Amitriptilina

Princípio ativo: Cloridrato de AmitriptilinaClasse: Antidepressivo tricíclicoOutros nomes: Amytril · Mitrip · Ver lista completa de genéricos, similares e referências →Apresentações: Comprimido revestidoDosagens: 10 mg · 25 mg · 75 mg
Revisado por Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 28 de junho de 2026
Medicamento sujeito a prescrição médica. As informações desta página têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a orientação de um profissional de saúde. Não se automedique.

Indicações

O que é Amitriptilina

A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico (ADT) usado no tratamento da depressão em suas diversas formas e da enurese noturna (urinar na cama à noite) em crianças. Além do efeito antidepressivo, tem propriedades ansiolíticas e sedativas (calmantes). Atua sobre a serotonina e a norepinefrina — substâncias envolvidas na regulação do humor —, aumentando sua disponibilidade no cérebro.

Como funciona Amitriptilina

A amitriptilina inibe o mecanismo de bomba da membrana responsável pela recaptação da norepinefrina e da serotonina nos neurônios. Ao reduzir essa recaptação, potencializa ou prolonga a ação desses neurotransmissores. Acredita-se que essa interferência na recaptação da norepinefrina e/ou da serotonina seja a base da atividade antidepressiva do medicamento.

Para que serve Amitriptilina

Seguem as indicações de Amitriptilina:

  • Depressão, em suas diversas formas
  • Enurese noturna (urinar na cama à noite) em crianças, quando excluídas causas orgânicas

Quando começa a fazer efeito

O efeito sedativo (calmante) costuma se manifestar rapidamente. A atividade antidepressiva aparece em geral dentro de 3 a 4 dias, mas pode levar até 30 dias para se desenvolver totalmente. Na enurese noturna, a maioria dos pacientes responde nos primeiros dias de tratamento.

Contraindicações

  • Hipersensibilidade (alergia) conhecida à amitriptilina ou a qualquer componente da fórmula.
  • Uso simultâneo com inibidores da monoaminoxidase (IMAO), ou dentro de 14 dias após a interrupção do IMAO. A combinação já causou crises hiperpiréticas, convulsões graves e mortes.
  • Uso simultâneo com cisaprida, pelo risco de reações adversas cardíacas, incluindo prolongamento do intervalo QT, arritmias e distúrbios da condução cardíaca.
  • Síndrome congênita do QT longo (síndrome do QT longo) ou histórico de episódio de ritmo cardíaco anormal.
  • Durante o aleitamento ou a doação de leite humano: o medicamento é excretado no leite e pode causar reações indesejáveis no bebê.
  • Fase de recuperação aguda após infarto do miocárdio (não recomendado nesse período; nos últimos 30 dias após o infarto, conforme a bula do paciente).
  • Gravidez: medicamento classificado na categoria C de risco. Não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.

Antes de usar

Informe seu médico antes de começar

Antes de iniciar, informe ao seu médico:

  • Se você tem ou já teve convulsões (epilepsia).
  • Se você tem problemas no fígado (função hepática comprometida).
  • Se você tem histórico de dificuldade para urinar (retenção urinária), pela ação do medicamento sobre a bexiga.
  • Se você tem glaucoma de ângulo estreito ou pressão alta dentro dos olhos — mesmo doses médias podem desencadear uma crise.
  • Se você usa lentes de contato — o medicamento pode reduzir a produção de lágrima e ressecar a córnea.
  • Se você tem porfiria (doença metabólica rara), pela associação com crises da doença.
  • Se você tem doença do coração, arritmia, bradicardia (batimentos lentos) ou insuficiência cardíaca.
  • Se você tem ou já teve síndrome do QT longo (alteração congênita do ritmo do coração) ou qualquer episódio de ritmo cardíaco anormal.
  • Se você sabe que tem baixo nível de potássio ou de magnésio no sangue.
  • Se você tem problemas de tireoide (hipertireoidismo) ou usa medicação para a tireoide.
  • Se você tem diabetes — o medicamento pode alterar a glicemia e mascarar sinais de hipoglicemia (açúcar baixo no sangue).
  • Se você tem ou já teve transtorno bipolar, mania, esquizofrenia ou outros transtornos psiquiátricos.
  • Se você vai passar por uma cirurgia — pode ser necessário interromper o medicamento vários dias antes de procedimentos não urgentes.
  • Se você está grávida, planeja engravidar ou está amamentando.
  • Todos os medicamentos que você usa ou pretende usar, incluindo os de venda livre — especialmente antidepressivos IMAO, outros antidepressivos, medicamentos que alteram o ritmo do coração (intervalo QT), medicamentos para arritmia e diuréticos.

Sinais de alerta: quando parar e procurar ajuda médica

Piora da depressão e risco de suicídio

Antidepressivos podem aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças, adolescentes e adultos jovens (18 a 24 anos), especialmente no início do tratamento ou em mudanças de dose. Pacientes, familiares e cuidadores devem ficar atentos a piora do humor, ansiedade, agitação, irritabilidade, agressividade, impulsividade, insônia, mudanças incomuns no comportamento e qualquer menção a suicídio, e comunicar o médico imediatamente. Recomenda-se monitoramento diário no surgimento desses sintomas.

Reações graves na pele (DRESS / SCARs) — pare e procure ajuda

Foram relatadas reações cutâneas graves, que podem ser fatais, incluindo a reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS). Costumam ocorrer entre 2 e 6 semanas após o início do tratamento. Procure atendimento médico imediatamente se surgirem manchas ou erupções na pele, febre, inchaço no rosto, aumento dos gânglios (ínguas) ou mal-estar geral. Se isso ocorrer, o medicamento deve ser interrompido imediatamente e não deve ser reiniciado em nenhuma circunstância.

Prolongamento do intervalo QT e morte súbita

A amitriptilina pode prolongar o intervalo QT do eletrocardiograma e aumentar o risco de arritmias ventriculares graves do tipo "torsades de pointes", potencialmente fatais (morte súbita). O risco é maior em pessoas com doença do coração, bradicardia, insuficiência cardíaca, baixos níveis de potássio ou magnésio, ou que usam outros medicamentos que prolongam o QT, antiarrítmicos ou diuréticos. Não deve ser usado por quem tem síndrome congênita do QT longo ou histórico de ritmo cardíaco anormal.

Síndrome serotoninérgica

O uso da amitriptilina junto com outras substâncias que aumentam a serotonina pode desencadear a síndrome serotoninérgica, caracterizada por alterações de cognição e comportamento, instabilidade do sistema nervoso autônomo e alterações neuromusculares. Procure atendimento se surgirem agitação, confusão, febre, tremores, rigidez muscular ou batimentos cardíacos acelerados.

Doenças cardiovasculares

Os antidepressivos tricíclicos, incluindo a amitriptilina, podem produzir arritmia, taquicardia sinusal e prolongamento do tempo de condução, principalmente em doses altas. Foram relatados infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral com medicamentos desta classe. Pacientes com distúrbios cardiovasculares devem ser observados atentamente.

Glaucoma de ângulo estreito

A amitriptilina deve ser usada com cautela em pacientes com glaucoma de ângulo estreito ou pressão intraocular aumentada. Mesmo doses médias podem precipitar uma crise de glaucoma nessas pessoas.

Convulsões

A amitriptilina deve ser usada com cautela em pacientes com histórico de convulsão, pois pode reduzir o limiar convulsivo.

Síndrome neuroléptica maligna

Foi relatada síndrome neuroléptica maligna (muito rara), geralmente após aumento da dose de amitriptilina. É uma reação grave que combina febre alta, rigidez muscular e alterações do estado mental e exige atendimento imediato.

Outras informações importantes

Riscos e monitoramento durante o tratamento

Virada para mania / transtorno bipolar

Um episódio depressivo pode ser a fase inicial de um transtorno bipolar. O tratamento com antidepressivo pode aumentar a probabilidade de desencadear um episódio maníaco ou misto em pessoas com risco de transtorno bipolar. A amitriptilina não é indicada para o tratamento do transtorno bipolar. Pacientes com sintomas depressivos devem ser avaliados quanto ao risco de transtorno bipolar antes de iniciar o tratamento.

Potencialização do álcool e de depressores do sistema nervoso central

A amitriptilina pode potencializar a resposta ao álcool e os efeitos de barbitúricos e outros depressores do sistema nervoso central. Em quem faz uso excessivo de álcool, essa potencialização pode aumentar o perigo inerente a tentativas de suicídio ou superdose.

Hiperpirexia com anticolinérgicos e neurolépticos

Tem sido relatada hiperpirexia (elevação acentuada da temperatura corporal) quando antidepressivos tricíclicos são administrados com agentes anticolinérgicos ou medicações neurolépticas, particularmente durante o calor.

Alterações da glicemia e mascaramento da hipoglicemia

Os antidepressivos tricíclicos podem causar alterações na glicemia. A amitriptilina, em especial, tem sido relacionada à não percepção da hipoglicemia (açúcar baixo no sangue). É recomendada cautela em pacientes com diabetes.

Cuidados no dia a dia

Condução de veículos: O medicamento pode comprometer o estado de alerta e causar tontura, desmaios ou perda da consciência, expondo a quedas ou acidentes. Não dirija veículos nem opere máquinas durante todo o tratamento e até que seus efeitos tenham cessado, pois a habilidade e a capacidade de reação podem estar prejudicadas.

Evite bebidas alcoólicas durante o tratamento: a amitriptilina potencializa os efeitos do álcool.

Composição e alérgenos

Contém lactose (tipo de açúcar) em quantidade abaixo de 0,25 g por comprimido revestido. Não deve ser usado por pessoas com síndrome de má-absorção de glicose-galactose.

Comprimido de 10 mg: contém os corantes dióxido de titânio, amarelo de quinolina laca de alumínio e amarelo crepúsculo laca de alumínio.

Comprimido de 25 mg: contém os corantes amarelo de quinolina laca de alumínio, azul de indigotina laca de alumínio, amarelo crepúsculo laca de alumínio e dióxido de titânio.

Comprimido de 75 mg: contém os corantes amarelo crepúsculo laca de alumínio e dióxido de titânio.

Posologia

A amitriptilina é administrada por via oral. Deve-se iniciar com dose baixa e aumentá-la gradualmente, observando a resposta clínica e qualquer sinal de intolerância.

Os aumentos são feitos de preferência nas doses do início da noite e/ou na hora de deitar, aproveitando o efeito sedativo.

Na depressão, a dose ambulatorial usual vai de 75 a 150 mg/dia, podendo chegar a 200-300 mg/dia em pacientes hospitalizados.

Adolescentes e idosos costumam usar doses mais baixas (10 a 50 mg/dia).

Na enurese noturna, as doses são bem menores. Alcançada a melhora, reduzir até a menor dose eficaz.

O comprimido não deve ser partido, aberto ou mastigado.

Por indicação

Depressão — adultos em ambulatório

Dose inicial: 75 mg/dia em doses fracionadas (alternativa: 50 a 100 mg à noite, ao deitar)

Dose de manutenção: 50 a 100 mg/dia, de preferência à noite em dose única

Dose máxima: 150 mg/dia em ambulatório

Titulação: Aumentos preferencialmente nas doses do início da noite/ao deitar; pela alternativa, aumentar 25 a 50 mg por noite até 150 mg/dia

Observações: Alcançada a melhora, reduzir até a menor dose necessária. É apropriado manter a terapia por três meses ou mais para reduzir o risco de recidiva.

Depressão — pacientes hospitalizados

Dose inicial: 100 mg/dia

Dose de manutenção: Ajustada conforme a necessidade

Dose máxima: 200 mg/dia (alguns pacientes necessitam de 300 mg/dia)

Titulação: Aumentos graduais segundo a necessidade

Depressão — adolescentes e idosos

Dose inicial: 10 a 50 mg/dia

Dose de manutenção: Metade da dose usual de manutenção costuma ser suficiente

Titulação: Administração fracionada ou em dose única diária, preferencialmente ao dormir

Observações: Grupos com tolerância reduzida aos tricíclicos; para quem não tolera doses mais altas, 50 mg/dia podem ser satisfatórios. Em depressão, o uso é recomendado a partir dos 12 anos (faltam estudos abaixo dessa idade).

Enurese noturna — crianças de 6 a 11 anos

Dose inicial: 10 a 20 mg ao deitar

Dose de manutenção: Ajustada pelo médico conforme a resposta clínica

Observações: As doses para enurese são baixas em comparação às usadas na depressão. O tratamento contínuo geralmente é necessário para manter a resposta até estabelecer o controle.

Enurese noturna — crianças acima de 11 anos

Dose inicial: 25 a 50 mg ao deitar

Dose de manutenção: Ajustada pelo médico conforme a resposta clínica

Observações: As doses para enurese são baixas em comparação às usadas na depressão. O tratamento contínuo geralmente é necessário para manter a resposta até estabelecer o controle.

Como tomar — comprimido

O comprimido não deve ser partido, aberto ou mastigado.

E se eu esquecer uma dose?

Se você esquecer uma dose, tome a dose seguinte como de costume, no horário habitual. Não tome a dose esquecida somada à dose regular, ou seja, não dobre a dose.

Não interrompa o tratamento de forma repentina nem reduza a dose por conta própria. A interrupção abrupta pode causar enjoo, dor de cabeça e fadiga. Mesmo a redução gradual ao longo de duas semanas pode produzir sintomas transitórios como irritabilidade, inquietação e distúrbios do sono e dos sonhos. A descontinuação deve ser orientada pelo médico.

Efeitos adversos

Reações indesejáveis podem ocorrer com o uso de Amitriptilina. A seguir, os eventos adversos organizados por frequência:

Muito comum (ocorre em mais de 1 em cada 10 pessoas)

Cardiovascular: batimentos cardíacos acelerados; Respiratório: congestão nasal; Gastrointestinal: boca seca, prisão de ventre; Neurológico: sonolência, tontura, dor de cabeça; Metabólico/Endocrinológico: aumento de peso; Oftálmico: visão borrada ou dificuldade para focar; Geral/Sistêmico: suor excessivo.

Comum (ocorre entre 1 em cada 100 e 1 em cada 10 pessoas)

Dermatológico: urticária, coceira ou vermelhidão na pele, sensibilidade à luz; Cardiovascular: palpitações, alterações no eletrocardiograma (incluindo aumento do intervalo QT), inchaço nas pernas; Gastrointestinal: náuseas, vômitos, desconforto no estômago, diarreia, alteração no paladar, dor abdominal; Neurológico: dificuldade de concentração, falta de coordenação; Psiquiátrico: confusão, dificuldade para dormir; Urogenital/Sexual: saída de leite pelas mamas, alteração da libido (aumento ou diminuição), dificuldades sexuais; Geral/Sistêmico: cansaço.

Pouco frequente (ocorre entre 1 em cada 1.000 e 1 em cada 100 pessoas)

Dermatológico: queda de cabelo, sensibilidade aumentada ao sol; Gastrointestinal: refluxo gastroesofágico; Hepático: alterações leves da função do fígado (hepatite colestática leve); Neurológico: convulsões, espasmos musculares involuntários (mioclonia), dificuldade na fala; Psiquiátrico: episódios de confusão importantes (especialmente com doses altas); Musculoesquelético: fraturas ósseas, cãibras; Urogenital/Sexual: dificuldade para urinar.

Raro (ocorre entre 1 em cada 10.000 e 1 em cada 1.000 pessoas)

Hepatotoxicidade; Icterícia; Síndrome serotoninérgica (geralmente quando associada a outros medicamentos).

Muito raro (ocorre em menos de 1 em cada 10.000 pessoas)

Cardiomiopatia; Síndrome neuroléptica maligna (geralmente após aumento da dose).

Frequência desconhecida — relatadas com a amitriptilina

Hematológico: redução de células do sangue (agranulocitose, leucopenia, trombocitopenia), púrpura; Imunológico/Alérgico: reações alérgicas, reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS); Cardiovascular: cardiomiopatia congestiva, arritmias, piora da insuficiência cardíaca, morte súbita cardíaca; Respiratório: inflamação pulmonar por eosinófilos; Gastrointestinal: inflamação da boca, alteração do paladar, escurecimento da língua, cáries dentárias em crianças, íleo paralítico (paralisação do intestino); Hepático: inflamação do fígado, falência do fígado; Neurológico: movimentos involuntários da face e da boca, formigamentos, perda de memória, miastenia grave, porfiria aguda intermitente; Psiquiátrico: comportamento agressivo, sintomas de abstinência após a interrupção (náusea, cefaleia, mal-estar, apneia do sono); Urogenital/Sexual: impotência; Oftálmico: dificuldade de movimentar os olhos, aumento da pressão dentro dos olhos; Geral/Sistêmico: tolerância ao medicamento.

A ocorrência não pode ser estimada a partir dos dados disponíveis.

Frequência desconhecida — relatadas com a classe dos antidepressivos tricíclicos

Cardiovascular: infarto do miocárdio, queda importante da pressão ao levantar (hipotensão ortostática), acidente vascular cerebral, piora da insuficiência cardíaca; Neurológico: porfiria aguda intermitente, miastenia grave; Psiquiátrico: piora da depressão, hipomania, pensamentos suicidas, tentativa de suicídio, suicídio consumado; Metabólico/Endocrinológico: síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético (ADH), alterações importantes de glicemia (alta ou baixa); Urogenital/Sexual: inchaço dos testículos, aumento das mamas em homens ou mulheres.

A ocorrência não pode ser estimada a partir dos dados disponíveis.

Esta lista não é exaustiva. Informe ao seu médico qualquer sintoma novo ou incomum durante o tratamento.

Interações medicamentosas

Informe seu médico sobre todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você usa.

MedicamentoEfeitoCondutaSeveridade
Substâncias serotoninérgicasPode ocorrer síndrome serotoninérgica (alterações de cognição, comportamento, função autonômica e atividade neuromuscular).Monitorar rigorosamente sinais e sintomas de síndrome serotoninérgica quando o uso concomitante for necessário.MAIOR
Outros antidepressivosA adição de outros antidepressivos geralmente não traz benefício adicional e há relatos de reações indesejáveis com a combinação, pela possibilidade de potencialização dos efeitos.Usar combinação somente com pleno conhecimento da farmacologia dos medicamentos envolvidos e da possibilidade de potencialização.MODERADA
GuanetidinaA amitriptilina pode bloquear a ação anti-hipertensiva da guanetidina ou de compostos de ação similar.Monitorar a pressão arterial e considerar ajuste do tratamento anti-hipertensivo.MODERADA
Agentes anticolinérgicos e simpatomiméticos (incluindo epinefrina combinada com anestésico local)Necessidade de supervisão próxima e ajuste cuidadoso da dose. Pode ocorrer íleo paralítico (paralisação do intestino) na associação com anticolinérgicos.Supervisão próxima e ajuste cuidadoso da posologia durante o uso concomitante.MODERADA
Álcool, barbitúricos e outros depressores do sistema nervoso centralA amitriptilina aumenta a resposta ao álcool e os efeitos de barbitúricos e outros depressores do SNC. Foi relatado delírio transitório com a associação de grandes doses de etclorvinol.Usar com precaução; evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento.MODERADA
DissulfiramFoi relatado delírio após a administração concomitante de amitriptilina e dissulfiram.Usar com cautela e monitorar alterações do estado mental.MODERADA
TopiramatoAlguns pacientes podem apresentar grande aumento na concentração de amitriptilina na presença de topiramato.Ajustar a dose de amitriptilina conforme a resposta clínica, e não com base nos níveis plasmáticos.MODERADA
TramadolOs antidepressivos tricíclicos podem aumentar o risco de tontura em pacientes que recebem tramadol.Monitorar a ocorrência de tontura na associação.MODERADA
Inibidores e substratos do citocromo P450 2D6 (quinidina, cimetidina; outros antidepressivos, fenotiazinas, propafenona, flecainida; ISRS como fluoxetina, sertralina e paroxetina)O uso concomitante pode exigir doses mais baixas do antidepressivo tricíclico ou do outro medicamento. A retirada de uma dessas medicações da terapia combinada pode exigir aumento da dose do tricíclico.Considerar redução de dose na associação e reavaliar quando uma das medicações for retirada.MODERADA

Uso em grupos especiais

Gravidez — categoria C

A amitriptilina é classificada na categoria C de risco na gravidez. Não foram observados efeitos teratogênicos em camundongos, ratos ou coelhos em doses orais de 2 a 40 mg/kg/dia, mas estudos na literatura mostraram teratogenicidade em camundongos e hamsters por diferentes vias em doses mais altas. A amitriptilina atravessa a placenta e há relatos de eventos adversos — efeitos sobre o sistema nervoso central, deformidades dos membros ou atraso no desenvolvimento — em bebês cujas mães usaram o medicamento na gravidez, embora sem relação causal estabelecida. Não há estudos bem controlados em gestantes; os possíveis benefícios devem ser pesados contra os riscos para a mãe e o bebê. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista. Informe imediatamente o médico em caso de suspeita de gravidez.

Amamentação — uso contraindicado

A amitriptilina é excretada no leite materno. Pelo potencial de reações adversas graves no bebê, o uso é contraindicado durante o aleitamento ou a doação de leite humano. O médico ou cirurgião-dentista deve apresentar alternativas para o tratamento ou para a alimentação do bebê.

Uso pediátrico

Para a depressão, em razão da falta de estudos em crianças abaixo de 12 anos, o uso é recomendado apenas acima dessa idade. Para a enurese noturna, recomenda-se o uso em crianças acima de 6 anos. Antidepressivos aumentam o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças e adolescentes — o acompanhamento deve ser próximo, especialmente no início do tratamento e em mudanças de dose. O comprimido de 10 mg é indicado para uso adulto e pediátrico acima de 6 anos; o de 25 mg, acima de 11 anos; o de 75 mg é de uso adulto.

Uso em idosos

Idosos são especialmente sensíveis aos efeitos adversos do medicamento; recomendam-se as posologias mais baixas. Doses de 10 a 50 mg/dia costumam ser mais adequadas, e 50 mg/dia podem ser satisfatórios para quem não tolera doses mais altas. A dose diária pode ser fracionada ou administrada em dose única, preferencialmente ao dormir. Metade da dose usual de manutenção geralmente é suficiente.

Função hepática comprometida

A amitriptilina deve ser usada com cautela em pacientes com função hepática comprometida (problemas no fígado). A bula do medicamento de referência não especifica um ajuste de dose numérico para essa população.

Perguntas frequentes

O que é amitriptilina e serve para quê?

A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico indicado oficialmente para o tratamento da depressão e da enurese noturna (xixi na cama), segundo a bula aprovada pela ANVISA. Na prática clínica, porém, ela é amplamente prescrita em doses mais baixas para outras situações: dor crônica, enxaqueca (prevenção), fibromialgia, dor neuropática e insônia. Seu efeito vem do aumento da disponibilidade de serotonina e noradrenalina no cérebro, o que também explica a ação sedativa e analgésica. Por ter efeito calmante e melhorar o sono, é comum que pessoas a recebam mesmo sem quadro depressivo. O uso para essas indicações fora de bula deve ser sempre orientado e acompanhado por um médico.

O que a amitriptilina faz no cérebro?

No cérebro, a amitriptilina aumenta a disponibilidade de serotonina e noradrenalina, dois neurotransmissores ligados ao humor, ao sono e à percepção da dor. Ela faz isso bloqueando a recaptação dessas substâncias pelos neurônios, o que prolonga sua ação. Esse mecanismo é a base do efeito antidepressivo e ajuda a explicar por que ela também alivia certos tipos de dor crônica. A amitriptilina também tem ação anticolinérgica — chamada na bula de "ação atropínica" — e, como antidepressivo tricíclico, atua sobre receptores ligados à histamina, o que ajuda a explicar a sonolência, a boca seca e a prisão de ventre, efeitos que a bula classifica como muito frequentes. O efeito sobre o humor costuma começar dentro de 3 a 4 dias e pode levar até 30 dias para se desenvolver por completo, enquanto a sedação aparece logo nas primeiras doses.

Os benefícios da amitriptilina?

Os principais benefícios da amitriptilina são a melhora do humor na depressão, o alívio de dores crônicas e a indução do sono. Por atuar sobre a serotonina e a noradrenalina, ela ajuda a regular o humor e, em doses mais baixas, é eficaz no controle de dor neuropática, enxaqueca (como prevenção) e fibromialgia — usos consagrados na prática clínica, ainda que a bula brasileira liste oficialmente apenas depressão e enurese noturna. O efeito sedativo, visto como colateral em alguns casos, torna-se um benefício para quem tem insônia associada. É um medicamento antigo, de eficácia bem estabelecida e baixo custo. Os benefícios, porém, precisam ser pesados contra os efeitos colaterais, o que cabe ao médico avaliar caso a caso.

Quem tem ansiedade pode tomar amitriptilina?

Quem tem ansiedade pode usar amitriptilina, mas apenas com prescrição médica, já que esse não é o uso principal aprovado na bula. A amitriptilina possui propriedades ansiolíticas e calmantes e, na prática, é prescrita em alguns quadros de ansiedade, sobretudo quando há insônia, dor crônica ou sintomas depressivos associados. Não é, porém, um medicamento de primeira escolha para ansiedade isolada — existem antidepressivos mais modernos e mais bem tolerados para esse fim. A decisão depende do quadro completo de cada pessoa. Por ser um medicamento com efeitos colaterais relevantes e que exige ajuste de dose, o uso para ansiedade deve sempre ser definido e acompanhado por um médico, nunca iniciado por conta própria.

Quanto tempo a amitriptilina demora para fazer efeito?

Depende do efeito esperado. O efeito sedativo (calmante, que ajuda no sono) costuma aparecer logo nas primeiras doses. Já o efeito antidepressivo, sobre o humor, é mais lento: segundo a bula, costuma começar dentro de 3 a 4 dias, mas pode levar até 30 dias para se desenvolver por completo. Por isso não se deve concluir que “não está funcionando” nas primeiras semanas, nem aumentar a dose por conta própria. Quando o uso é para enurese noturna, a maioria das crianças responde já nos primeiros dias. Mantenha o tratamento conforme a prescrição e relate ao médico a evolução.

Amitriptilina deixa a pessoa feliz?

A amitriptilina não “deixa a pessoa feliz” no sentido de causar euforia — ela não é um estimulante nem produz sensação imediata de bem-estar. Como antidepressivo, ajuda a restaurar o equilíbrio do humor em quem tem depressão, mas esse efeito é gradual: costuma começar em 3 a 4 dias e pode levar até 30 dias para se desenvolver por completo. O que muitas pessoas sentem primeiro é mais sono e calma, por causa do efeito sedativo. Em quem não tem depressão, não há motivo para esperar melhora do humor. Vale destacar que, em algumas pessoas, sobretudo jovens, antidepressivos podem provocar alterações de humor e comportamento no início do tratamento, motivo pelo qual o acompanhamento médico é importante nessa fase.

Por que a amitriptilina faz dormir?

A amitriptilina faz dormir porque, além de agir sobre a serotonina e a noradrenalina, atua sobre receptores ligados à histamina — efeito típico dos antidepressivos tricíclicos e semelhante ao de muitos antialérgicos que dão sono. A sonolência é, segundo a bula, a reação mais frequente do medicamento, podendo ocorrer em mais de 1 em cada 10 pessoas. Esse efeito sedativo costuma surgir já nas primeiras doses, antes mesmo da ação antidepressiva. É justamente por essa característica que a amitriptilina é usada, em doses baixas, para ajudar no sono e em quadros de insônia associada a dor ou ansiedade. Ainda assim, dormir melhor não substitui a investigação da causa da insônia, que deve ser avaliada pelo médico.

Quantos minutos para a amitriptilina dar sono?

A amitriptilina costuma provocar sono já na primeira hora após a ingestão, embora o tempo exato varie de pessoa para pessoa. A bula descreve que o efeito sedativo se manifesta rapidamente — bem antes da ação antidepressiva, que leva semanas. As concentrações da substância no sangue atingem o pico em torno de 6 horas após a dose oral, mas a sonolência aparece muito antes disso. Por isso o medicamento é tomado perto da hora de deitar. A sensação de sono pode se estender pela manhã seguinte, sobretudo no início do tratamento, quando o corpo ainda está se adaptando. Se a sonolência diurna for intensa, converse com o médico sobre o horário e a dose.

Que horas é bom tomar amitriptilina?

O melhor horário para tomar amitriptilina costuma ser à noite, pouco antes de deitar, justamente porque ela causa sonolência. A própria bula recomenda concentrar a dose no início da noite e/ou na hora de dormir, o que aproveita o efeito sedativo para favorecer o sono e reduz a sonolência durante o dia. Quando a dose é fracionada, a maior parte fica para o período noturno. O horário ideal, porém, pode variar conforme a indicação e a sensibilidade de cada pessoa — algumas pessoas sentem sonolência forte pela manhã e precisam ajustar o horário com o médico. Não mude a dose nem o horário por conta própria.

Quem toma amitriptilina consegue acordar cedo?

Quem toma amitriptilina pode ter dificuldade para acordar cedo, principalmente nas primeiras semanas de tratamento. Como o efeito sedativo é prolongado e a meia-vida da substância varia de 9 a 25 horas, parte da sonolência pode persistir pela manhã, causando aquela sensação de “ressaca” ou lentidão ao despertar. Esse efeito costuma diminuir à medida que o corpo se adapta, ao longo de dias ou semanas. Tomar a dose mais cedo à noite, e não já deitado, ajuda a reduzir a sonolência matinal. Se a dificuldade para acordar atrapalhar a rotina ou o trabalho, vale conversar com o médico sobre ajustar o horário ou a dose — nunca interromper por conta própria.

Amitriptilina engorda?

O ganho de peso é um dos efeitos mais frequentes da amitriptilina — a bula o classifica como muito comum, ocorrendo em mais de 1 em cada 10 pessoas. A bula não detalha a causa, mas o ganho de peso costuma ser atribuído ao aumento do apetite associado a essa classe de medicamentos. Não há um prazo fixo: algumas pessoas notam o aumento de peso nas primeiras semanas, outras só ao longo de meses de uso, e há quem não engorde — a resposta é individual. A amitriptilina não emagrece e não deve ser usada com essa finalidade. Se o ganho de peso incomodar, vale conversar com o médico sobre dose, hábitos alimentares ou alternativas, sem interromper o tratamento por conta própria.

Como fica uma pessoa que toma amitriptilina?

Uma pessoa que toma amitriptilina costuma ficar mais sonolenta e calma, especialmente no começo do tratamento. Os efeitos mais comuns, segundo a bula, são sonolência, boca seca, prisão de ventre, tontura e leve aumento de peso. No campo emocional, quando o uso é para depressão, a melhora do humor é gradual e aparece ao longo de semanas, não de imediato. Muitas pessoas relatam dormir melhor e sentir menos dor já nos primeiros dias, por causa dos efeitos sedativo e analgésico. A resposta, porém, é muito individual: algumas pessoas toleram bem, outras sentem mais os efeitos colaterais. Esses efeitos tendem a diminuir com a adaptação, mas devem ser relatados ao médico se forem intensos ou persistentes.

Quais são os efeitos colaterais da amitriptilina?

Os efeitos mais comuns da amitriptilina (que ocorrem em mais de 1 em cada 10 pessoas) são sonolência, boca seca, prisão de ventre, tontura, dor de cabeça, visão borrada, batimentos cardíacos acelerados, suor excessivo e aumento de peso. Também são comuns náuseas, confusão, dificuldade para dormir, alteração da libido e dificuldades sexuais. A maioria desses efeitos é mais intensa no início e tende a diminuir com a adaptação. Há ainda reações graves, embora mais raras, que exigem atenção imediata: alterações do ritmo cardíaco (prolongamento do intervalo QT), convulsões, reações graves de pele (como a DRESS) e sinais de síndrome serotoninérgica. Procure o médico se os efeitos forem intensos ou persistentes, e atendimento de urgência diante de qualquer reação grave.

Efeitos colaterais sexuais da amitriptilina?

Os efeitos colaterais sexuais da amitriptilina incluem alteração da libido (aumento ou diminuição) e dificuldades sexuais, que a bula classifica como reações frequentes — podendo ocorrer em até 1 em cada 10 pessoas. Em homens, pode haver dificuldade de ereção e impotência; entre as "dificuldades sexuais" citadas pela bula pode estar o retardo da ejaculação e do orgasmo, efeito comum aos antidepressivos tricíclicos. Em ambos os sexos, podem ocorrer redução do desejo e dificuldade para atingir o clímax. Esses efeitos costumam ser reversíveis e tendem a melhorar com o ajuste da dose ou a troca do medicamento. Se atrapalharem a qualidade de vida, devem ser relatados ao médico, que pode avaliar alternativas — interromper o tratamento por conta própria não é recomendado.

Amitriptilina deixa “brocha”?

A amitriptilina pode, sim, causar “brocha” — ou seja, dificuldade de ereção — em alguns homens. A bula lista dificuldades sexuais e alteração da libido entre as reações frequentes, e impotência entre as reações de frequência desconhecida. Isso acontece porque o medicamento interfere em neurotransmissores e na resposta do sistema nervoso ligada à função sexual. Nem todo homem apresenta esse efeito, e quando ocorre costuma ser reversível com a redução da dose ou a substituição do remédio. Não se deve parar o medicamento por conta própria, principalmente quando ele trata depressão, pois a interrupção brusca traz riscos. O ideal é relatar o problema ao médico, que pode ajustar o tratamento ou indicar outra opção com menor impacto sexual.

É perigoso tomar amitriptilina?

Tomar amitriptilina não é perigoso quando o uso é orientado por um médico e a dose é respeitada, mas o medicamento exige cuidados. O principal risco está na superdose: por ser um antidepressivo tricíclico, doses muito acima do recomendado podem causar arritmias cardíacas graves e convulsões, podendo ser fatais — por isso a venda é controlada e com retenção de receita. Pessoas com doenças do coração, glaucoma, epilepsia ou retenção urinária precisam de avaliação especial. No início do tratamento, sobretudo em jovens, deve-se ficar atento a alterações de humor e comportamento. Usada corretamente, é um medicamento seguro e com décadas de uso. O perigo aparece quando há automedicação, mistura com álcool ou uso de quantidades acima da prescrita.

Quem não deve tomar amitriptilina?

Não deve tomar amitriptilina quem é alérgico ao medicamento, quem usa antidepressivos do tipo IMAO (inibidores da monoaminoxidase), quem faz uso de cisaprida ou quem teve infarto do coração nos últimos 30 dias, conforme a bula. O uso também exige cautela — e às vezes é desaconselhado — em pessoas com arritmias ou síndrome do QT longo, glaucoma de ângulo estreito, histórico de convulsões, retenção urinária e doença do fígado. Durante a amamentação o medicamento é contraindicado, pois passa para o leite materno. Gestantes só devem usar sob orientação médica (categoria de risco C). Por isso, antes de iniciar, é essencial informar ao médico todas as condições de saúde e os outros medicamentos em uso, evitando combinações perigosas.

Pode tomar amitriptilina por conta própria?

Não se deve tomar amitriptilina por conta própria. É um medicamento de venda sob prescrição com retenção de receita, ou seja, controlado, justamente porque a dose precisa ser individualizada e ajustada aos poucos pelo médico. Começar ou parar sozinho traz riscos: a dose errada pode causar efeitos colaterais importantes ou ser perigosa, e a interrupção brusca pode provocar sintomas de abstinência, como náusea, dor de cabeça e mal-estar. Além disso, a amitriptilina interage com vários outros remédios e com o álcool. O acompanhamento médico também permite monitorar a resposta e a segurança, especialmente nas primeiras semanas. Mesmo quando usada para dor ou sono, e não para depressão, o uso deve ser sempre prescrito e supervisionado.

Pode beber álcool tomando amitriptilina?

Não é recomendado. A amitriptilina potencializa os efeitos do álcool e de outros depressores do sistema nervoso central, intensificando a sonolência, a tontura e a queda de atenção. Essa combinação aumenta o risco de quedas, acidentes e de comprometimento da capacidade de dirigir ou operar máquinas. A própria bula alerta que a amitriptilina potencializa a resposta ao álcool e os efeitos de outros depressores do sistema nervoso — daí a recomendação de evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento. Se isso for difícil de seguir no seu caso, converse com o médico — mas a orientação padrão é não associar álcool ao medicamento.

Amitriptilina causa dependência?

A amitriptilina não causa dependência química como a de substâncias de tarja preta — não provoca vício nem desejo compulsivo de usar, e por isso não é tarja preta. O que pode acontecer é o organismo se acostumar com o medicamento: ao interromper de forma brusca, sobretudo após uso prolongado, podem surgir sintomas de descontinuação, como náusea, dor de cabeça e mal-estar. Isso não é o mesmo que dependência, mas é o motivo pelo qual a retirada deve ser sempre gradual e orientada pelo médico. Ainda assim, a venda é controlada, com retenção de receita, pela necessidade de ajuste cuidadoso de dose. Não comece nem pare o tratamento por conta própria.

Como parar de tomar amitriptilina? Posso parar de uma vez?

Não se deve parar a amitriptilina de uma vez. A interrupção brusca, principalmente depois de semanas ou meses de uso, pode causar sintomas de descontinuação, como náusea, dor de cabeça, mal-estar e alterações do sono. A forma correta é reduzir a dose aos poucos, seguindo um esquema definido pelo médico, que varia conforme o tempo de tratamento e a dose em uso. Isso é especialmente importante quando o medicamento é usado para depressão, porque interromper cedo demais pode favorecer a volta dos sintomas. Se você deseja encerrar o tratamento ou está com efeitos colaterais, converse com o médico para programar a retirada — não suspenda sozinho.

Amitriptilina é tarja preta? Precisa de receita? Qual o tipo?

A amitriptilina não é tarja preta — sua embalagem tem tarja vermelha. Ainda assim, é um medicamento controlado: a venda é sob prescrição médica, com retenção de receita. A receita exigida é a de controle especial (Portaria SVS/MS 344/1998 e suas atualizações, lista C1), emitida em duas vias, e a farmácia retém uma delas. Na prática, isso significa que não é possível comprar sem apresentar a receita adequada, que fica registrada. Esse controle existe pela necessidade de uso acompanhado e com ajuste de dose pelo médico, e não porque a amitriptilina cause dependência química.

Grávida pode tomar amitriptilina?

A amitriptilina é classificada na categoria C de risco na gravidez e não deve ser usada por gestantes sem orientação médica. Ela atravessa a placenta, e há relatos de eventos adversos em bebês cujas mães usaram o medicamento na gravidez — embora sem relação de causa e efeito comprovada. Como não existem estudos bem controlados em gestantes, a decisão depende de pesar os possíveis benefícios para a mãe contra os riscos para o bebê, o que cabe ao médico. Se você engravidou ou suspeita de gravidez durante o tratamento, informe o médico imediatamente, sem interromper o medicamento por conta própria.

Posso tomar amitriptilina amamentando?

Não. Durante a amamentação, o uso da amitriptilina é contraindicado pela bula, porque o medicamento é excretado no leite materno e pode causar reações adversas graves no bebê. A recomendação vale também para a doação de leite humano. Se você precisa do medicamento e está amamentando, o médico deve avaliar alternativas — seja outro tratamento, seja outra forma de alimentar o bebê. Não tome essa decisão sozinha: converse com o médico ou o cirurgião-dentista antes.

Criança pode tomar amitriptilina?

Sim, em situações específicas e sempre com prescrição. A amitriptilina é indicada na bula para enurese noturna (xixi na cama) em crianças acima de 6 anos, depois de descartadas causas orgânicas. Para depressão, o uso é recomendado apenas acima dos 12 anos, por falta de estudos em crianças menores. A apresentação muda conforme a idade: o comprimido de 10 mg pode ser usado acima de 6 anos, o de 25 mg acima de 11 anos, e o de 75 mg é de uso adulto. Como em qualquer idade, antidepressivos podem aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças e adolescentes, por isso o acompanhamento médico próximo é essencial, especialmente no início do tratamento.

Qual o antidepressivo que substitui a amitriptilina?

Não existe um único antidepressivo que substitua a amitriptilina — a melhor alternativa depende do motivo do uso e do perfil de cada pessoa. Para depressão, costumam ser considerados antidepressivos mais modernos, como os ISRS (por exemplo, sertralina ou fluoxetina) e os duais (como a venlafaxina), em geral mais bem tolerados. Para dor crônica ou enxaqueca, a nortriptilina (um “parente” da amitriptilina) ou a duloxetina podem ser opções. Para insônia, há abordagens específicas. A escolha leva em conta eficácia, efeitos colaterais, outras doenças e interações. Trocar de antidepressivo nunca deve ser feito por conta própria, pois exige transição cuidadosa e ajuste de dose — apenas o médico pode definir o substituto mais adequado.

Qual o melhor antidepressivo: fluoxetina ou amitriptilina?

Não há um “melhor” entre fluoxetina e amitriptilina — são antidepressivos de classes diferentes, com perfis distintos. A amitriptilina é um tricíclico, mais antigo, com forte efeito sedativo e analgésico, útil quando há insônia ou dor associada, mas com mais efeitos colaterais (boca seca, sonolência, ganho de peso) e maior risco em superdose. A fluoxetina é um ISRS, geralmente mais bem tolerada, sem causar sonolência (pode até ser estimulante) e mais segura em excesso, sendo bastante usada na depressão e na ansiedade. A amitriptilina tende a ser escolhida quando o efeito sobre sono e dor é desejado; a fluoxetina, em quadros sem esses componentes. O mais adequado depende do quadro clínico e deve ser definido pelo médico.

Qual o melhor para insônia: amitriptilina ou clonazepam?

Para insônia, amitriptilina e clonazepam funcionam de formas diferentes e nenhum é “o melhor” de forma absoluta. A amitriptilina, em doses baixas, induz sono por seu efeito sedativo e costuma ser preferida quando a insônia vem acompanhada de dor crônica, enxaqueca ou sintomas depressivos. O clonazepam é um benzodiazepínico, de ação calmante mais rápida, mas com risco maior de dependência e tolerância, o que limita seu uso prolongado para dormir. De forma geral, o uso contínuo de benzodiazepínicos apenas para insônia é desencorajado. A amitriptilina pode ser uma alternativa para tratamento mais longo, sempre com acompanhamento. A escolha depende da causa da insônia e do histórico de cada pessoa, e deve ser feita pelo médico — ambos exigem receita.

Qual a diferença entre pregabalina e amitriptilina?

A diferença entre pregabalina e amitriptilina está na classe e no mecanismo, embora ambas tratem dores crônicas. A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico que age aumentando serotonina e noradrenalina, usada em depressão, enxaqueca, fibromialgia e dor neuropática, com efeito sedativo marcante. A pregabalina é um anticonvulsivante que atua reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios, muito usada em dor neuropática, fibromialgia e alguns quadros de ansiedade. Na prática, as duas são opções para dor neuropática e fibromialgia, às vezes até combinadas. Diferem nos efeitos colaterais: a amitriptilina causa mais boca seca e efeitos cardíacos; a pregabalina, mais tontura, sonolência e inchaço. A escolha — ou a associação — depende do tipo de dor e das condições de cada paciente, sendo decisão médica.

Referências

  1. Bula do profissional de saúde — Amytril (cloridrato de amitriptilina), comprimido revestido 10 mg. Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. (comercializado por Supera RX Medicamentos Ltda.). Registro ANVISA nº 1.0298.0364. Versão RM_0364_04-02, aprovada em 25/02/2026.
  2. Bula do paciente — Amytril (cloridrato de amitriptilina), comprimido revestido 10 mg. Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. (comercializado por Supera RX Medicamentos Ltda.). Registro ANVISA nº 1.0298.0364. Versão RM_0364_03-02, aprovada em 25/02/2026.
  3. Bula do profissional de saúde — Amytril (cloridrato de amitriptilina), comprimido revestido 25 mg e 75 mg. Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. Registro ANVISA nº 1.0298.0225. Versão RM_0225_04-02, aprovada em 25/02/2026.
  4. Bula do paciente — Amytril (cloridrato de amitriptilina), comprimido revestido 25 mg e 75 mg. Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda. (comercializado por Supera RX Medicamentos Ltda.). Registro ANVISA nº 1.0298.0225. Versão RM_0225_03-02, aprovada em 25/02/2026.
  5. Bulário Eletrônico da ANVISA. Disponível em: consultas.anvisa.gov.br

Revisão médica: Dra. Clara Aguiar · CRM-RJ 5285690-8 · Atualizado em 28 de junho de 2026

Genéricos, similares e referências disponíveis no Brasil

Nome comercialLaboratórioTipo
Cloridrato de AmitriptilinaInstituto Biochimico Indústria Farmacêutica Ltda.Genérico
AmytrilCristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda.Referência
MitripMyralis Indústria Farmacêutica Ltda.Similar
Cloridrato de AmitriptilinaEMS S.A.Genérico
AmytrilCristália Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda.Referência
Cloridrato de AmitriptilinaGermed Farmacêutica Ltda.Genérico
Cloridrato de AmitriptilinaSanofi Medley Farmacêutica Ltda.Genérico
Cloridrato de AmitriptilinaLaboratório Teuto Brasileiro S.A.Genérico
Cloridrato de AmitriptilinaBrainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.Genérico
Cloridrato de AmitriptilinaLegrand Pharma Indústria Farmacêutica Ltda.Genérico
Cloridrato de AmitriptilinaFundação para o Remédio Popular - FURPGenérico