Ciprofloxacino

Princípio ativo: CiprofloxacinoClasse: Antibiótico (fluoroquinolona)Outros nomes: Cloridrato de Ciprofloxacino Monoidratado · Cipro · Ciprofloxacino (genérico) · Cipro Xr · Proflox · Quinoflox · Ciclatry · Cifloxatil · Ciprix · Ciprobiot · +7 · Ver lista completa de genéricos, similares e referências →Apresentações: Comprimido revestidoDosagens: 500 mg
Revisado por Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 27 de junho de 2026
Medicamento sujeito a prescrição médica. As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a orientação de um profissional de saúde. Não se automedique.

Indicações

O que é Ciprofloxacino

O ciprofloxacino é um antibiótico do grupo das fluoroquinolonas, de amplo espectro, usado por via oral para tratar infecções bacterianas em diferentes locais do corpo — vias urinárias, vias respiratórias, pele, ossos, intestino, ouvido, olhos e órgãos genitais — quando são causadas por bactérias sensíveis a ele. Também é usado em situações específicas como exacerbação pulmonar aguda da fibrose cística por Pseudomonas aeruginosa em pacientes de 5 a 17 anos e na profilaxia do antraz por inalação após exposição.

Como funciona Ciprofloxacino

O ciprofloxacino age como bactericida: bloqueia duas enzimas essenciais para a sobrevivência da bactéria — a DNA-girase (topoisomerase do tipo II) e a topoisomerase IV — que são responsáveis pela replicação, transcrição, reparo e recombinação do DNA bacteriano. Sem essas enzimas, a bactéria não consegue se reproduzir nem reparar seu material genético, e morre.

Para que serve Ciprofloxacino

Seguem as indicações de Ciprofloxacino:

  • Infecções do trato respiratório, incluindo pneumonias causadas por Klebsiella, Enterobacter, Proteus, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Haemophilus, Moraxella catarrhalis, Legionella e Staphylococcus. O ciprofloxacino não é a primeira escolha para pneumonia adquirida na comunidade em pacientes ambulatoriais, em geral causada por Streptococcus pneumoniae (pneumococo); nesses casos, outros antibióticos são preferíveis.
  • Infecções do ouvido médio (otite média) e dos seios paranasais (sinusite), especialmente quando causadas por organismos gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa ou Staphylococcus.
  • Infecções dos olhos.
  • Infecções dos rins e do trato urinário, incluindo cistite aguda não complicada em mulheres antes da menopausa e infecções urinárias complicadas. Os regimes específicos para cada situação estão detalhados na posologia por indicação.
  • Infecções dos órgãos genitais, incluindo anexite (inflamação dos ovários e tubas uterinas), gonorreia e prostatite (infecção da próstata). O ciprofloxacino não é eficaz contra a sífilis (Treponema pallidum); havendo suspeita ou risco de sífilis, é necessário tratamento específico.
  • Infecções da cavidade abdominal, incluindo infecções bacterianas do trato gastrintestinal, do trato biliar e peritonite.
  • Infecções da pele e tecidos moles.
  • Infecções dos ossos e articulações.
  • Infecção generalizada (sepse).
  • Profilaxia ou tratamento de infecções em pacientes com sistema imunológico comprometido (uso de imunossupressores ou neutropenia) e descontaminação intestinal seletiva nesses pacientes.
  • Exacerbação pulmonar aguda da fibrose cística associada a infecção por Pseudomonas aeruginosa em pacientes pediátricos de 5 a 17 anos.
  • Profilaxia pós-exposição ao antraz por inalação (Bacillus anthracis) em adultos e crianças.

Quando começa a fazer efeito

Após a administração oral, o ciprofloxacino é absorvido rapidamente, principalmente no intestino delgado, atingindo as concentrações máximas no sangue em 1 a 2 horas. A biodisponibilidade absoluta é de aproximadamente 70 a 80%.

A meia-vida média esperada em adultos permite a administração de 12 em 12 horas. Em crianças, a meia-vida é de aproximadamente 4 a 5 horas.

Contraindicações

  • Alergia conhecida ao ciprofloxacino, a outro derivado quinolônico (norfloxacino, levofloxacino, moxifloxacino e similares) ou a qualquer componente da fórmula.
  • Uso concomitante com tizanidina (relaxante muscular), pelo risco de queda acentuada da pressão arterial e sonolência por aumento das concentrações de tizanidina no sangue.
  • Aleitamento materno e doação de leite humano, pois o ciprofloxacino é excretado no leite materno e pode causar dano articular ao bebê.
  • Doação de sangue durante o tratamento e até 7 dias após o seu término.

Antes de usar

Informe seu médico antes de começar

Antes de iniciar, informe ao seu médico:

  • Se você já teve qualquer reação alérgica ao ciprofloxacino ou a outro antibiótico do grupo das fluoroquinolonas (como norfloxacino, levofloxacino, moxifloxacino), mesmo que leve.
  • Se você ou alguém da sua família tem síndrome do QT longo (uma alteração cardíaca congênita), arritmias, bradicardia (frequência cardíaca lenta), insuficiência cardíaca ou já teve infarto.
  • Se você sabe que tem baixo nível de potássio ou de magnésio no sangue.
  • Se você tem epilepsia, antecedente de convulsão, traumatismo craniano, derrame cerebral ou qualquer outro distúrbio do sistema nervoso central que reduza o limiar convulsivo.
  • Se você tem miastenia gravis (doença muscular), pois os sintomas podem ser agravados.
  • Se você tem ou teve problemas em tendões com tratamento prévio com fluoroquinolonas, é idoso, faz atividade física intensa, usa corticosteroides, tem insuficiência renal ou recebeu transplante de órgão sólido — todas essas situações aumentam o risco de tendinite e ruptura de tendão.
  • Se você tem diabetes ou usa hipoglicemiante oral (sulfonilureia) ou insulina, pois o ciprofloxacino pode causar variações na glicose do sangue.
  • Se você tem ou teve problemas no fígado (hepatite, cirrose) ou nos rins.
  • Se você tem história familiar de aneurisma da aorta, foi diagnosticado com aneurisma ou dissecção da aorta, ou tem doenças do tecido conjuntivo (síndrome de Marfan, Ehlers-Danlos vascular), arterites (Takayasu, células gigantes), doença de Behçet, hipertensão ou aterosclerose.
  • Se você está grávida, planejando engravidar ou amamentando.
  • Todos os medicamentos que você usa, incluindo antiácidos, suplementos de cálcio/magnésio/alumínio/ferro, sucralfato, didanosina, polímeros ligantes de fosfato (sevelâmer, carbonato de lantânio), tizanidina (relaxante muscular — uso conjunto é proibido), teofilina, cafeína, pentoxifilina, fenitoína, metotrexato, anti-inflamatórios não esteroides, ciclosporina, varfarina e outros anticoagulantes, duloxetina, ropinirol, lidocaína, clozapina, sildenafila, agomelatina, zolpidem e medicamentos que prolongam o intervalo QT (antiarrítmicos classes IA e III, antidepressivos tricíclicos, antibióticos macrolídeos, antipsicóticos).

Sinais de alerta: quando parar e procurar ajuda médica

Reação alérgica grave (anafilaxia)

Procure atendimento médico imediato e interrompa o medicamento se aparecerem aperto no peito, dor no peito, falta de ar, tontura intensa, desmaio, queda de pressão, inchaço da face, lábios, língua ou garganta ou dificuldade para respirar. Reações alérgicas graves (anafilaxia, choque anafilático, angioedema) podem ocorrer já após a primeira dose, em casos muito raros progredindo para choque com risco para a vida.

Reações graves de pele (Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica)

Suspenda o medicamento e procure atendimento imediato se surgirem manchas vermelhas extensas, bolhas, descamação da pele, feridas em mucosas (boca, olhos, genitais), com ou sem febre. Foram relatadas reações cutâneas graves potencialmente fatais, incluindo síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica e pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA).

Prolongamento do intervalo QT e torsades de pointes

Pode aumentar o risco de arritmias ventriculares graves do tipo torsades de pointes, potencialmente fatais (morte súbita). O risco é maior em mulheres, idosos, pessoas com síndrome do QT longo congênita, distúrbios eletrolíticos não corrigidos (baixo potássio ou magnésio), insuficiência cardíaca, infarto prévio, bradicardia ou em uso de outros medicamentos que prolongam o QT (antiarrítmicos classes IA e III, antidepressivos tricíclicos, macrolídeos, antipsicóticos). Sintomas como palpitações, tontura ou desmaio devem ser comunicados ao médico imediatamente.

Hepatotoxicidade (necrose hepática e insuficiência hepática)

Procure atendimento médico imediato e interrompa o ciprofloxacino se aparecerem perda de apetite, coloração amarelada da pele e olhos (icterícia), urina escura, coceira generalizada ou abdome inchado/tenso. Casos de necrose hepática e insuficiência hepática com risco para a vida foram relatados. Pacientes com doença hepática prévia podem apresentar elevação temporária das enzimas do fígado.

Tendinite e ruptura de tendão

Ao primeiro sinal de inflamação no tendão (dor, edema, vermelhidão), interrompa o medicamento, coloque a região afetada em repouso, evite exercício físico e procure o médico. O ciprofloxacino pode causar tendinite e ruptura do tendão (predominantemente do tendão de Aquiles), inclusive bilateral, já nas primeiras 48 horas de tratamento e até vários meses após o término. O risco aumenta em idosos, durante atividade física intensa, em uso concomitante de corticosteroides, em insuficiência renal e em pacientes transplantados.

Aneurisma e dissecção da aorta

Procure atendimento médico imediato em caso de dor súbita e intensa no abdome, no peito ou nas costas. Estudos epidemiológicos relatam aumento do risco de aneurisma (dilatação anormal da artéria) e dissecção (lesão da parede do vaso) da aorta com fluoroquinolonas, particularmente em idosos e em pessoas com história familiar de aneurisma, aneurisma ou dissecção pré-existentes, ou com fatores predisponentes (síndrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos vascular, arterite de Takayasu, arterite de células gigantes, doença de Behçet, hipertensão, aterosclerose).

Convulsões e estado epiléptico

Em pessoas com epilepsia, histórico de convulsão, redução do fluxo sanguíneo cerebral, lesão cerebral ou acidente vascular cerebral, o ciprofloxacino só deve ser usado se o benefício superar os riscos, pois pode desencadear convulsões ou diminuir o limiar convulsivo. Casos de estado epiléptico foram relatados. Se ocorrerem convulsões, suspenda o medicamento e procure atendimento.

Reações psiquiátricas, incluindo depressão e ideação suicida

Reações psiquiátricas podem ocorrer já após a primeira administração. Em casos raros, depressão ou reações psicóticas evoluem para pensamentos suicidas e comportamento autodestrutivo, incluindo tentativa de suicídio. Se o paciente desenvolver alterações de humor, agitação, alucinações, confusão ou pensamentos de se ferir, suspenda o medicamento e procure ajuda médica imediatamente.

Neuropatia periférica

Foram relatados casos de polineuropatia sensorial ou sensório-motora, com sintomas como dor, queimação, formigamento, dormência, alteração de sensibilidade ou fraqueza. Esses sintomas podem ser de longa duração (>30 dias) e incapacitantes. Se surgirem, interrompa o ciprofloxacino e procure o médico antes de continuar o tratamento.

Síndrome de Kounis (isquemia coronariana por reação alérgica)

Foram relatados casos de isquemia miocárdica aguda, com ou sem infarto do miocárdio, como parte de uma reação de hipersensibilidade (síndrome de Kounis). Em caso de dor no peito durante o tratamento, interrompa o medicamento imediatamente e procure atendimento de emergência.

Colite pseudomembranosa

Procure atendimento médico se ocorrer diarreia grave, persistente, aquosa, com sangue ou muco, durante ou mesmo semanas após o término do tratamento. Antibióticos de amplo espectro, incluindo o ciprofloxacino, podem causar colite pseudomembranosa (inflamação grave do intestino), com possível evolução fatal. Medicamentos que inibem o peristaltismo (antidiarreicos como a loperamida) são contraindicados nesse cenário.

Outras informações importantes

Riscos e monitoramento durante o tratamento

Exacerbação de miastenia gravis

O ciprofloxacino pode agravar os sintomas de miastenia gravis (doença muscular). Pacientes com essa condição devem usar o medicamento com cuidado e somente sob avaliação médica.

Disglicemia (variação da glicose no sangue)

Foram relatados distúrbios da glicemia, incluindo hipoglicemia (glicose baixa) e hiperglicemia (glicose alta), principalmente em pacientes idosos com diabetes em uso de hipoglicemiante oral (sulfonilureia) ou insulina. Em pacientes diabéticos, recomenda-se monitoramento cuidadoso da glicose durante o tratamento.

Fotossensibilidade

O ciprofloxacino pode induzir reações de sensibilidade exagerada da pele à luz solar e ultravioleta. Evite exposição direta e excessiva ao sol e a fontes de UV (câmaras de bronzeamento) durante o tratamento. Se surgirem reações tipo queimadura solar, interrompa o medicamento e procure o médico.

Resistência bacteriana e superinfecção

Para prevenir o desenvolvimento de bactérias resistentes, o ciprofloxacino deve ser usado apenas no tratamento ou prevenção de infecções causadas — ou fortemente suspeitas de serem causadas — por microrganismos sensíveis. Pode haver crescimento de microrganismos não suscetíveis, incluindo fungos (superinfecção micótica).

Alterações visuais e oculares

Procure um oftalmologista imediatamente em caso de alteração na visão ou qualquer outro sintoma ocular durante o tratamento.

Cuidados no dia a dia

Condução de veículos: O ciprofloxacino pode prejudicar a habilidade de dirigir veículos e operar máquinas devido a reações no sistema nervoso central (tontura, sonolência, alteração da atenção). Esses efeitos podem ser intensificados pelo consumo concomitante de bebidas alcoólicas. Não dirigir nem operar máquinas durante o tratamento.

Exposição solar: Evitar exposição direta e excessiva ao sol e à luz ultravioleta durante o tratamento. Em caso de reação na pele tipo queimadura solar, suspender o medicamento e procurar o médico.

Doação de sangue: É absolutamente contraindicada durante o tratamento e até 7 dias após seu término, pelo dano que pode causar à pessoa que receber o sangue.

Exames de tuberculose: O ciprofloxacino pode causar resultado falso-negativo no teste de cultura de Mycobacterium tuberculosis (bactéria da tuberculose), pois suprime o crescimento do micobacterium. Informe o laboratório antes de exames microbiológicos.

Leite e laticínios: Não tomar o comprimido junto com leite, iogurte ou bebidas enriquecidas com cálcio/minerais, pois reduzem a absorção do medicamento. O cálcio normal da dieta não interfere significativamente.

Armazenamento: Manter o medicamento entre 15 °C e 30 °C, em sua embalagem original.

Como tomar: Tomar o comprimido inteiro com água, com ou sem alimento (a absorção é mais rápida com estômago vazio).

Complete o tratamento: É essencial completar todo o tempo prescrito, mesmo que os sintomas tenham desaparecido — a interrupção precoce favorece o retorno da infecção e o surgimento de bactérias resistentes.

Composição e alérgenos

O comprimido revestido contém o corante dióxido de titânio. Pessoas com sensibilidade conhecida a este corante devem ter cautela.

Posologia

Adultos (dose habitual): 250 mg a 750 mg de 12 em 12 horas, conforme a gravidade da infecção e o microrganismo.

Gonorreia e cistite não complicadas (mulheres antes da menopausa): frequentemente uma dose única de 250 mg.

Infecções graves com risco à vida (pneumonia estreptocócica, infecções recorrentes em fibrose cística, infecções ósseas, sepse, peritonite): 750 mg de 12 em 12 horas.

Fibrose cística em crianças e adolescentes (5 a 17 anos), por Pseudomonas aeruginosa: 20 mg/kg por via oral duas vezes ao dia (máximo de 1.500 mg por dia).

Profilaxia do antraz por inalação: adultos, 500 mg duas vezes ao dia; crianças, 15 mg/kg duas vezes ao dia (máximo de 500 mg por dose e 1.000 mg por dia), por 60 dias.

Por indicação

Cistite aguda não complicada em mulheres antes da menopausa

Dose inicial: 250 mg por via oral em dose única

Dose máxima: 250 mg (dose única)

Duração: 1 dia (dose única)

Gonorreia aguda não complicada (extragenital ou aguda)

Dose inicial: 250 mg por via oral em dose única

Dose máxima: 250 mg (dose única)

Duração: 1 dia (dose única)

Infecção do trato urinário aguda não complicada

Dose inicial: 250 mg por via oral, uma a duas vezes ao dia

Dose máxima: 500 mg/dia

Duração: Até 7 dias

Infecção do trato urinário complicada

Dose inicial: 250 mg a 500 mg por via oral a cada 12 horas

Dose máxima: 1.000 mg/dia

Duração: Até 7 dias

Infecções do trato respiratório (em adultos, conforme gravidade e microrganismo)

Dose inicial: 250 mg a 500 mg por via oral a cada 12 horas

Dose máxima: 1.000 mg/dia (ou 1.500 mg/dia em infecções graves)

Duração: 7 a 14 dias

Diarreia infecciosa

Dose inicial: 500 mg por via oral, uma a duas vezes ao dia

Dose máxima: 1.000 mg/dia

Duração: Conforme orientação médica

Outras infecções (pele e tecidos moles, otite, sinusite, infecções abdominais, ginecológicas)

Dose inicial: 500 mg por via oral a cada 12 horas

Dose máxima: 1.000 mg/dia

Duração: 7 a 14 dias

Observações: Em infecções estreptocócicas, manter o tratamento por pelo menos 10 dias para reduzir o risco de complicações tardias. Em infecções por Chlamydia spp., manter por pelo menos 10 dias.

Infecções graves com risco para a vida (pneumonia estreptocócica, infecções recorrentes em fibrose cística em adultos, infecções ósseas e articulares, sepse, peritonite)

Dose inicial: 750 mg por via oral a cada 12 horas

Dose máxima: 1.500 mg/dia

Duração: 7 a 14 dias na maioria das infecções; até 2 meses em osteomielite (infecção óssea); durante todo o período neutropênico em pacientes imunocomprometidos.

Observações: Em infecções graves, por Staphylococcus ou por bactérias anaeróbias, o ciprofloxacino deve ser usado em associação com outro antibiótico apropriado, definido pelo médico — não em monoterapia.

Exacerbação pulmonar aguda da fibrose cística por Pseudomonas aeruginosa (crianças e adolescentes de 5 a 17 anos)

Dose inicial: 20 mg/kg de peso corporal por via oral, duas vezes ao dia

Dose máxima: 1.500 mg/dia

Duração: 10 a 14 dias

Profilaxia do antraz por inalação após exposição (adultos)

Dose inicial: 500 mg por via oral, duas vezes ao dia

Dose máxima: 1.000 mg/dia

Duração: 60 dias

Observações: Iniciar o mais rapidamente possível após suspeita ou confirmação de exposição.

Profilaxia do antraz por inalação após exposição (crianças)

Dose inicial: 15 mg/kg de peso corporal por via oral, duas vezes ao dia

Dose máxima: 500 mg por dose; 1.000 mg/dia

Duração: 60 dias

Observações: Iniciar o mais rapidamente possível após suspeita ou confirmação de exposição.

Por apresentação

Comprimido revestido 500 mg — Comprimido revestido para uso oral

Dose padrão: Em adultos: 250 mg a 750 mg a cada 12 horas, conforme a indicação e gravidade. Em crianças (fibrose cística): 20 mg/kg a cada 12 horas. Em crianças (antraz): 15 mg/kg a cada 12 horas.

Dose máxima: 1.500 mg/dia em adultos com infecção grave; 1.500 mg/dia em crianças com fibrose cística; 1.000 mg/dia em crianças na profilaxia do antraz

Frequência: Geralmente a cada 12 horas

Idade mínima: 5 anos (apenas em fibrose cística com Pseudomonas e em profilaxia do antraz; demais indicações em adultos)

Instruções específicas: Engolir o comprimido inteiro, com água. Não partir, abrir ou mastigar. Pode ser tomado com ou sem alimentos (a absorção é mais rápida com estômago vazio). Não tomar junto com leite, iogurte ou bebidas enriquecidas com cálcio/minerais. Separar pelo menos 1 a 2 horas antes ou 4 horas após antiácidos, suplementos de cálcio/magnésio/alumínio/ferro, sucralfato, didanosina e polímeros ligantes de fosfato (sevelâmer, carbonato de lantânio).

Por peso corporal

Crianças e adolescentes (5 a 17 anos) — fibrose cística com infecção por Pseudomonas aeruginosa

Dose por peso (mg/kg): 20–20 mg/kg

Frequência: Duas vezes ao dia

Dose máxima absoluta: 1.500 mg/dia

Crianças — profilaxia do antraz por inalação

Dose por peso (mg/kg): 15–15 mg/kg

Frequência: Duas vezes ao dia

Dose máxima absoluta: 500 mg por dose; 1.000 mg/dia

Como tomar — comprimido

Engolir o comprimido inteiro com água. Não partir, abrir ou mastigar.

E se eu esquecer uma dose?

Se faltarem 6 horas ou mais até a próxima dose programada, tomar a dose esquecida imediatamente e seguir o esquema normalmente. Se faltarem menos de 6 horas até a próxima dose, pular a dose esquecida e tomar a próxima no horário habitual. Não tomar duas doses para compensar a esquecida.

Não interromper o tratamento por conta própria, mesmo que os sintomas tenham desaparecido. A interrupção precoce pode permitir que as bactérias voltem a se reproduzir, piorar a condição e favorecer o surgimento de bactérias resistentes. Em caso de efeitos colaterais que sugiram reação grave (tendinite, alteração de humor, alteração na visão, dor no peito ou costas, icterícia, diarreia intensa), suspender e procurar o médico antes do término.

Efeitos adversos

Reações indesejáveis podem ocorrer com o uso de Ciprofloxacino. A seguir, os eventos adversos organizados por frequência:

Comuns (≥ 1/100 a < 1/10)

Náusea; Diarreia.

Incomuns (≥ 1/1.000 a < 1/100)

Hematológico: eosinofilia (aumento de um tipo de glóbulo branco).; Imunológico/Alérgico: rash cutâneo, prurido, urticária.; Gastrointestinal: vômito, dores gastrintestinais e abdominais, dispepsia (má digestão), flatulência (gases).; Hepático: aumento das transaminases e da bilirrubina.; Renal: disfunção renal.; Neurológico: cefaleia (dor de cabeça), tontura, distúrbios do sono, alterações do paladar.; Psiquiátrico: hiperatividade psicomotora, agitação.; Metabólico/Endocrinológico: diminuição do apetite e da ingestão de alimentos.; Musculoesquelético: artralgia (dor nas articulações).; Geral/Sistêmico: dor inespecífica, mal-estar geral, febre, aumento da fosfatase alcalina no sangue.; Infecções e infestações: superinfecções micóticas (infecção por fungos)..

Raras (≥ 1/10.000 a < 1/1.000)

Hematológico: leucopenia, anemia, neutropenia, leucocitose, trombocitopenia, plaquetose, nível anormal de protrombina, aumento da amilase.; Imunológico/Alérgico: reação alérgica, edema alérgico/angioedema.; Dermatológico: reações de fotossensibilidade, vesículas (formação de bolhas).; Cardiovascular: taquicardia, vasodilatação, hipotensão (pressão baixa), síncope (desmaio).; Respiratório: dispneia (falta de ar), incluindo condições asmáticas.; Hepático: disfunção hepática, icterícia, hepatite (não infecciosa).; Renal: insuficiência renal, hematúria (sangue na urina), cristalúria, nefrite túbulo-intersticial.; Neurológico: parestesia e disestesia, hipoestesia, tremores, convulsões (incluindo estado epiléptico), vertigem.; Psiquiátrico: confusão e desorientação, ansiedade, sonhos anormais, depressão (potencialmente culminando em comportamento autodestrutivo, ideias suicidas, tentativa de suicídio ou suicídio), alucinações.; Metabólico/Endocrinológico: hiperglicemia, hipoglicemia.; Musculoesquelético: mialgia (dor muscular), artrite, aumento do tônus muscular, cãibras.; Oftálmico: distúrbios visuais.; Auditivo: zumbido, perda da audição.; Geral/Sistêmico: edema, hiperidrose (sudorese excessiva).; Infecções e infestações: colite associada a antibiótico (muito raramente com possível evolução fatal)..

Muito raras (< 1/10.000)

Hematológico: anemia hemolítica, agranulocitose, pancitopenia (com risco para a vida), depressão da medula óssea (com risco para a vida).; Imunológico/Alérgico: reação anafilática, choque anafilático (com risco para a vida), reações similares à doença do soro.; Dermatológico: petéquias (hemorragias pontilhadas), eritema multiforme, eritema nodoso, síndrome de Stevens-Johnson (potencialmente fatal), necrólise epidérmica tóxica (potencialmente fatal).; Cardiovascular: vasculite (inflamação dos vasos).; Gastrointestinal: pancreatite (inflamação do pâncreas).; Hepático: necrose hepática (muito raramente progredindo para insuficiência hepática com risco para a vida).; Neurológico: enxaqueca, transtornos da coordenação, alterações do olfato, hiperestesia, hipertensão intracraniana (pseudotumor cerebral).; Psiquiátrico: reações psicóticas (potencialmente culminando em comportamento autodestrutivo, ideias suicidas, tentativa de suicídio ou suicídio).; Oftálmico: distorção visual das cores.; Auditivo: alteração da audição.; Musculoesquelético: fraqueza muscular, tendinite, ruptura de tendão (predominantemente do tendão de Aquiles), exacerbação de miastenia gravis.; Geral/Sistêmico: alteração da marcha (do modo de andar)..

Frequência desconhecida (relatos pós-comercialização)

Cardiovascular: prolongamento do intervalo QT, arritmia ventricular, torsades de pointes, síndrome de Kounis (isquemia miocárdica como parte de reação alérgica).; Dermatológico: pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA).; Neurológico: neuropatia periférica, polineuropatia.; Hematológico: aumento da razão normalizada internacional (RNI) em pacientes em uso de antagonistas da vitamina K..

Em casos isolados, algumas reações adversas medicamentosas graves podem ser de longa duração (mais de 30 dias) e incapacitantes — incluindo tendinite, ruptura de tendão, distúrbios musculoesqueléticos e reações que afetam o sistema nervoso, como distúrbios psiquiátricos e dos sentidos. Em crianças, a artropatia (dor/inflamação articular) é relatada com frequência. Reações adversas podem ser notificadas pelo Sistema VigiMed da Anvisa.

Esta lista não é exaustiva. Informe ao seu médico qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento.

Interações medicamentosas

Informe seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.

MedicamentoEfeitoCondutaSeveridade
TizanidinaEm estudo com voluntários sadios, o uso conjunto aumentou em até 7 vezes a concentração máxima e em até 10 vezes a área sob a curva da tizanidina, com potencialização do efeito hipotensivo e sedativo. O uso simultâneo é explicitamente contraindicado pela bula.Associação não recomendadaCONTRAINDICADA
Antiácidos, suplementos minerais e produtos contendo cátions polivalentes (cálcio, magnésio, alumínio, ferro), polímeros ligantes de fosfato (sevelâmer, carbonato de lantânio), sucralfato e didanosina (medicamentos altamente tamponados)A administração conjunta forma quelatos com o ciprofloxacino e reduz significativamente sua absorção, comprometendo a eficácia do antibiótico.Tomar o ciprofloxacino 1 a 2 horas antes ou pelo menos 4 horas após esses produtos. A restrição não se aplica aos antiácidos da classe dos bloqueadores do receptor H2 (cimetidina, ranitidina).MAIOR
TeofilinaPode aumentar de forma indesejável as concentrações de teofilina no sangue, com efeitos adversos (incluindo cardíacos e neurológicos) que podem, em casos muito raros, ser fatais.Evitar o uso conjunto. Quando inevitável, monitorar as concentrações séricas de teofilina e reduzir a dose conforme necessário.MAIOR
MetotrexatoO ciprofloxacino pode inibir o transporte tubular renal do metotrexato, aumentando seus níveis plasmáticos e o risco de toxicidade (mucosite, mielossupressão, hepatotoxicidade).Monitorar cuidadosamente pacientes em uso de metotrexato durante a terapia simultânea.MAIOR
Antagonistas da vitamina K (varfarina, acenocumarol, femprocumona, fluindiona)Pode aumentar o efeito anticoagulante, com elevação da razão normalizada internacional (RNI/INR) e risco de hemorragia. O risco varia conforme a infecção, idade e condições do paciente.Monitorar a RNI frequentemente durante e logo após a coadministração; ajustar a dose do anticoagulante conforme necessário.MAIOR
AgomelatinaComo inibidor moderado da CYP1A2, o ciprofloxacino pode aumentar significativamente a exposição à agomelatina (efeitos similares ao observado com fluvoxamina, que aumentou em até 60 vezes a exposição).Evitar o uso conjunto sempre que possível; considerar alternativas terapêuticas.MAIOR
Medicamentos que prolongam o intervalo QT (antiarrítmicos das classes IA e III, antidepressivos tricíclicos, antibióticos macrolídeos, antipsicóticos)Aumento somado do risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares graves do tipo torsades de pointes, potencialmente fatais.Usar com cautela; monitorar eletrocardiograma e eletrólitos (potássio e magnésio) sempre que possível. Evitar a coadministração em pacientes com fatores de risco adicionais.MAIOR
Laticínios e bebidas enriquecidas com minerais (leite, iogurte, suco de laranja com cálcio)A absorção do ciprofloxacino é reduzida quando administrado simultaneamente com laticínios ou bebidas fortificadas. O cálcio da dieta normal (alimentação habitual) não afeta significativamente a absorção.Não tomar o comprimido junto com leite, iogurte ou bebidas com cálcio. Evitar essas bebidas próximas ao horário da dose.MODERADA
ProbenecidaA probenecida interfere na secreção renal do ciprofloxacino, aumentando suas concentrações no sangue.Informar o médico sobre o uso conjunto. Pode ser necessário ajustar a dose do ciprofloxacino conforme avaliação clínica.MODERADA
Cafeína e pentoxifilina (oxpentifilina)Aumento das concentrações séricas dessas xantinas pelo ciprofloxacino, com potencial intensificação dos seus efeitos (estimulação do sistema nervoso central, taquicardia).Limitar a ingestão de cafeína. Em uso de pentoxifilina, monitorar sinais de toxicidade.MODERADA
FenitoínaForam observadas variações (aumento ou redução) dos níveis séricos de fenitoína em uso concomitante, com risco de perda do controle das convulsões (níveis baixos) ou de superdose (níveis altos) ao descontinuar o ciprofloxacino.Monitorar concentrações séricas de fenitoína durante e imediatamente após o uso conjunto.MODERADA
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), exceto ácido acetilsalicílicoEstudos em animais mostraram que doses altas de fluoroquinolonas associadas a certos AINEs podem desencadear convulsões.Usar com cautela em pacientes com risco aumentado de convulsão. O ácido acetilsalicílico não está incluído neste alerta.MODERADA
CiclosporinaA administração conjunta aumentou transitoriamente a creatinina sérica em alguns pacientes.Monitorar a creatinina sérica duas vezes por semana durante o uso conjunto.MODERADA
DuloxetinaComo inibidor moderado da CYP1A2, o ciprofloxacino pode aumentar a área sob a curva e a concentração máxima da duloxetina, intensificando seus efeitos.Monitorar efeitos adversos da duloxetina. Considerar ajuste de dose conforme avaliação clínica.MODERADA
RopinirolO ciprofloxacino aumentou a Cmáx e a AUC do ropinirol em 60% e 84%, respectivamente.Monitorar efeitos indesejáveis (sonolência, hipotensão, alucinações) e ajustar a dose do ropinirol durante e logo após o uso conjunto.MODERADA
Lidocaína (intravenosa)O ciprofloxacino reduz em cerca de 22% a depuração da lidocaína IV. Pode haver intensificação de efeitos secundários da lidocaína.Usar com cautela. Monitorar sinais de toxicidade da lidocaína (alterações neurológicas e cardiovasculares).MODERADA
ClozapinaA administração conjunta aumentou em 29% a concentração sérica da clozapina e em 31% a do metabólito N-desmetilclozapina, intensificando potenciais efeitos adversos (sedação, hipotensão, agranulocitose).Monitorar clinicamente e ajustar a dose da clozapina durante e logo após o uso simultâneo.MODERADA
SildenafilaApós uso conjunto de 50 mg de sildenafila e 500 mg de ciprofloxacino, a Cmáx e a AUC da sildenafila aproximadamente dobraram em voluntários sadios, com possível potencialização dos efeitos adversos (cefaleia, hipotensão, alterações visuais).Considerar riscos e benefícios antes do uso conjunto.MODERADA
ZolpidemO ciprofloxacino pode aumentar os níveis sanguíneos de zolpidem.O uso concomitante não é recomendado.MODERADA
MetoclopramidaAcelera a absorção do ciprofloxacino, reduzindo o tempo para atingir a concentração máxima no sangue. A biodisponibilidade total não é afetada.Nenhum ajuste de dose necessário; observar.MENOR
OmeprazolReduz ligeiramente a concentração máxima e a área sob a curva do ciprofloxacino.Nenhum ajuste de dose necessário; observar a resposta clínica.MENOR

Uso em grupos especiais

Gravidez

Categoria C de risco na gravidez. Os dados disponíveis em mulheres grávidas não indicam malformação ou toxicidade fetal/neonatal, e estudos em animais não evidenciaram toxicidade reprodutiva ou efeitos teratogênicos. No entanto, com base em estudos em animais, não se pode excluir que o ciprofloxacino cause dano à cartilagem articular do feto imaturo. Por isso, o uso não é recomendado durante a gravidez. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.

Amamentação

O ciprofloxacino é excretado no leite materno. Devido ao risco potencial de dano articular ao bebê, o uso é contraindicado durante a amamentação e a doação de leite humano. O médico ou cirurgião-dentista deve apresentar alternativas para o tratamento ou para a alimentação do bebê.

Crianças e adolescentes

Em estudos com animais imaturos, fluoroquinolonas (incluindo o ciprofloxacino) causaram artropatia (lesão) em articulações que suportam peso. Em estudos clínicos com pacientes menores de 18 anos — em sua maioria com fibrose cística — não se evidenciou dano articular ou cartilaginoso clinicamente relevante. O uso pediátrico está aprovado em duas situações específicas: (1) exacerbação pulmonar aguda da fibrose cística por Pseudomonas aeruginosa, em pacientes de 5 a 17 anos, na dose oral de 20 mg/kg duas vezes ao dia (máximo 1.500 mg/dia), por 10 a 14 dias; (2) profilaxia do antraz por inalação após exposição, na dose de 15 mg/kg duas vezes ao dia (máximo 500 mg por dose, 1.000 mg/dia), por 60 dias. Em outras indicações pediátricas, a experiência é limitada e o uso não é recomendado. Em crianças, a artropatia (dor/inflamação articular) é relatada com frequência.

Pacientes idosos

Idosos devem receber doses tão reduzidas quanto possíveis, dependendo da gravidade da doença e da função renal. Pacientes idosos podem ser mais sensíveis aos efeitos do medicamento sobre o intervalo QT (com risco de torsades de pointes), à hipoglicemia/hiperglicemia (especialmente diabéticos em uso de sulfonilureia ou insulina), à tendinite/ruptura de tendão e ao risco de aneurisma e dissecção da aorta.

Insuficiência renal

Em adultos com depuração de creatinina entre 30 e 60 mL/min/1,73 m² (insuficiência renal moderada), a dose máxima é de 1.000 mg/dia por via oral. Em depuração menor que 30 mL/min/1,73 m² (insuficiência renal grave), a dose máxima é 500 mg/dia. Em pacientes em hemodiálise, a dose nos dias de diálise deve ser administrada após o procedimento. Em diálise peritoneal ambulatorial contínua (DPAC), a dose máxima é 500 mg/dia. Doses em crianças com função renal alterada não foram estudadas.

Insuficiência hepática

Não há necessidade de ajuste de dose em pacientes com insuficiência hepática isolada. Em pacientes com insuficiência hepática e renal combinadas, deve-se seguir o ajuste de dose recomendado para a insuficiência renal. Suspender o medicamento ao surgirem sinais ou sintomas de doença hepática (perda de apetite/anorexia, icterícia, urina escura, prurido ou abdômen inchado).

Alergia a quinolonas

O uso é contraindicado em pessoas com alergia conhecida ao ciprofloxacino, a outras fluoroquinolonas (norfloxacino, levofloxacino, moxifloxacino, ofloxacino) ou a qualquer componente da fórmula. Reações alérgicas graves, incluindo anafilaxia e angioedema, podem ocorrer já após a primeira dose.

Perguntas frequentes

O que é ciprofloxacino e para que serve?

O ciprofloxacino é um antibiótico de amplo espectro da classe das fluoroquinolonas, usado para tratar infecções bacterianas em várias partes do corpo. As indicações mais comuns são infecções urinárias (cistite, pielonefrite) e prostatite, mas ele também atua em infecções intestinais, abdominais, de pele, ossos e algumas infecções respiratórias — ainda que não seja a primeira escolha para pneumonias comuns. Ele age impedindo que as bactérias dupliquem seu DNA, interrompendo a multiplicação delas. Por ser um antibiótico, não tem efeito contra vírus: gripe, resfriado e a maioria das dores de garganta não respondem a ele. O uso deve seguir prescrição, com base no tipo de bactéria envolvida.

Ciprofloxacino é forte?

O ciprofloxacino é considerado um antibiótico potente, de amplo espectro, capaz de combater muitos tipos de bactérias. Mas "forte" não significa "melhor para qualquer caso". Justamente por sua amplitude e pelo perfil de efeitos adversos, as agências reguladoras recomendam reservá-lo para situações em que antibióticos mais simples não são adequados, evitando o uso em infecções leves. Tomar um antibiótico potente sem necessidade favorece a resistência bacteriana e expõe a pessoa a riscos desnecessários, como problemas em tendões. A "força" adequada de um antibiótico depende da bactéria, do local da infecção e do quadro clínico — não de uma escala fixa de potência.

Como tomar o remédio ciprofloxacino 500 mg?

O ciprofloxacino 500 mg costuma ser tomado por via oral a cada 12 horas, com um copo cheio de água, podendo ser ingerido com ou sem alimentos — mas longe de leite e derivados. A dose e a duração exatas dependem da infecção e são definidas na prescrição: quadros urinários simples usam menos dias, infecções mais profundas exigem tratamento mais longo. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros, sem partir nem mastigar, e os horários mantidos regulares para preservar o efeito. Não se deve interromper antes do prazo, mesmo com melhora dos sintomas, porque parar cedo favorece recaída e resistência bacteriana.

Posso tomar ciprofloxacino 500mg de 8 em 8 horas?

O ciprofloxacino 500 mg geralmente é prescrito de 12 em 12 horas, e não de 8 em 8 horas, que é o intervalo mais comum de outros antibióticos. Reduzir o intervalo para 8/8h aumenta a dose diária e, com ela, o risco de efeitos adversos — sem benefício automático. Existem situações específicas em que o médico ajusta a frequência ou a dose, mas isso é exceção e deve constar na receita. Tomar por conta própria de 8 em 8 horas, copiando o esquema de outro remédio, é um erro frequente. O intervalo correto é o que está na sua prescrição.

Como tomar ciprofloxacino para infecção urinária?

Para infecção urinária, o ciprofloxacino costuma ser tomado por via oral a cada 12 horas, em tratamentos curtos no caso de cistite simples e mais longos quando há comprometimento dos rins (pielonefrite). É importante beber bastante água durante o tratamento e manter os horários certinhos. Vale saber, porém, que o ciprofloxacino deixou de ser a primeira opção para cistites não complicadas em muitos protocolos: a resistência da bactéria E. coli aumentou, e antibióticos como nitrofurantoína e fosfomicina são frequentemente preferidos. Por isso, a escolha e a posologia dependem do exame e da prescrição — automedicar para "infecção urinária" pode mascarar o problema e piorar a resistência.

Quantos dias devo tomar ciprofloxacino para infecção?

O tempo de tratamento com ciprofloxacino varia conforme a infecção: cistites simples podem exigir poucos dias, enquanto infecções mais profundas, como pielonefrite, prostatite ou quadros ósseos, costumam levar de uma a várias semanas. Quem define a duração é a prescrição, com base no tipo e na gravidade da infecção. A regra de ouro dos antibióticos vale aqui: completar todo o período indicado, mesmo que os sintomas desapareçam antes. Parar no meio deixa bactérias sobreviventes que podem voltar mais resistentes. Da mesma forma, prolongar por conta própria não traz benefício e aumenta os efeitos adversos.

Ciprofloxacino 500mg faz mal para os rins?

O ciprofloxacino 500 mg não é diretamente tóxico para os rins como certos anti-inflamatórios ou outros antibióticos, mas exige alguns cuidados. Ele é eliminado em boa parte pela urina, então pessoas com função renal reduzida geralmente precisam de ajuste de dose para evitar acúmulo. Beber bastante água durante o tratamento ajuda a prevenir a formação de cristais na urina, um efeito incomum ligado à baixa ingestão de líquidos. Reações renais mais sérias, como inflamação nos rins, são raras. Quem tem doença renal deve informar o médico antes de iniciar, para que a dose seja calculada corretamente.

Criança pode tomar o ciprofloxacino?

O ciprofloxacino não é indicado de rotina para crianças e adolescentes em fase de crescimento, porque estudos associaram as fluoroquinolonas a possíveis efeitos sobre cartilagens e tendões em desenvolvimento. Por isso, ele fica reservado a situações específicas — como certas infecções urinárias complicadas, fibrose cística ou exposição a determinadas bactérias — e sempre sob avaliação de um especialista, que pesa o benefício contra o risco. Não é medicamento para tratar infecções comuns da infância por conta própria. Em crianças, a escolha do antibiótico, a dose e a forma de administração precisam ser definidas pelo pediatra.

Grávida pode tomar ciprofloxacino?

A grávida não deve tomar ciprofloxacino sem orientação médica, pois ele não é a primeira escolha na gestação. As fluoroquinolonas costumam ser evitadas por haver preocupação com o desenvolvimento de cartilagens e articulações do bebê, e em geral existem antibióticos com perfil de segurança mais conhecido para infecções na gravidez. A bula brasileira enquadra o ciprofloxacino em categoria de risco na gestação, o que significa que o uso só é considerado quando o benefício justifica claramente o risco, a critério do obstetra. Gestantes com suspeita de infecção devem procurar avaliação para escolher o tratamento mais adequado, e nunca recorrer a sobras de antibiótico.

Quais são os efeitos colaterais do ciprofloxacino?

Os efeitos colaterais mais comuns do ciprofloxacino são gastrointestinais — náuseas, diarreia, vômitos e dor abdominal —, além de dor de cabeça, tontura e insônia. Reações na pele, como manchas e maior sensibilidade ao sol, também podem ocorrer. A maioria é leve e passageira. Existem, porém, efeitos menos frequentes e mais sérios ligados às fluoroquinolonas: inflamação ou ruptura de tendões, alterações no ritmo cardíaco e sintomas neurológicos. Diarreia intensa e persistente durante ou após o tratamento deve ser comunicada ao médico, pois pode indicar uma complicação intestinal. Diante de qualquer reação fora do comum, vale interromper e buscar avaliação.

Qual o risco de tomar ciprofloxacino?

O principal risco do ciprofloxacino está em um conjunto de efeitos graves, ainda que incomuns, característicos das fluoroquinolonas. Os mais conhecidos são a inflamação e a ruptura de tendões — sobretudo o de Aquiles —, com risco maior em idosos, em quem usa corticoides e após os 60 anos. Há também alertas sobre alterações no ritmo cardíaco (prolongamento do intervalo QT), efeitos no sistema nervoso (convulsões, confusão), neuropatia e, mais raramente, problemas na aorta. Por causa desse perfil, as agências reguladoras recomendam evitar o uso em infecções leves quando há alternativas. O risco diminui bastante quando o remédio é usado na indicação certa, pelo tempo certo e com acompanhamento.

O que não pode tomar junto com ciprofloxacino?

Junto com o ciprofloxacino, não se deve tomar alguns medicamentos que aumentam o risco de efeitos adversos. A tizanidina (relaxante muscular) é contraindicada, por elevar muito seus níveis no sangue. Exigem cautela e ajuste: teofilina, varfarina (anticoagulante), anti-inflamatórios, antidiabéticos, metotrexato e remédios que alteram o ritmo cardíaco. Já antiácidos, suplementos de cálcio, ferro, zinco ou magnésio e laticínios não são perigosos, mas reduzem a absorção do antibiótico se tomados no mesmo horário — devem ser espaçados. Por isso, é essencial informar ao médico e ao farmacêutico tudo o que você usa, incluindo vitaminas e produtos sem receita, antes de iniciar o tratamento.

O que corta o efeito do ciprofloxacino?

O que corta o efeito do ciprofloxacino são substâncias que se ligam a ele no estômago e impedem sua absorção: leite e derivados (queijo, iogurte), suplementos de cálcio, ferro, zinco e magnésio, antiácidos e o sucralfato. Tomados junto com o antibiótico, podem reduzir bastante a quantidade que chega ao sangue, comprometendo o tratamento. A orientação prática é separar os horários — em geral, tomar o ciprofloxacino pelo menos 2 horas antes ou cerca de 6 horas depois desses produtos. Café e bebidas com cafeína não cortam o efeito, mas o ciprofloxacino retarda a eliminação da cafeína, o que pode intensificar agitação e insônia.

Estou tomando ciprofloxacino. Posso tomar cerveja?

Quem está tomando ciprofloxacino deve evitar cerveja e outras bebidas alcoólicas durante o tratamento. Diferente de alguns antibióticos, o ciprofloxacino não provoca uma reação grave e imediata com o álcool, mas a combinação não é recomendada: ambos podem causar tontura e sonolência e sobrecarregar o organismo, além de o álcool atrapalhar a recuperação da infecção. A cerveja também não "corta" diretamente o efeito do antibiótico, mas prejudica o sono e a hidratação, que importam durante o tratamento. O mais seguro é esperar terminar o ciclo do remédio para voltar a consumir álcool.

O que evitar tomando ciprofloxacino?

Ao tomar ciprofloxacino, convém evitar a exposição prolongada ao sol e câmaras de bronzeamento, porque o remédio aumenta a sensibilidade da pele e o risco de queimaduras. Também é prudente evitar esforço físico intenso e esportes de impacto durante o tratamento, pela possibilidade de problemas em tendões. Laticínios e suplementos de cálcio ou ferro devem ser afastados do horário do comprimido, e o excesso de cafeína pode causar agitação. Álcool é melhor deixar de lado até o fim do tratamento. Por fim, evite dirigir ou operar máquinas se sentir tontura, um efeito possível do medicamento.

Qual o melhor ciprofloxacino para infecção urinária?

Não existe um "melhor ciprofloxacino" para infecção urinária: o genérico e o medicamento de referência têm a mesma eficácia, porque passam pelos testes de bioequivalência exigidos pela ANVISA. O que muda entre as marcas é o preço, não o resultado. Mais importante do que escolher a marca é saber que o ciprofloxacino nem sempre é a melhor opção para cistite simples — a resistência bacteriana cresceu, e antibióticos como nitrofurantoína e fosfomicina costumam ser preferidos em muitos casos. O antibiótico realmente adequado depende do exame de urina e da avaliação médica, que identificam a bactéria e sua sensibilidade. Por isso, a "melhor" escolha é sempre a prescrita para o seu caso.

Ciprofloxacino precisa de receita?

Sim, o ciprofloxacino precisa de receita médica para ser comprado. Por ser um antibiótico, é um medicamento de tarja vermelha cuja venda exige prescrição com retenção da receita na farmácia, conforme as regras brasileiras para antimicrobianos. Essa exigência existe para conter o uso indiscriminado de antibióticos, principal causa do avanço das superbactérias resistentes. Tomar ciprofloxacino sem avaliação — para uma virose, por exemplo, em que ele não tem efeito — não trata o problema e ainda contribui para a resistência. Por isso, a compra depende de consulta e prescrição, e sobras de tratamentos anteriores não devem ser reutilizadas.

Referências

  1. Bula do paciente — Cipro (cloridrato de ciprofloxacino), comprimido revestido 500 mg. Bayer S.A. Registro ANVISA nº 1.7056.0103. Versão 0126-VV-LAB-117112-CCDS21, aprovada em 31/12/2025.
  2. Bula do profissional — Cipro (cloridrato de ciprofloxacino), comprimido revestido 500 mg. Bayer S.A. Registro ANVISA nº 1.7056.0103. Versão 0126-VV-LAB-117113-CCDS21, aprovada em 31/12/2025.

Revisão médica: Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 27 de junho de 2026

Genéricos, similares e referências disponíveis no Brasil

Nome comercialLaboratórioTipo
Cloridrato de CiprofloxacinoPharlab Indústria Farmacêutica S.A.Genérico
Cloridrato de CiprofloxacinoMultilab Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda.Genérico
Cloridrato de CiprofloxacinoEMS S.A.Genérico
CiprofloxacinoBrainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.Genérico
CiproBayer S.A.Referência
CypcinoCifarma Científica Farmacêutica Ltda.Similar
CiclatryMultilab Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda.Similar
CiprixGeolab Indústria Farmacêutica S.A.Similar
Cloridrato de CiprofloxacinoEMS S.A.Genérico
QuinofloxBiolab Sanus Farmacêutica Ltda.Similar
Cloridrato de CiprofloxacinoCimed Indústria S.A.Genérico
CiprofarLaboratório Farmacêutico Elofar Ltda.Similar
Cloridrato de CiprofloxacinoPrati Donaduzzi & Cia Ltda.Genérico
Cloridrato de CiprofloxacinoGermed Farmacêutica Ltda.Genérico
Cloridrato de CiprofloxacinoLegrand Pharma Indústria Farmacêutica Ltda.Genérico
CiproflonaxPharlab Indústria Farmacêutica S.A.Similar
Cloridrato de CiprofloxacinoGermed Farmacêutica Ltda.Genérico
Cloridrato de CiprofloxacinoBrasterapica Pharmaceutica Ltda.Genérico
Cloridrato de CiprofloxacinoSanofi Medley Farmacêutica Ltda.Genérico
MaxifloxCristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda.Similar
CiprocilinLegrand Pharma Indústria Farmacêutica Ltda.Similar
CifloxatilGallia Indústria Farmacêutica Ltda.Similar
Cloridrato de CiprofloxacinoSandoz do Brasil Indústria Farmacêutica Ltda.Genérico
CiprofloxatrinLaboratório Globo SaSimilar
Cloridrato de CiprofloxacinoLaboratório Globo SaGenérico
Cloridrato de CiprofloxacinoNovartis Biociencias S.A.Genérico
Cloridrato de CiprofloxacinoGeolab Indústria Farmacêutica S.A.Genérico
CiloxanNovartis Biociencias S.A.Referência
Cloridrato de CiprofloxacinoEurofarma Laboratórios S.A.Genérico
ProfloxEMS Sigma Pharma Ltda.Similar
ForitusEurofarma Laboratórios S.A.Similar
Cloridrato de CiprofloxacinoAurobindo Pharma Indústria Farmacêutica LimitadaGenérico
CiprobiotSandoz do Brasil Indústria Farmacêutica Ltda.Similar
Cloridrato de CiprofloxacinoBiolab Sanus Farmacêutica Ltda.Genérico