do fluconazol. | MENOR |
| Contraceptivos orais combinados | Em doses de fluconazol até 200 mg/dia, aumentos modestos da AUC de etinilestradiol (40%) e levonorgestrel (24%); pouco provável que comprometa a eficácia contraceptiva. | A dose única de 150 mg usada para candidíase vaginal não compromete a eficácia da pílula anticoncepcional. Em uso prolongado ou em doses iguais ou superiores a 200 mg/dia, manter atenção e considerar método contraceptivo de barreira complementar durante o tratamento. | MENOR |
Uso em grupos especiais
Gestação (Categoria C)
Categoria C de risco na gravidez. O uso durante a gestação deve ser EVITADO, exceto em infecções fúngicas graves ou potencialmente fatais, quando o benefício para a mãe supera o risco para o feto. Há relatos de aborto espontâneo e anormalidades congênitas em filhos de mulheres expostas a 150 mg de fluconazol como dose única ou repetida no primeiro trimestre. Doses elevadas (400–800 mg/dia) por 3 meses ou mais foram associadas a um padrão característico e raro de malformações congênitas (braquicefalia, fácies anormal, fenda palatina, fêmur curvado, costelas e ossos longos finos, artrogripose, doença cardíaca congênita). Mulheres em idade fértil devem usar contracepção eficaz durante todo o tratamento e por cerca de uma semana (5 a 6 meias-vidas) após a última dose.
Lactação e doação de leite humano
O fluconazol é encontrado no leite materno em concentrações próximas às do plasma (cerca de 98%); a exposição estimada para o lactente é de aproximadamente 0,39 mg/kg/dia, equivalente a cerca de 40% da dose neonatal recomendada (para bebês com menos de 2 semanas de vida) ou 13% da dose pediátrica recomendada para candidíase de mucosa em crianças maiores. A bula brasileira contraindica o uso durante a amamentação. Ainda assim, em alguns casos específicos — como candidíase mamária — o médico pode considerar prescrever o fluconazol, avaliando individualmente o balanço entre risco e benefício. Não interrompa nem inicie o uso por conta própria; siga sempre orientação médica.
Crianças e adolescentes
A apresentação de 100 mg pode ser usada em adultos e crianças, com dose calculada por peso (3 a 12 mg/kg/dia, conforme indicação e gravidade). Em recém-nascidos, o fluconazol é eliminado mais lentamente: nas duas primeiras semanas de vida, administra-se a cada 72 horas; entre a 3ª e 4ª semanas, a cada 48 horas. A apresentação de 150 mg em dose única (candidíase vaginal e balanite) não é recomendada para crianças e adolescentes menores de 18 anos, exceto sob supervisão médica. Em esquemas semanais para dermatomicoses, o uso pediátrico também deve ser orientado individualmente pelo médico. A dose diária máxima de adultos não deve ser ultrapassada em crianças.
Pacientes idosos
Em idosos, a meia-vida do fluconazol tende a ser mais longa (cerca de 46 horas) e o clearance renal é menor, refletindo a redução natural da função dos rins. Quando não há evidência de insuficiência renal, manter a dose habitual. Em idosos com clearance de creatinina abaixo de 50 mL/min, ajustar a dose conforme a tabela de insuficiência renal. A apresentação de 150 mg em dose única não é recomendada para pacientes acima de 60 anos exceto sob supervisão médica.
Insuficiência hepática
O fluconazol é metabolizado pelo fígado e há relatos raros de toxicidade hepática grave, incluindo casos fatais. Em pacientes com disfunção hepática, o uso requer acompanhamento médico estrito e exames laboratoriais periódicos da função hepática. Suspender o medicamento ao menor sinal sugestivo de lesão (icterícia, náuseas e vômitos persistentes, urina escura, fezes claras, dor abdominal alta).
Insuficiência renal
O fluconazol é eliminado principalmente pelos rins (cerca de 80% inalterado na urina). Para tratamentos de dose ÚNICA (candidíase vaginal, balanite), não é necessário ajuste. Para esquemas de doses múltiplas: clearance > 50 mL/min, dose habitual; clearance ≤ 50 mL/min sem diálise, reduzir a dose subsequente para 50% após uma dose inicial usual; pacientes em hemodiálise recebem 100% da dose recomendada após cada sessão e, nos dias sem diálise, recebem dose reduzida conforme o clearance de creatinina (50% da dose habitual).
Fertilidade e contracepção
Estudos em animais não mostraram comprometimento da fertilidade em doses terapêuticas. Mulheres em idade fértil em tratamento (especialmente em esquemas com doses altas ou prolongadas) devem usar contracepção eficaz durante todo o tratamento e por aproximadamente uma semana após a última dose, devido ao risco de teratogenicidade demonstrado em relatos de casos com doses altas no primeiro trimestre.
Perguntas frequentes
Para que serve o fluconazol?
O fluconazol é um antifúngico aprovado pela ANVISA para tratar infecções causadas por fungos, principalmente as do gênero Candida. Suas indicações principais são candidíase vaginal, balanite por Candida (infecção fúngica na glande), candidíase oral (popularmente conhecida como sapinho), candidíase esofágica e dermatomicoses como Tinea pedis (frieira), Tinea corporis, Tinea cruris (micose de virilha) e onicomicose (micose de unha). Também é usado em infecções fúngicas mais graves, como criptococose e candidíase sistêmica, geralmente em ambiente hospitalar. Atua impedindo a produção de ergosterol, componente essencial da membrana das células do fungo.
Fluconazol é antibiótico?
Não. O fluconazol é um antifúngico, não um antibiótico. Antibióticos atuam contra bactérias; o fluconazol atua contra fungos e leveduras, especialmente do gênero Candida. Pertence à classe dos antifúngicos triazólicos. Por isso não tem efeito sobre infecções bacterianas como infecção urinária, amigdalite bacteriana ou pneumonia, e usá-lo sem indicação correta não trata essas condições.
Como tomar fluconazol para candidíase?
Para candidíase vaginal aguda, a posologia padrão do fluconazol segundo a bula ANVISA é uma dose única oral de 150 mg. Em casos de candidíase recorrente (três ou mais episódios por ano), o esquema pode envolver 150 mg no primeiro dia, repetir após três dias e depois manter uma dose semanal ou mensal por até seis meses, conforme orientação médica. Para candidíase oral (sapinho), a dose habitual é de 50 a 100 mg uma vez ao dia por 7 a 14 dias. A cápsula pode ser tomada com ou sem alimentos — a absorção não é afetada pela refeição. O ideal é seguir exatamente o que o ginecologista ou clínico prescreveu, especialmente em quadros de repetição.
Como usar o fluconazol para micose de unha?
Para micose de unha (onicomicose), a bula ANVISA recomenda uma dose única semanal de fluconazol 150 mg, mantida até que a unha infectada seja totalmente substituída pelo crescimento saudável. O tratamento costuma durar de 3 a 6 meses para unhas das mãos e de 6 a 12 meses para unhas dos pés, porque a velocidade de crescimento ungueal varia muito de pessoa para pessoa. Mesmo após o tratamento eficaz, a unha pode permanecer deformada por bastante tempo. Por ser um tratamento longo e que sobrecarrega o fígado, deve sempre ser feito sob acompanhamento médico, com avaliação clínica e, em alguns casos, exames hepáticos.
Posso tomar 2 comprimidos de fluconazol de uma vez?
Não, não se deve tomar 2 comprimidos de fluconazol de 150 mg de uma vez. A dose padrão para candidíase vaginal aguda é uma única cápsula de 150 mg, e tomar duas juntas não acelera o efeito nem aumenta a chance de cura — apenas eleva o risco de efeitos colaterais e sobrecarga hepática. Em casos de candidíase recorrente ou infecções mais difíceis, o médico pode prescrever doses repetidas (por exemplo, uma cápsula no dia 1 e outra no dia 4), mas sempre uma de cada vez, em dias diferentes. Dobrar a dose por conta própria não é seguro.
1 comprimido de fluconazol resolve?
Sim, 1 comprimido de fluconazol de 150 mg costuma resolver a maioria dos casos de candidíase vaginal aguda não complicada. Estudos clínicos mostram taxas de cura clínica acima de 85% com a dose única oral, comparáveis ou superiores aos antifúngicos vaginais tópicos. Os sintomas (coceira, ardência, corrimento esbranquiçado) costumam melhorar em 24 a 48 horas e desaparecer ao longo de poucos dias. Se os sintomas persistirem após uma semana ou voltarem em curto intervalo, a candidíase pode ser recorrente ou causada por uma espécie de Candida menos sensível ao fluconazol, como C. glabrata — nesses casos o médico avalia outra estratégia.
Quantos dias o fluconazol começa a fazer efeito?
O fluconazol começa a fazer efeito entre 24 e 48 horas após a primeira dose. O alívio da coceira e da ardência costuma vir antes da resolução completa do corrimento, que pode levar alguns dias para sumir. Isso acontece porque o medicamento, mesmo absorvido rapidamente, precisa atingir concentrações eficazes nos tecidos infectados para destruir o fungo. A meia-vida longa do fluconazol é justamente o que permite que uma dose única mantenha ação por vários dias. Se passadas 72 horas não houver nenhuma melhora, vale procurar avaliação médica para descartar outra causa do quadro.
Quanto tempo leva para matar o fungo?
O fluconazol leva alguns dias a algumas semanas para matar o fungo, dependendo do tipo de infecção. Em candidíase vaginal aguda, a erradicação microbiológica costuma ocorrer entre 7 e 14 dias após a dose única de 150 mg. Em micoses de pele (Tinea), o tempo varia de 2 a 6 semanas com doses semanais. Em onicomicose, o fungo pode ser eliminado em semanas, mas a unha só volta ao normal depois de meses, conforme o crescimento natural. Em candidíase sistêmica, o tratamento é mais longo e hospitalar. A "morte do fungo" não é instantânea — o fluconazol bloqueia a multiplicação, e o sistema imune ajuda a eliminar o que sobra.
Quantos dias demora para a candidíase ir embora?
A candidíase vaginal costuma ir embora entre 3 e 7 dias após a dose única de fluconazol 150 mg. A coceira e a ardência geralmente cedem nas primeiras 24 a 48 horas, e o corrimento esbranquiçado característico desaparece ao longo da primeira semana. Em quadros mais intensos ou recorrentes, o tempo pode ser maior, e o médico pode prescrever uma segunda cápsula 72 horas depois da primeira. Se os sintomas não melhorarem em uma semana, é importante voltar à consulta — o quadro pode não ser candidíase, ou pode envolver uma espécie de Candida resistente ao fluconazol.
O fluconazol expulsa o corrimento?
O fluconazol não "expulsa" o corrimento no sentido literal — ele elimina o fungo que está causando o corrimento, e o corpo se encarrega de eliminar o conteúdo restante naturalmente. Nas primeiras 24 a 72 horas após a dose, é comum que o corrimento aumente temporariamente ou mude de aspecto, o que costuma ser interpretado como "expulsão" do fungo. Esse fenômeno reflete a descamação das células infectadas e a saída do material vaginal acumulado. O corrimento típico da candidíase (esbranquiçado, em grumos) tende a reduzir progressivamente até desaparecer ao longo da primeira semana.
Fluconazol pode ser usado na gravidez?
O fluconazol não deve ser usado na gravidez sem orientação médica, principalmente no primeiro trimestre. É classificado pela ANVISA como categoria C de risco gestacional, e estudos associam o uso oral de fluconazol no primeiro trimestre — sobretudo em doses cumulativas elevadas — a um aumento no risco de malformações congênitas, como defeitos cardíacos e musculoesqueléticos. Para candidíase vaginal em gestantes, a primeira escolha são antifúngicos vaginais tópicos (como clotrimazol ou miconazol em creme), que praticamente não são absorvidos pelo organismo. A decisão sobre usar ou não fluconazol durante a gravidez deve sempre ser do obstetra, avaliando risco e benefício caso a caso.
Quem está amamentando pode tomar fluconazol?
O fluconazol é considerado compatível com a amamentação em dose única terapêutica, segundo o site e-lactancia e referências brasileiras de farmacologia em lactação. O medicamento passa para o leite materno em concentrações próximas às do plasma materno, mas a quantidade absorvida pelo bebê é menor do que a dose pediátrica usada em recém-nascidos com infecção fúngica, e por isso é considerada segura. Vale destacar que a bula brasileira é mais conservadora e recomenda evitar o uso na amamentação sem orientação médica. Na prática, a decisão deve ser tomada com o pediatra ou ginecologista, considerando idade do bebê e tipo de infecção materna.
Fluconazol corta o efeito do anticoncepcional?
Não, o fluconazol não corta o efeito do anticoncepcional oral em uso pontual. Estudos farmacocinéticos não mostraram redução clinicamente relevante da eficácia contraceptiva com a dose única de 150 mg ou tratamentos curtos. A confusão é antiga e aparece em bulas mais conservadoras, mas a evidência atual indica que pílulas combinadas, injetáveis e demais hormonais mantêm sua ação. Em tratamentos prolongados ou com doses altas (como em micose de unha por meses), a interação teórica com o metabolismo hepático justifica conversar com o ginecologista, mas não há recomendação rotineira de método contraceptivo de barreira complementar para o uso curto contra candidíase.
Pode beber álcool tomando fluconazol?
Não há interação direta entre fluconazol e álcool, mas o consumo é desaconselhado durante o tratamento. O motivo é que tanto o fluconazol quanto o álcool são metabolizados pelo fígado, e o uso simultâneo aumenta a sobrecarga hepática e o risco de efeitos colaterais como náusea, dor abdominal e dor de cabeça. Em tratamento de dose única para candidíase, um consumo moderado isolado dificilmente trará prejuízo, mas o ideal é evitar bebida alcoólica nas 48 a 72 horas seguintes à cápsula. Em tratamentos prolongados (micose de unha, candidíase recorrente), o consumo regular deve ser evitado pelo risco cumulativo sobre o fígado.
Qual o risco de tomar muito fluconazol?
O principal risco de tomar muito fluconazol é a toxicidade hepática, que pode variar de elevação leve das enzimas do fígado até hepatite medicamentosa grave em casos raros. Doses muito altas também já foram associadas a relatos de alucinações e comportamento paranoide. Outros efeitos do uso excessivo incluem náusea, vômito, diarreia, dor abdominal, dor de cabeça e reações de pele. O fluconazol é um inibidor de enzimas hepáticas e em doses elevadas potencializa a interação com vários outros medicamentos, como anticoagulantes, anticonvulsivantes e fármacos que prolongam o intervalo QT no coração. Em caso de ingestão acidental de quantidade muito acima do prescrito, procure atendimento médico imediatamente.
Qual é a diferença entre secnidazol e fluconazol?
A principal diferença entre secnidazol e fluconazol é que eles tratam infecções completamente diferentes. O fluconazol é um antifúngico triazólico, indicado contra fungos do gênero Candida (candidíase vaginal, oral, micoses de pele e unha). O secnidazol é um nitroimidazólico antiparasitário e antibacteriano, usado para tricomoníase (infecção sexualmente transmissível por Trichomonas vaginalis), vaginose bacteriana por Gardnerella, giardíase e amebíase. Ou seja: secnidazol não trata candidíase, e fluconazol não trata tricomoníase nem vaginose bacteriana. Quando há corrimento misto (candidíase + vaginose, por exemplo), o ginecologista pode prescrever os dois em conjunto, mas com indicações distintas.
Fluconazol precisa de receita?
Sim, o fluconazol é tarja vermelha e a venda exige receita médica. Como é um antifúngico de ação sistêmica, com metabolismo hepático intenso e potencial de interagir com diversos medicamentos, a ANVISA classifica como medicamento sob prescrição. O uso indiscriminado favorece o surgimento de Candida resistente, mascara outras causas de corrimento (como vaginose bacteriana ou tricomoníase, que não respondem ao fluconazol) e aumenta o risco de efeitos adversos hepáticos. Mesmo em casos repetidos de candidíase, o ideal é a avaliação médica antes de repetir o medicamento, para confirmar o diagnóstico e descartar fatores que estejam alimentando a recorrência.
Referências
- Bula do profissional — Zoltec (fluconazol), cápsula dura 100 mg. Pfizer Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.2110.0424. Versão ZTCCAP_27, aprovada em 29/10/2025.
- Bula do paciente — Zoltec (fluconazol), cápsula dura 100 mg. Pfizer Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.2110.0424. Versão ZTCCAP_27, aprovada em 29/10/2025.
- Bula do profissional — Zoltec (fluconazol), cápsula dura 150 mg. Pfizer Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.2110.0424. Versão ZTC150_25, aprovada em 29/10/2025.
- Bula do paciente — Zoltec (fluconazol), cápsula dura 150 mg. Pfizer Brasil Ltda. Registro ANVISA nº 1.2110.0424. Versão ZTC150_25, aprovada em 29/10/2025.
Revisão médica: Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 07 de maio de 2026
Genéricos, similares e referências disponíveis no Brasil
| Nome comercial | Laboratório | Tipo |
|---|---|---|
| Fluconazol | EMS S.A. | Genérico |
| Fluconazol | Geolab Indústria Farmacêutica S.A. | Genérico |
| Fluconazol | Belfar Ltda. | Genérico |
| Fluconazol | Vitamedic Indústria Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Zelix | Arese Pharma Ltda. | Similar |
| Fluconazol | Prati Donaduzzi & Cia Ltda. | Genérico |
| Fluconazol | Germed Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Flucol | Belfar Ltda. | Similar |
| Fluconazol | Medquimica Indústria Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Fluconid | Vitamedic Indústria Farmacêutica Ltda. | Similar |
| Pronazol | Diffucap - Chemobrás Química e Farmacêutica Ltda. | Similar |
| Fluconazol | Sanofi Medley Farmacêutica Ltda. | Genérico |
| Flucovil | Medquimica Indústria Farmacêutica Ltda. | Similar |
| Triazol | Biolab Sanus Farmacêutica Ltda. | Similar |
| Zoltec | Pfizer Brasil Ltda. | Novo |
| Fluconazol | Cimed Indústria S.A. | Genérico |
| Fluconazol | Laboratório Teuto Brasileiro S.A. | Genérico |
| Fluconazol | Laboratório Globo Sa | Genérico |
| Flucanil | Geolab Indústria Farmacêutica S.A. | Similar |
| Flucolcid | Laboratório Globo Sa | Similar |